
Celebrado nesta quinta-feira (12), o Dia Mundial do Rim chama atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças renais. Em Caxias do Sul, a data será marcada por uma ação gratuita promovida pela associação RimViver, que oferecerá aferição de pressão arterial, teste de glicose e orientações à comunidade.
A atividade ocorre das 13h30min às 16h30min na sede da entidade, na Avenida Rio Branco, 360, no bairro São Pelegrino. Os atendimentos serão realizados por voluntários da área de enfermagem da Faculdade Fátima.
A ação integra a campanha mundial coordenada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), que neste ano completa 20 anos. O tema de 2026 é Cuidar de pessoas e proteger o planeta, convidando à reflexão sobre políticas de saúde mais inclusivas e sustentáveis, além do acesso universal ao diagnóstico e ao tratamento das doenças renais.
De acordo com a SBN, cerca de 50 mil brasileiros com doença renal crônica morrem todos os anos antes mesmo de terem acesso à diálise ou ao transplante. Por isso, a campanha deste ano destaca a importância de exames simples, como o de urina e o de creatinina, fundamentais para identificar precocemente alterações nos rins.
Doença silenciosa
Presidente da RimViver desde agosto de 2025, Neusa Sandra Tartari conhece de perto a realidade de quem convive com doença renal. Aos 60 anos, ela é transplantada há nove e decidiu se tornar voluntária na entidade depois de enfrentar o tratamento.
Neusa descobriu a doença renal crônica aos 48 anos, após perceber sintomas como cansaço e inchaço.
— Eu sempre tive pressão alta e achava que tomando um remedinho estava tudo bem. Mas chegou um período em que eu estava muito cansada e inchada. Procurei um nefrologista e já estava com a função renal comprometida — relembra.
Após o diagnóstico, ela iniciou sessões de hemodiálise três vezes por semana durante cerca de dois anos e meio, enquanto aguardava um transplante. O órgão chegou depois de 10 meses na fila.
Hoje, quase uma década depois do transplante, Neusa relata uma mudança significativa na qualidade de vida.
— É outra coisa. A gente não precisa mais ficar ligada a uma máquina e tem liberdade para sair, viajar. Claro que continua tendo cuidados e acompanhamento médico, mas a vida é normal — afirma.
A presidente da RimViver destaca que, mesmo após o transplante, os pacientes precisam manter consultas periódicas e tomar medicamentos por toda a vida para evitar a rejeição do órgão.
A experiência pessoal foi o que motivou Neusa a se envolver com a associação. Primeiro como voluntária, depois como vice-presidente e, atualmente, como presidente.
Fundada em 1993 por Isoldi Chies, a RimViver atua oferecendo apoio e orientação a pessoas com doença renal crônica. Entre as atividades estão encontros de convivência, encaminhamentos para atendimento voluntário com profissionais médicos, além de ações de fortalecimento de vínculos para adultos.
Prevenção é fundamental
Para Neusa, o principal alerta do Dia Mundial do Rim é que a doença renal costuma evoluir de forma silenciosa.
— Muitas vezes a pessoa não sente nada. Por isso eu sempre digo: o exame de creatinina e o exame de urina são para todos. Eles ajudam a saber se os rins estão funcionando bem — orienta.
Segundo ela, hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular são essenciais para evitar o agravamento da doença.
— Depois que a gente passa por um problema desses, percebe o quanto é importante cuidar dos rins — diz.
35 transplantes renais pelo SUS em cinco anos
Caxias do Sul conta com serviço habilitado para captação e transplante de rins pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Pompéia. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, nos últimos cinco anos foram realizados 35 transplantes renais pelo SUS no município. O resultado é fruto do trabalho conjunto entre equipes hospitalares, profissionais de saúde e da solidariedade das famílias doadoras.
Os pacientes que precisam de transplante são acompanhados nos serviços de diálise, responsáveis por cadastrá-los na lista nacional de espera por um novo rim.
Quando ocorre um diagnóstico de morte encefálica e há autorização da família para a doação, o hospital comunica o caso à central estadual de transplantes. A partir disso, inicia-se o processo de avaliação clínica e logística para definir os receptores, seguindo critérios técnicos e a lista única nacional.
A Secretaria da Saúde também reforça a importância da conversa familiar sobre o desejo de ser doador, já que a autorização da família é indispensável para que a doação de órgãos aconteça.




