
Pela primeira vez, o início da safra da uva terá um evento oficial e de abrangência no país. A cerimônia, denominada como 1ª Abertura Nacional da Vindima, será nesta terça-feira (20), a partir das 17h30min, na Vinícola Argenta, em Flores da Cunha. Para este ano, a projeção é de uma safra com maior quantidade na Serra em comparação com a última, além de um fruto de qualidade superior.
O frio rigoroso no inverno, chuvas regulares na primavera e dias ensolarados e quentes no verão garantem boa perspectiva para a safra da uva que já teve início na Serra com a colheita de variedades precoces e em vinhedos localizados nas áreas mais baixas.
Para celebrar esta projeção, o evento desta terça em Flores da Cunha vai reunir autoridades, representantes do setor vitivinícola e agricultores. Desde 1994, Flores da Cunha ostenta o título de ser o município com maior produção de vinhos do país. Em 2025 foram 184 milhões de litros da bebida e derivados da uva. O município concentra aproximadamente 22% das vinícolas gaúchas.
Apesar de a colheita da uva já ter começado em municípios da Serra, são nos últimos dias de janeiro e no começo de fevereiro que a vindima ganhará força. Nesse período é quando as uvas comuns, como a isabel, utilizada para sucos e vinhos de mesa, começarão a ser colhidas.
Em Flores da Cunha, maior produtor da fruta no país, a Secretaria de Agricultura projeta que sejam 110 mil toneladas, um acréscimo que deve ficar entre 5% e 10% a mais do que no ano passado.
— A brotação foi excelente e está se desenhando uma qualidade de boa para ótima. A colheita começou com uvas de mesa, mas vai se intensificar mesmo no início de fevereiro com as niágaras brancas e depois com as bordôs — comenta o secretário municipal da Agricultura, Jamur Mascarello.
Em Caxias do Sul, segundo a Emater, serão cerca de 75 mil toneladas colhidas nos 3,7 mil hectares plantados. A expectativa é para que os dias permaneçam secos e sem a ocorrência de muita chuva, para evitar o apodrecimento dos cachos que já estão quase prontos para a colheita.
Nas cooperativas, a uva já começou a chegar. A Vinícola Garibaldi iniciou o recebimento no dia 31 de dezembro, de variedades de ciclos curtos, e no começo do mês passou a receber uvas chardonnay, utilizadas para a elaboração de espumantes.
— A safra começa a ter volumes maiores a partir do fim de janeiro. Esperamos 10% a mais do que no ano passado, com até 32 milhões de quilos — conta o enólogo-chefe Ricardo Morari.
Já na Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, a estimativa é de que cerca de 85 milhões de quilos sejam alcançados, em um volume 18,7% superior ao colhido em 2025. O crescimento é, segundo a cooperativa, impulsionado pelo comportamento climático favorável e pelo aumento do cultivo de variedades destinadas à elaboração de espumantes. A safra da Aurora representa entre 10% e 15% da colheita das uvas para processamento de todo o Rio Grande do Sul.
R$ 1,80 é o preço mínimo do quilo
Negociado por agricultores e indústria e estabelecido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o preço mínimo da uva isabel ficou em R$ 1,80 pelo quilo para esta safra.
O valor leva em consideração os custos de produção que aumentaram, segundo o coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Ricardo Pagno, por conta da inflação e do aumento nos gastos com insumos e mão de obra. O reajuste, em relação ao ano passado é de R$ 0,11.
Inicialmente, a Conab havia sugerido o valor de R$ 1,72. Então começaram as negociações.
— As empresas entenderam os aumentos e conseguimos um acordo setorial para estabelecer em R$ 1,80. No primeiro cálculo, a Conab tinha estabelecido o valor em R$ 1,72, mas também acatou — explica Ricardo Pagno, que também é presidente do Sindicato dos Agricultores de Flores da Cunha e Nova Pádua.
O preço mínimo varia conforme a variedade e o grau de maturação. Em média, uvas viníferas nobres como pinot noir, cabernets e merlot serão comercializadas na indústria a R$ 3,20 o quilo. Viníferas brancas como moscato tiveram o preço do quilo avaliado em R$ 2,40 e uvas comuns como a isabel não poderão ser comercializadas a menos de R$ 1,80 o quilo.
Segundo a Conab, a política de preço mínimo é uma ferramenta para diminuir oscilações na renda dos produtores rurais e "assegurar uma remuneração mínima, atuando como balizadora da oferta de alimentos, incentivando ou desestimulando a produção e garantindo a regularidade do abastecimento nacional". O objetivo proteger os viticultores de quedas drásticas no valor de mercado, garantindo a sustentabilidade da produção.


