
A ação de busca e resgate de Roberto Farias Tomaz, jovem de 19 anos que desapareceu na trilha do Pico Paraná durante o feriadão de Ano-Novo, contou com a colaboração de um experiente trilheiro que mora em Farroupilha.
Curitibano de nascimento, Fabio Sieg Martinz mora na Serra há oito anos, desde que passou em um concurso do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). Além da atividade no órgão em Bento Gonçalves, ele também possui um comércio em Farroupilha.
— Estava no recesso do Judiciário e vim para o Paraná passar as festas de fim de ano. Aproveitei o tempo para fazer a trilha e ter um momento de tranquilidade, mas então aconteceu toda essa situação — relata.
Martinz conta que está acostumado a fazer o percurso desde os 17 anos e que a trilha do Pico Paraná não é indicada para iniciantes pela dificuldade do trajeto. Em alguns pontos, é necessário escalar para seguir a viagem.
Ele encontrou Roberto e a amiga na primeira parada da trilha, conhecida como acampamento 1. Segundo Martinz, a dupla aparentava não saber exatamente em que ponto estava, o que indicava inexperiência.
— Nós combinamos de seguir a viagem por volta das 3h da madrugada para chegar no cume e ver o nascer do sol. No caminho, encontramos um casal e seguimos o trajeto juntos. Quando o sol iluminou melhor o caminho, a amiga do Roberto despontou do grupo e seguiu sozinha. Foi aí que o Roberto começou a passar mal.
Perto do cume, o jovem vomitou e apresentou sinais de desidratação. Ele recebeu água e um chocolate do casal que estava seguindo no mesmo trajeto. Essa teria sido a única alimentação de Roberto até ser resgatado.
— Fizemos uma parada para descanso e eu falei para a menina que estava com o Roberto que não se pode deixar pessoas para trás durante as trilhas. Eles começaram o retorno até o acampamento e fiquei com o casal. Em um ponto, a moça que estava com a gente torceu o pé, então descemos mais devagar. Quando chegamos ao acampamento, o Roberto não estava lá.
O resgate
Assim que soube que Roberto não havia retornado, Martinz acionou o resgate dos bombeiros. Até a equipe chegar, ele retornou para a trilha em busca do jovem. Ele tinha esperanças de encontrar Roberto em algum trecho do caminho demarcado.
— Fiquei umas quatro horas procurando ele. Tive que parar porque estava sem água e me deu uma crise de câimbra. Liguei para os bombeiros, expliquei as posições e segui no suporte. A partir do segundo dia me juntei ao pessoal na base da operações para ajudar eles a se guiarem.
A operação contou com cerca de cem bombeiros e mais de 300 voluntários e helicópteros sobrevoando a região. A partir do terceiro dia, Martinz acreditava que Roberto pudesse ter tomado um caminho errado e caído em algum local.
— Me ligaram dizendo que ele tinha aparecido em Antonina e já tinha pessoas indo para lá. Para mim, ele nasceu de novo, o que ele fez foi milagroso, porque caminhar 20 quilômetros e sobreviver na mata é algo fora do normal. A família me agradeceu muito por ter chamado os bombeiros e por ter ajudado nas buscas.
Roberto foi encontrado na última segunda-feira (5), em uma fazenda na região de Antonina. Em entrevista à Rádio Gaúcha, ele contou que acabou seguindo o caminho errado na trilha e se perdeu. Ele foi encaminhado para o Hospital Municipal Dr. Sílvio Bittencourt Linhares, onde recebeu atendimento médico e realizou exames.
Bombeiros de Caxias do Sul auxiliaram nas buscas

No domingo (4) um grupo de cinco integrantes da Força Auxiliar de Bombeiros Voluntários da Rota do Sol chegou ao Pico Paraná para reforçar a equipe de alpinistas durante as buscas. O grupo composto por Joel Troni de Oliveira, Bruno Amaral, Rayke Troni, Erique Brandão e André Klin.
— Nas redes sociais eles pediram auxílio de alpinistas profissionais e credenciados. Nos deslocamos no intuito de ajuda essa família que estava desesperada — explica o comandante Troni.
Conforme ele, o grupo começou a subir a montanha e iniciou as buscas por Roberto. Roupas foram vistas pelo caminho, que poderiam ser do jovem. Os bombeiros de Caxias do Sul levaram quatro horas para chegar ao posto 1.
— A trilha exige das pessoas fisicamente desde que você entra nela. Tem vários pontos de dificuldade, onde precisamos fazer o acesso com cordas.
No outro dia estava previsto o deslocamento até o posto 2, contudo o grupo foi informado que Roberto foi localizado com vida. O grupo retornou à Caxias do Sul no final da tarde desta terça-feira (6).
Recomendações para quem for fazer trilhas
- Nunca vá sozinho, esteja sempre em dupla ou em grupos;
- Conheça previamente o local que irá explorar;
- Leve consigo celulares, rádios comunicadores ou GPS;
- Mantenha comunicação com familiares ou amigos durante o percurso;
- Se possível, faça um treinamento de sobrevivência antes de fazer trilhas.



