
O Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio lançou, na manhã desta quinta-feira (26), a 147ª Romaria em honra à padroeira, que ocorrerá nos dias 23, 24 e 26 de maio de 2026. Com o lema Morada Consagrada de Deus, rogai por nós, a edição deste ano propõe uma reflexão que une espiritualidade e questões sociais contemporâneas, como o direito à moradia digna e a necessidade de combater a violência, especialmente contra as mulheres.
O lançamento foi no próprio santuário, com o reitor padre Ricardo Fontana, o bispo da Diocese de Caxias do Sul, dom José Gislon, e o pároco padre Joone Fachinelli.
— Todo espaço é sagrado, sobretudo onde nós moramos. E queremos chamar a atenção para que todos possam ter uma moradia digna. Assim como o santuário precisa ser digno para acolher, toda casa também precisa oferecer dignidade às pessoas — afirmou o reitor.
Segundo Fontana, o lema faz conexão com a tradição mariana e com a compreensão de Maria como espaço de acolhida de Deus, ao mesmo tempo em que provoca uma reflexão sobre a realidade atual.
— Deus veio morar entre nós e encontrou em Maria essa morada consagrada. Mas também queremos olhar para o nosso tempo e perceber que muitas pessoas ainda não têm um lugar digno para viver — acrescentou.
Violência doméstica e valorização da mulher
Durante o lançamento também foi levantada a preocupação com o aumento da violência contra as mulheres. O tema foi relacionado à própria história de Joaneta, figura central da devoção de Caravaggio, que enfrentou sofrimento dentro do casamento.
— Só no Rio Grande do Sul tivemos dezenas de feminicídios recentemente. Joaneta também sofreu as agruras da vida e os insultos do marido. Mas a fé daquela comunidade transformou aquela realidade — ressaltou o reitor.
Como forma de conscientização, o santuário adotou elementos simbólicos visíveis ao público.
— Na Praça das Bandeiras, colocamos bandeiras roxas, que representam o cuidado com a mulher. Queremos chamar atenção para esse contexto e ajudar a promover uma mudança de mentalidade — explicou Fontana.
O bispo dom José Gislon reforçou a importância de tratar o tema dentro da vivência religiosa e alertou para os impactos sociais da violência:
— Toda realidade de violência doméstica cria uma rede de violência que se estende na sociedade. Por isso, a espiritualidade precisa transformar as nossas vidas e promover o respeito à dignidade de cada pessoa.
Ele também destacou que a mensagem da Romaria está profundamente ligada ao momento vivido pela sociedade.
— O tempo que vivemos é marcado por conflitos e dores. E quem mais sofre são as mães, as crianças e os idosos. Por isso, nunca podemos deixar de trabalhar pela paz, começando dentro das nossas famílias — disse.
Melhorias estruturais e acolhida aos romeiros
Além da mensagem espiritual, a organização apresentou uma série de melhorias na estrutura do Santuário, com foco na acolhida dos fiéis. A expectativa é entregar, até o dia principal da romaria, um espaço revitalizado e ainda mais preparado para receber os peregrinos. Dentre as novidades está a criação do Centro de Mídia Caravaggio, um espaço dedicado aos profissionais de imprensa.
A logística também foi ampliada, com reforço no abastecimento de água e na organização dos serviços.
— Vamos disponibilizar cerca de 600 mil litros de água por dia durante a romaria, além de equipes de apoio em diversas áreas, como elétrica, hidráulica e tecnologia — detalhou.
Tradição que atravessa gerações
A programação principal ocorrerá em três dias — 23, 24 e 26 de maio — com 11 celebrações diárias. Antes disso, a preparação contará com 12 pré-romarias, a partir de 25 de abril, envolvendo diferentes comunidades.
Dados apresentados durante a coletiva mostram a dimensão do fluxo de visitantes: em 2025, o santuário recebeu cerca de 1,25 milhão de pessoas ao longo do ano.



