
Faltando um pouco mais de 20 dias para o início do ano letivo, a Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Targa, em Flores da Cunha, enfrenta incertezas devido às obras de restauração iniciadas em agosto de 2025. Com 40% da estrutura interditada desde 2023, a direção teme não ter salas de aulas disponíveis até o dia 18 de fevereiro em virtude das intervenções executadas pela empresa e que não foram concluídas. A apresentação de um planejamento de atividades, prevista para esta segunda-feira (26), foi adiada para quinta-feira (29), aumentando o receio da comunidade escolar.
De acordo com a diretora da escola, Andreia Pegoraro, desde setembro de 2023 a instituição passa por dificuldades após um vendaval danificar parte do telhado que atingiu a sala de informática, destruindo todos os computadores, além das estruturas de salas de aula e coordenadoria.
Na época, a 4ª Coordenadoria Regional de Obras Públicas, com sede em Caxias do Sul, foi até o local e decidiu interditar 40% da escola. Com isso, a diretoria precisou montar salas provisórias para atender os estudantes e continuar com as aulas no restante de 2023 e seguir em 2024 e 2025. Atualmente, a instituição atende a aproximadamente 350 alunos do 1º ao 9º ano.

Em agosto de 2025, o Estado anunciou um investimento de R$ 28,3 milhões para obras nas escolas estaduais, e a Professor Targa foi uma das contempladas. A empresa Cisal, de Porto Alegre, foi selecionada por contratação simplificada (sem licitação) e ficou responsável pelas intervenções que envolvem: recuperação das esquadrias, da cobertura, das instalações elétricas e hidrossanitárias, dos pisos, das paredes, dos forros, das pinturas, dos muros, das telas e do acesso escolar. O valor previsto de custo era de R$ 2 milhões.
No entanto, desde a assinatura da ordem de início, a situação da instituição só piorou, conforme a diretora.
— Quando a gente achou que os nossos problemas estivessem resolvidos, foi aí que se iniciaram. Foi assinada a obra de início imediato, porém, eles demoraram praticamente 15 dias para iniciar a obra, vieram três pessoas aqui e não deram sequência, ou melhor, nem começaram a fazer o que estava projetado — destaca a diretora Andreia.
Segundo a diretora, a obra é composta por diversas ordens de trabalho e, na primeira etapa, estava prevista a substituição de todo o telhado da escola, inclusive das áreas que não apresentavam danos. Entretanto, a empresa iniciou os serviços por outras intervenções, o que acabou prejudicando as demais salas. Alguns pontos permanecem sem proteção e, a cada chuva, o espaço sofre ainda mais deterioração.
— A empresa veio, começou a fazer uma coisinha, fazia outra, parava, vinham às vezes na segunda, às vezes na terça, na sexta de meio-dia, iam embora e a gente via que aquela situação não estava andando — destaca.
A diretora diz que fez diversas reuniões com o representante da empresa, com a presença da 4ª Crop e da 4º Coordenadoria Regional da Educação (4ª CRE), para alinharem as demandas da obra. No último encontro, em dezembro, foi acordado que os trabalhadores voltariam no início de janeiro para, pelo menos, liberarem algumas salas para uso em fevereiro. Entretanto, o prazo não foi cumprido.
— Foi solicitado que a gente desocupasse várias áreas da escola, inclusive a cozinha e o refeitório, as salas de aula improvisadas e mais uma sala do primeiro andar, porque, segundo eles, nas férias, iriam fazer toda a substituição do telhado, para que, no início das aulas, pelo menos, o telhado novo estivesse pronto. Porém, nós estamos a menos de um mês do início das aulas e até agora, nada — disse.
Andreia explicou que, caso as obras não sejam retomadas, não há garantia de que a escola consiga receber os alunos, em razão de diversos fatores, como a presença de materiais de construção espalhados pelo espaço, que representam risco às crianças, além da existência de apenas quatro salas em condições adequadas para a realização das aulas.
— Nós estamos sem dormir há algumas noites, porque já era para termos tudo organizado. Agora a gente não sabe se organiza para receber quatro turmas, se vai ter revezamento, se a gente vai poder ocupar o espaço que mandaram desocupar. Estamos sem cozinha, sem refeitório. Está uma situação bem caótica — desabafou a diretora.
Apesar da obra estar dentro do prazo estipulado pelo governo, de 360 dias, a Secretaria de Obras Públicas (SOP) está cobrando da empresa um plano de trabalho. Na quinta-feira (22), a pasta se manifestou através de uma nota dizendo que a empresa apresentaria um planejamento na segunda-feira (26). Contudo, a empresa alegou "problemas com fornecedores" e pediu uma extensão do prazo.
"A Secretaria de Obras Públicas (SOP) informa que a empresa Cisal, responsável pela obra na Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Targa, em Flores da Cunha, apresentará um plano para retomada dos trabalhos na quinta-feira (29). A nova data foi solicitada por conta da confirmação de prazos por parte de fornecedores".
A secretaria também explicou que o novo cronograma vai prever a substituição da cobertura por uma estrutura metálica e inclui a troca emergencial das telhas para evitar infiltrações durante as manutenções. O prazo final será reavaliado, sem acréscimo de custos, e as "sanções cabíveis analisadas".
A empresa Cisal foi procurada pela reportagem para manifestação, mas ainda não retornou. O espaço segue aberto.



