
O Zoológico da Universidade de Caxias do Sul (UCS) está com agenda aberta para a nova temporada de visitações gratuitas, que começa neste sábado (10). Em 2025, o primeiro ano cheio da reabertura ao público no pós-pandemia da covid-19 e para revitalização interna, o espaço atraiu 54,2 mil visitantes.
Os passeios ocorrem exclusivamente a partir de agendamento via site, e possuem disponibilidade limitada para dias específicos. Os sábados e domingos à tarde são reservados ao público em geral: foram 51.346 visitações nos fins de semana do ano passado.
Nas terças e nas quintas, manhã e tarde, o Zoo recebe as escolas, que totalizaram 2.912 visitas no período. A iniciativa, denominada Dia Letivo no Zoo, oportuniza que estudantes de instituições da rede municipal e de ensino privado se apropriem de conhecimentos sobre ecologia, meio ambiente e fauna. Esses passeios são guiados por monitores graduandos em Medicina Veterinária na UCS.

O balanço também leva em consideração a não abertura do local quando chove e a suspensão por 30 dias nos atendimentos devido ao episódio de gripe aviária registrado no Estado, no ano passado.
O controle de entrada e saída de pessoas é necessário sobretudo em respeito ao bem-estar dos animais, segundo o coordenador do UCS Zoo e médico veterinário, Leandro do Monte Ribas. Com isso, o estabelecimento estipula um teto de 1 mil agendas por dia nos finais de semana — embora a lotação máxima seja de 1,3 mil pessoas.
— Quando a gente reabriu, os primeiros meses foram bem intensos, até março, abril, com lotação máxima, em que pessoas ficaram sem vaga para entrar. Era uma demanda represada. Hoje há uma média de 500 visitações por dia nos finais de semana. Acredito que agora, nesses meses quentes, a lotação vai chegar perto de mil por dia, especialmente em fevereiro e março — afirma Ribas.
Ele contextualiza que, aos poucos, as pessoas foram se adaptando à necessidade de agendamento, um critério que não era obrigatório antes da pandemia.
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Plantel com mais de cem animais
O UCS Zoo, inaugurado em 1997, reencontrou a comunidade em dezembro de 2024, depois de ficar quase cinco anos fechado. Atualmente, o espaço conta com 112 animais, acolhidos por não terem condições de retornar aos habitats naturais após serem vítimas de situações como caça, atropelamento ou contrabando.
Cerca de 90% deles são pertencentes à fauna silvestre regional da Mata Atlântica. Uma parte das espécies está ameaçada de entrar em extinção, como o gato-maracajá.
O plantel, em sua maioria, é composto por aves, a exemplo de uma gralha-azul macho, apelidado de Gralho, que possui entre 25 e 27 anos e é o morador mais antigo do Zoo, presente desde 2000. Destaque também para os felinos: o maior deles é um puma de quatro anos de idade, que foi doado pelo Zoo de Gramado.
— Nosso zoológico é um centro de conservação de animais. Após avaliações, constatando que não podem retornar à natureza, eles têm o zoológico como refúgio. Então, além da visita, temos como foco a conservação da fauna silvestre. Como banco genético, também podemos trabalhar com a reprodução desses animais preservados — aponta Ribas.
O custo mensal médio para manutenção do espaço e cuidado dos bichos é de R$ 55 mil, conforme o coordenador do Zoo. O local possui 28 recintos para abrigo dos animais — até o momento, seis deles são apadrinhados com R$ 1 mil mensais por empresas. A instituição também aguarda a entrada dos recursos de quatro emedas parlamentares.
A equipe é integrada por um médico veterinário, um biólogo e cinco auxiliares de laboratório, além de três monitores.
Recuperação de animais silvestres
Além do zoológico, a instituição mantém o Núcleo de Acolhimento para Tratamento e Reabilitação de Animais Silvestres da Serra Gaúcha. De acordo com Ribas, no ano passado, 190 animais debilitados foram recebidos e atendidos pelo órgão após resgate por autoridades ambientais.
A partir da reabilitação, 30% deles foram devolvidos à natureza e 25% destinados ao plantel do Zoo. Outros 30% não resistiram e, em torno de 10% dos bichos foram encaminhados para outros estabelecimentos depois de recuperados clinicamente.


