
Anunciado nesta quarta-feira (28) pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, o viaduto da BR-116, na ligação com a Perimetral Norte, em Caxias do Sul, avança para uma nova etapa com um projeto ajustado às exigências de uma rodovia federal. A estrutura, considerada uma das obras viárias mais importantes para a mobilidade urbana da cidade, teve o anteprojeto revisado e deve ter licitação publicada em abril, com investimento estimado em cerca de R$ 80 milhões.
O viaduto foi inscrito no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a partir de um projeto elaborado pela prefeitura em 2023 e, desde então, passou por adequações técnicas coordenadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Segundo o secretário municipal de Planejamento e Parcerias Estratégicas, Marcus Vinicius Caberlon, as mudanças não alteraram o conceito da obra, mas foram decisivas para viabilizá-la no âmbito federal.
— O projeto original obedecia a parâmetros viários urbanos, adequados para uma avenida da cidade, mas não para uma rodovia federal. Quando ele foi analisado tecnicamente, verificou-se a necessidade de ajustes para atender às normas da BR-116 — explica.
Pistas mais largas e segurança para veículos pesados
A principal alteração está na geometria das faixas de rolamento. No desenho inicial, as pistas tinham 3,20 metros de largura. Com a revisão, passaram para 3,60 metros, medida exigida para garantir segurança em um viaduto em curva que recebe tráfego pesado, como caminhões e bitrens.
— Com a largura antiga, dois veículos pesados poderiam se chocar lateralmente. Essa adequação era fundamental. Ao ampliar as faixas, foi necessário também aumentar a plataforma do viaduto, o que impacta o projeto estrutural e o desenho arquitetônico, mas sem mudar a concepção — detalha Caberlon.
O viaduto mantém a ideia de uma estrutura estaiada, com grande vão, e terá aproximadamente 500 metros de extensão. A solução técnica definitiva — se totalmente estaiada ou em balanço sucessivo, com pilares — ficará a cargo da empresa vencedora da licitação, já que a obra será firmada pelo modelo de contratação integrada. Nesse formato, a construtora desenvolve o projeto executivo a partir do anteprojeto aprovado.
Separação de fluxos e fim das sinaleiras
O objetivo central da obra é separar o fluxo de passagem da BR-116 do tráfego local que acessa bairros como De Lazzer e Diamantino. Atualmente, o cruzamento da rodovia com a Perimetral Norte é um dos principais gargalos viários de Caxias do Sul, com retenções frequentes em horários de pico devido às sinaleiras instaladas no local.
Com o viaduto, a BR-116 será elevada nos dois sentidos, mantendo pista duplicada, permitindo que o tráfego de longa distância siga sem interrupções. Na parte inferior da estrutura, está prevista a implantação de uma rotatória de três faixas para organizar o acesso ao bairro Diamantino, no ponto onde hoje há semáforos, que deixarão de ser necessários.
O projeto também prevê pistas laterais duplicadas para os acessos entre a Perimetral Norte e a BR-116. Quem sai da Perimetral em direção a Ana Rech seguirá por baixo do viaduto e acessará a pista principal após a unidade da Polícia Rodoviária Federal (PRF). No sentido oposto, o acesso à Perimetral ocorrerá por pista lateral próxima à PRF, garantindo maior fluidez e organização ao trânsito.
Licitação em abril e obras no fim de 2026
De acordo com Caberlon, se o edital de licitação for publicado em abril, o processo deve avançar ao longo do ano. A elaboração do projeto executivo pela empresa vencedora leva, em média, de 90 a 120 dias, segundo ele. Com isso, a assinatura do contrato pode ocorrer em setembro.
A expectativa é que os trabalhos de preparação do terreno e fundações profundas, como estacas e tubulões, comecem entre outubro e novembro. O prazo de execução da obra deve variar entre 12 e 18 meses, dependendo das condições do solo e das estratégias adotadas para minimizar os impactos no trânsito durante a construção.
— Em algum momento, aquele trecho vai ficar praticamente intransitável, e será necessário criar desvios e alternativas. Isso está sendo discutido entre a prefeitura, o Dnit e os órgãos de trânsito. É um problema temporário para uma solução definitiva — afirma.
Para Caberlon, a obra representa a concretização de uma demanda histórica da cidade:
— É um sonho antigo. Há mais de 20 anos se discute uma solução para esse ponto, e a necessidade é ainda mais antiga. Ver essa obra sair do papel é enxergar uma solução que Caxias espera há décadas.
Contorno Oeste entra no PAC Projetos
Além do viaduto da BR-116, o ministro Renan Filho anunciou a inclusão do chamado Contorno Oeste de Caxias do Sul no PAC Projetos de 2026. A iniciativa autoriza a contratação do projeto de engenharia de um novo traçado da BR-116, que deve contornar a cidade pelo lado norte.
Segundo Caberlon, já existe um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) elaborado pelo Dnit. O traçado preliminar sairia da região do bairro Serrano, contornaria Caxias pelo norte, passaria pela área do Samuara e seguiria em direção à Região Metropolitana de Porto Alegre, conectando-se ao prolongamento da RS-448. O novo corredor teria cerca de 70 quilômetros de extensão.
— É uma BR-116 nova, um contorno oeste que liga Caxias diretamente à região metropolitana. A autorização é para fazer o projeto, que será contratado pelo Dnit. Depois disso, em alguns anos, será possível pensar na licitação da obra — explica.



