
O verão, marcado por altas temperaturas e maior atividade da fauna, costuma aumentar os registros de enxames de abelhas, marimbondos e vespas em áreas urbanas. Ao contrário do Estado, que teve aumento de 71% no número de vezes em que os bombeiros foram acionados para casos envolvendo abelhas e marimbondos aumentou, em Caxias do Sul, os dados do Corpo de Bombeiros Militar apontam redução nas ocorrências neste início de 2026. Entre os dias 1º e 19 de janeiro, foram feitas 15 averiguações ou manejos de insetos, contra 37 no mesmo período de 2025 — uma queda de 59%, segundo capitão Patrick Dipp da Silva.
Mesmo com a diminuição dos casos, o tema exige atenção da população.
— O mês de janeiro é o pico do nosso verão. O calor é um fator muito importante para várias espécies. Como eles não produzem calor corporal, dependem da temperatura do ambiente — explica a bióloga e professora Bárbara Cassini.
De acordo com ela, as altas temperaturas aceleram o metabolismo desses animais, deixando-os mais ativos. Esse comportamento acaba aumentando o contato com humanos:
— Com o metabolismo acelerado, eles têm mais vigor, buscam mais alimento e também é um período de maior oferta, porque há mais plantas florescendo e mais frutos. Além disso, é uma época de reprodução, quando eles exploram novos ambientes para construir ninhos.
Apesar do receio comum, a bióloga reforça que, de modo geral, esses animais não atacam sem provocação.
— Eles agem por instinto. Se você tentar tirar com as próprias mãos, aí eles vão atacar. A abelha, por exemplo, pica apenas em última instância, porque ao ferroar ela perde o ferrão e acaba morrendo — explica.
Já as vespas, popularmente conhecidas como marimbondos, apresentam um comportamento diferente:
— Vespas e marimbondos são a mesma coisa, o que muda é o nome popular. Elas não perdem o ferrão, então podem picar várias vezes, o que causa mais medo nas pessoas. Ainda assim, as vespas adultas, na maioria das espécies, são polinizadoras. Além disso, muitas depositam ovos em restos orgânicos, inclusive carne em decomposição, e as larvas ajudam no processo de decomposição. Outras ainda controlam populações de insetos como pulgões e até outros artrópodes — explica, destacando a sua importância para o equilíbrio ambiental.
Segundo Bárbara, as abelhas, por sua vez, costumam despertar mais empatia por estarem associadas à produção de mel e à polinização. Ela lembra que, além da abelha europeia mais conhecida, existem diversas espécies nativas, muitas delas sem ferrão. A própria bióloga mantém, como hobby, uma caixa de abelhas da espécie jataí, nativa do Rio Grande do Sul.
— Elas só trazem benefícios. Produzem mel para elas mesmas e polinizam as plantas nativas — conta.

No RS, casos cresceram 71% em 2025
O número de vezes em que os bombeiros gaúchos foram acionados para casos envolvendo abelhas e marimbondos aumentou 71% no Rio Grande do Sul em 2025 em relação ao ano anterior. O total de registros por ano saltou de 8.241 em 2024 para 14.118 no ano passado. Em média, foram 38 casos por dia em 2025 — esta média diária era de 22 no ano anterior.
O que fazer ao encontrar enxames
A orientação principal, segundo a bióloga, é não tentar resolver a situação por conta própria.
— Se você perceber um ninho em formação e houver risco para as pessoas, o correto é manter distância. Se estiver em casa, feche portas e janelas. Na rua, afaste-se devagar, sem movimentos bruscos, porque isso pode assustar os animais — orienta.
Ela reforça que movimentos repentinos podem ser interpretados como ameaça.
— Eles estão muitas vezes alvoroçados, procurando local para ninho. Se você assustar, eles vão atacar por instinto. A recomendação é acionar o órgão responsável, que pode variar conforme o município, como a secretaria do Meio Ambiente ou profissionais habilitados, como apicultores — diz.
Em comunicado oficial, o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) esclarece que não realiza o extermínio de abelhas. Conforme o Procedimento Operacional Padrão (POP), a atuação prioriza a preservação desses insetos, fundamentais para o equilíbrio ambiental. A corporação lembra que a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) criminaliza a perseguição, caça ou morte de animais silvestres sem autorização.
Nos casos de enxames em locais com circulação de pessoas, os bombeiros realizam vistoria técnica, isolamento da área e orientações à população para prevenir acidentes. A remoção ocorre apenas em situações excepcionais, quando há alto risco à vida e não é possível aguardar atendimento especializado, sempre buscando preservar os insetos.
A corporação reforça que a população não deve tentar retirar colmeias ou ninhos sem treinamento adequado, devido ao risco de ataques e acidentes graves. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193.
O que fazer em caso de picada
Embora as abelhas não sejam agressivas e só ataquem se se sentirem ameaçadas, picadas podem acontecer. Conforme a secretaria da Saúde de Caxias do Sul, o acidente por picada de abelha leva a uma ampla variedade de manifestações de acordo com o tipo de acidente, o número de picadas e a sensibilidade das pessoas. Normalmente, em sua maioria há poucas ou somente uma picada, causando uma reação inflamatória local, provocando dor ou inchaço.
Em alguns casos mais graves e raros ocorre uma reação alérgica, em que o paciente pode sentir tonturas, vômitos, desmaios e até inchaço de laringe que pode provocar sufocamento do paciente caso não tiver nenhuma assistência médica. A pasta da Saúde recomenda algumas orientações para minimizar os efeitos:
- Em reações locais, higienizar adequadamente o local da picada com água e sabão. Normalmente em picadas de vespas ou marimbondos o ferrão normalmente não fica preso, então a própria limpeza já é o suficiente para retirá-lo.
- Compressa fria também pode aliviar os sintomas. Caso não haja melhora dos sintomas ou se houver surgimento súbito de sintomas diversos logo após a picada, é recomendável procurar atendimento médico imediato, principalmente em pacientes com histórico de alergias graves.
- Somente com avaliação clínica é que se consegue ter acesso à medicação adequada e orientação direcionada para cada tipo de picada.
- Em caso de acidentes em locais remotos ou que o atendimento médico não é possível de imediato, uma alternativa é ligar para Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul, o CIT, pelo número 0800.721.3000, que pode orientar o paciente em relação à prevenção e primeiros socorros até o atendimento de um profissional de saúde.

