
O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) identificou que o tremor de terra registrado no bairro Serrano, em Caxias do Sul, no último sábado (14), foi um terremoto de 1.5 Mlv (Magnitude Local vertical). Apesar de não ser considerado nem na Escala Richter (ferramenta matemática que mede a magnitude dos terremotos) por ser menos de 2.0, a Defesa Civil Municipal caracterizou o fato como acomodações das rochas nas profundezas do solo. Não houve feridos.
O responsável pela Defesa Civil de Caxias do Sul, tenente Armando da Silva, esclareceu que mesmo sendo um terremoto pequeno, o Brasil não está na área de situações extremas. Além disso, pelo histórico da cidade, no último, sentido em maio de 2024, não foi necessário tomar medidas mais drásticas.
— É uma espécie de terremoto (pequeno). Como não estamos em área de terremotos extremos no Brasil, nos baseamos nos históricos que não nos levam a adotar medidas de retirada das pessoas dos locais e levar para outros locais mais seguro — explicou.
Junto disso, o tenente frisou a orientação oferecida aos moradores da localidade ainda no sábado.
— É um fenômeno natural que acontece devido a água passando nas camadas mais profundas do solo. É natural que haja movimentação de rochas, mas isso acontece a quilômetros de profundidade. Essa movimentação não causa danos, apesar de assustar a população — salientou.
Conforme o geólogo Nerio Susin, ex-secretário de Meio Ambiente do município, a definição da Defesa Civil não foi incorreta, mas toda vibração excessiva do solo é considerada como um terremoto.
— Por definição, terremoto é toda a situação em que tu tens uma vibração excessiva do solo. Esse MLv, pequeno, de 1.5, é suficiente para causar sensação de vibração da terra. Outras vezes você ouve o barulho, mas isso não tem um efeito muito maior do que as pessoas se assustarem. A Defesa Civil está certa em dizer que consideraram acomodação de rochas em virtude da pequena amplitude dessa onda sísmica, ela é bem compatível — explicou.
Na análise do Centro da USP, o ocorrido do sábado também não teve um valor superior a 0km de profundidade, sendo assim, "trata de um sismo raso" e sem dados suficientes para oferecer mais especificações.
Relato da população é importante para análises
O professor adjunto da UFRGS na área de Sensoriamento Remoto, junto ao Departamento de Geodésia — Instituto de Geociências (IGeo), Clódis de Oliveira Andrades Filho, salientou como o relato dos moradores é essencial na hora da classificação do tremor.
— A gente considera muito quando a população registra o que sentiu naquele momento, por exemplo: se sentiu, se ouviu algum barulho ou teve alguma danificação. Todas essas informações ajudam a entender o fenômeno e até qual a dimensão dele — reforçou.
No próprio site do Centro de Sismologia da USP há uma área que os afetados podem relatar o que ocorreu. Veja aqui.

