
— Vem gente de Goiânia, São Paulo, Minas Gerais e de todos os lugares do Rio Grande do Sul.
É o que contam os pais dos noivos, de origem cigana, Ivo Cristo, 19 anos, e Helena Jorge, 20, que iniciaram nesta quarta-feira (14) o casamento que irá seguir até a próxima sexta-feira (16), em Farroupilha.
Ivo, de Ribeirão Preto (SP), e Helena, de Pelotas, vão ter como testemunhas da união cerca de 1,5 mil pessoas que lotam parte da rede hoteleira da cidade. O evento bloqueia, desde o início da quarta-feira, a Rua Castelo Branco, em frente ao Complexo Perlage, onde, no pátio, tendas foram montadas para o churrasco que começa sempre pela manhã, durante os três dias de festa, e segue durante todo o dia. A prefeitura autorizou o bloqueio em função da grande movimentação de pessoas, mesmo que não seja na área central da cidade vizinha de Caxias.
— É da nossa cultura casar os filhos cedo e não tem mais aquele tipo de casamento arranjado: hoje o filho gosta de uma moça e são dois, três dias de festa. Mas ela também é cigana, então se mantém a tradição. Meu sogro mora aqui em Farroupilha e encontrou um espaço bom para festejarmos — diz Sérgio Cristo, 40, pai do noivo e que também casou cedo, com a Linda, aos 17 anos.
Empresário, revendedor de camionetes em Ribeirão Preto, Cristo casa na Serra um dos quatro filhos em uma cerimônia religiosa reservada aos familiares. A celebração mesmo está marcada para ocorrer na Igreja antiga do Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, sob a bênção do padre Joone Fachinelli, às 16h de quinta-feira (15).
É que primeiro, nesta quarta, ocorre o noivado, onde o casal recepciona os convidados; às 18h oferece pedaços de bolo a eles - são mais de 300 quilos, segundo a confeitaria contratada. Na manhã de quinta-feira um café colonial está marcado para as 7h e, depois da celebração religiosa, a festa segue com a animação da uruguaia Debora Y Su Banda, atração que roda a América do Sul em eventos como esse, planejados por ciganos.

“É um povo que precisa da confiança de quem trabalha com eles”
A festa da família Cristo tem números expressivos e que, apesar de chamar atenção, não causa transtorno aos serviços de Farroupilha, hoje com quase 70 mil habitantes. A grande maioria do pessoal contratado para o casamento de três dias vem de outras cidades e ajuda na lotação dos hotéis do entorno.
A maquiadora da noiva vem de Campinas (SP) e outras três profissionais de Pelotas chegaram ainda na quarta para maquiar as convidadas. O churrasco é por conta do Piquete 35, de Lagoa Vermelha, e os mais de três mil doces e 500 bem-casados foram feitos por uma confeitaria do interior de São Lourenço do Sul e que vai realizar em abril o seu décimo casamento cigano.
— Fechamos a confeitaria e ficamos exclusivos para o evento que exige muito de nós. Esse é o oitavo com ciganos, são pessoas que precisam da confiança de quem trabalha com eles. Eles gostam de fartura — resume a confeiteira Rejane Kohler, que, em março do ano passado, realizou um casamento para três mil pessoas em Pelotas.
3 mil quilos de carne e mil quilos de carvão
Para comer nesses três dias de festa, os noivos Ivo e Helena, que não quiseram falar, oferecem aos convidados 20 ovelhas e 30 porcos inteiros: são três mil quilos de carne assados pela equipe do churrasqueiro Juarez Almeida:
— Somos acostumados, até 600 pessoas é normal em Lagoa Vermelha, mas lá é almoço e janta, diferente daqui que começa de manhã e vai até a meia-noite com carne no fogo. É uma festa divertida e muito bem organizada, passam o dia comendo e gostam de carne bem assada.



