
Esqueça a figura estereotipada do bibliotecário que, sentado em uma mesa, pede silêncio em um espaço dedicado apenas à leitura e à pesquisa. A atuação do profissional, que tem data celebrada nesta quinta-feira(12), evoluiu junto da forma de consumir informação. Eles são responsáveis por ler resumos, investigar autores e catalogar as obras conforme a área do conhecimento e a temática abordada.
A organização vai além das prateleiras e, depois de graduados no curso de Biblioteconomia, os profissionais estão credenciados a administrar bancos de dados digitais que encontram informações por meio de palavras-chave, por exemplo.
— Toda informação hoje, também no digital, precisa de um profissional que a organize — resume a coordenadora do curso de Biblioteconomia da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Susana Neumann.
Saber realizar, de forma técnica e baseada em uma metodologia criteriosa, a curadoria de conteúdos, permite que o bibliotecário esteja em diferentes ambientes profissionais como hospitais, fóruns, tribunais, editoras, museus, centros culturais e instituições de pesquisa.
— A área da Saúde por exemplo, pode ter uma biblioteca à parte, porque conta com uma infinidade de publicações, físicas e digitais sobre todos os temas que aborda. Cabe a nós cadastrar com base no Controle Bibliográfico Universal, nossa Bíblia que determina a forma do interessado encontrar o conteúdo — explica a bibliotecária da UCS Márcia Gonçalves.

Segundo o Conselho Federal de Biblioteconomia, são cerca de 21 mil profissionais em todo o país. Assim como Manuel Bastos Tigre (1882–1957), considerado o primeiro bibliotecário concursado do país e homenageado pela data celebrada nesta quinta-feira, muitos chegaram à biblioteconomia como segunda ou até terceira formação. Tigre, por exemplo, foi engenheiro, poeta e publicitário.
Essa característica segue presente na formação atual. Dos 54 estudantes matriculados no curso de Biblioteconomia da UCS, criado em 2013 e pioneiro no país na modalidade de Ensino a Distância (EAD), boa parte já passou por outras áreas antes de optar pela profissão. Entre alunos e profissionais, outro ponto em comum costuma ser o interesse pelo conhecimento transmitido pelos livros, que pode, inclusive, passar de geração para geração.
Após cursar Psicologia na primeira graduação, Eduarda Neumann Pereira recém formou-se bibliotecária. Além disso, ela é filha de Susana, coordenadora do curso:
— Tive colegas que vieram do Design e da Nutrição. Sempre gostei de ler e me inscrevi. Encontramos muito conhecimento ao lidar com todos esses livros de todos os tipos, de vários temas e idiomas, isso é muito interessante.
Nas escolas, desafio é o incentivo à leitura
Espaço de convivência, cultura e criatividade, as bibliotecas escolares funcionam como apoio pedagógico e têm o desafio, por meio dos profissionais, de formar leitores.
No Colégio São João Batista, os livros são organizados por ano de ensino pela bibliotecária Susiele Ramos, 37 anos. Da Educação Infantil até o 5º ano, os alunos levam livros emprestados todas as semanas para casa. Do 6º ao Ensino Médio, a cada 15 dias.
— Precisamos qualificar o acesso, não adianta ter oito mil livros, como no nosso caso, e essa informação toda não estar acessível. A parte técnica, de catalogação é importante, mas não dá para deixar de lado o incentivo à leitura.
Para isso, em espaços escolares, bibliotecários são responsáveis também pela Hora do Conto, o momento em que principalmente crianças param para ouvir as histórias dos livros contadas pelos profissionais. Quando a pesquisa é na internet, o bibliotecário também media a procura pelas informações:
— Auxiliamos os alunos a terem autonomia de serem críticos em relação à informação que encontram. Hoje o acesso é muito fácil, as opções são inúmeras e exigem uma mediação.
Segundo o Censo Escolar 2023, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 55% das escolas públicas e privadas possuem bibliotecas.



