
Um programa criado em 2019 pela Fundação de Assistência Social(FAS) e que atende 67 crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional foi estendido ao atendimento de idosos em Caxias do Sul. O Apadrinhe convida voluntários a criar vínculos afetivos com quem está sob a tutela do Estado em casas geridas por associações e, na grande maioria dos casos, sem acompanhamento familiar.
Nas Instituições de Longa Permanência, 94 idosos vivem em vagas compradas pela prefeitura e lidam diariamente com o isolamento ou com a falta de suporte da família ou de amigos. É, de acordo com a secretaria municipal de Assistência Social e Cidadania (SMASC), uma demanda crescente que não contava com iniciativas ofertadas para crianças e adolescentes.
O apadrinhamento não se resume a visitas. O objetivo, segundo a coordenadora do programa, Francine Margarin, é que se estabeleça um vínculo direto, com visitas periódicas e passeios autorizados pela equipe.
— A ideia é criar vínculo, que o padrinho ou madrinha tenha vontade de levar passear e até viajar. A equipe técnica das instituições faz a escolha do idoso para ver quem melhor vai se adaptar à companhia dos padrinhos interessados.
A iniciativa voltada aos idosos já tem a primeira voluntária. Desde o início do ano, Cristiane Petry, 50 anos, visita a afilhada Cleusa Ferreira, de 64, na Instituição Vivere Bene, no bairro Jardim Eldorado, onde outros 12 idosos estão abrigados.
Moradora do bairro Esplanada, Cristiane atravessa a cidade semanalmente para fortalecer o vínculo com Cleusa, que foi retirada há dois anos de uma área de risco na localidade de Pedancino, entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis.
— Venho feliz da vida, de coração aberto e sem ver obstáculos porque tenho amor de sobra e não tenho mais meus pais e sogros para cuidar. Dos quatro filhos, três já casaram. Está sobrando amor para dar para alguém. É tão fácil amar quem é da nossa família, por que não estender isso a quem não é do nosso convívio? Uma se dedica à outra, ela me fala de plantas e das coisas que sente falta, eu levo ela passear e ofereço a minha escuta.
Cristiane é chamada de dinda por Cleusa, que conta os dias para a chegada das quartas-feiras:
— Vivia muito sozinha. Ela é uma companhia pra me levar tomar sorvete e sair pra passear. Ela gosta de saber como eu cuido das plantas e a gente conversa bastante.
O Apadrinhe para pessoas idosas conta com recursos do Fundo Municipal da Pessoa Idosa (FMPI), geridos pelo Conselho Municipal da Pessoa Idosa (CMPI). A execução do programa é da Associação Jesus Senhor.
Escolha criteriosa
Para se tornar um padrinho, tanto de crianças quanto dos idosos, é preciso passar por uma seleção. Após a inscrição e contato inicial, a equipe técnica da Associação Jesus Senhor agenda uma primeira conversa, que pode ser online, para apresentação do RG, CPF e comprovante de endereço.
O passo seguinte é a visita domiciliar para que a equipe compreenda o contexto social do candidato. Após a aprovação nessas etapas, os interessados participam de uma capacitação conduzida pela equipe do programa, onde recebem orientações sobre o apadrinhamento, esclarecem dúvidas e se integram com outros voluntários.
Cumpridas as etapas prévias, a primeira visita ao acolhido é feita em companhia das equipes técnicas do Programa Apadrinhe e da Instituição de Longa Permanência.
No apadrinhe para crianças e adolescentes são três modalidades. O dindo afetivo, que dispõe de tempo para acompanhar em atividades de lazer, o dindo provedor, que tem disponibilidade financeira para financiar atividades, e o dindo prestador de serviço, que destina seu trabalho para as crianças, como uma psicóloga que presta serviço a unidade de acolhimento ou um professor que atende a uma turma.
O processo de seleção, principalmente de crianças e adolescentes, é criterioso. Segundo a diretora de Proteção Social Especial de Alta Complexidade da SMASC, Franciele Rosso, é necessário garantir segurança aos participantes:
— Eles vêm de contextos familiares que envolvem violações de direitos, são crianças sobre tutela do estado e que é preciso conhecer bem a pessoa que está disponível a desempenhar o voluntariado. O dindo vai ser uma referência positiva que vai poder ressignificar as vivências anteriores.
Como participar
Para ser um padrinho é preciso demonstrar interesse pelo WhatsApp (54) 99708-0279 ou pelas redes sociais do Apadrinhe Pessoas Idosas no Instagram e Facebook.


