
O estudo sempre fez parte da vida de Ana Carolina Frassini Tessaro, 18 anos. Para além do que aprendia dentro das salas de aula, buscava o extra em casa com apoio dos pais. Esse breve resumo já traz algumas das respostas para ela ter conseguido a nota de 980 — 1000 é o máximo — na redação do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado em novembro de 2025.
Ela fez toda a formação no ensino público. Os primeiros anos foram na Escola Estadual de Ensino Fundamental Ismael Chaves Barcelos, e depois na Escola Estadual de Ensino Médio Galópolis. Ana já esperava uma nota alta na redação. Em 2024, quando realizou o exame como treineira — participante que faz a prova apenas para autoavaliação —, obteve uma nota de 960.
O tema para 2025 foi Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, para o qual a jovem de Caxias do Sul se sentia preparada para desenvolver:
— Na redação busquei ir para o lado dos idosos de baixa renda, que eles não têm a condição financeira de manter práticas que busquem a longevidade, porque muitas vezes eles precisam trabalhar o dia inteiro para sustentar a casa e não possuem renda para praticar, por exemplo, musculação ou outro tipo de exercício — conta Ana Carolina.
Ter repertório é um dos fatores fundamentais que Ana considera para uma boa nota. Na redação, citou, por exemplo, a antropóloga Lilia Schwarcz, com o livro Brasil: uma biografia, escrito em parceria com Heloisa Starling, e o jornalista gaúcho Juremir Machado, autor de A Miséria do Jornalismo Brasileiro. As (In)Certezas da Midia. Ela revela os principais segredos para uma boa nota:
— O primeiro é estudar muito bem a estrutura, ela é a base da redação, e, na minha opinião, o que mais fez diferença é ler, ler de tudo, buscar entender assuntos diversos, estar por dentro das notícias, como está o mundo, ter senso crítico para conseguir estruturar aquilo que pensa dentro do tema — afirma a jovem.
Agora a ansiedade é para o início da graduação. Por mais que tenha feito inscrição com a nota do Enem na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UCSPA) e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), optou por cursar Serviço Social na UCS, em Caxias. Além disso, vai ingressar como estagiária na Secretaria Municipal de Habitação nos próximos dias.
— Quando iniciei no Ensino Médio, tinha a ideia de seguir pela parte do esporte, Educação Física ou Nutrição. Porém, sempre tive comigo um desejo muito grande de trabalhar com algo que eu pudesse auxiliar o público mais vulnerável. E, ano passado, eu fiz um estágio na Central Integrada de Alternativas Penais de Caxias do Sul, e a minha chefe era uma assistente social, e foi ali que percebi que o que queria fazer era o intermédio entre o Estado e quem precisa de auxílio, para que chegue da maneira correta.
E quem está orgulhosa de todo esse processo é a mãe, Susana:
— Ela sempre foi interessada, e isso é algo dela, e nós sempre a admiramos e falávamos: "o pai e mãe foram até aqui, mas tu podes ir muito mais longe". A gravidez dela foi muito difícil, e eu sempre disse que queria que a minha filha fizesse diferença no mundo — revela Susana.

“É muito difícil para alguém conseguir isso”
Quem também está comemorando o resultado do Enem é Thaliandra Gonçalves Pedroso, 18. No Ensino Médio, estudou na Escola Estadual de Ensino Médio Santa Catarina. Biologia era a disciplina favorita desde o Ensino Fundamental, mas sempre gostou de estudar. Para chegar pronto ao exame, realizou um curso online, o Repertório Enem, e conseguiu uma nota de 980.
— Eu havia pesquisado muito, então já tinha uma noção do que seria. Na minha redação eu citei o IBGE, o estatuto do idoso, a constituição federal, que sempre usei nas redações. E o ponto que mais me pegou foi fazer a conclusão, demorei um pouco, mas consegui.

Thaliandra diz que no último ano leu ao menos 10 livros, mas que não parou por aí. Se fazendo valer das tecnologias, sempre pesquisa assuntos na internet para se manter atualizada. Após receber a nota do Enem, já se matriculou no Ensino Superior, e vai cursar Direito na FSG Centro Universitário, em Caxias:
— Sempre fui muito do justo, olho para a justiça e vejo que tem muitas coisas falhas. Meu sonho é ser juíza para poder mudar a justiça no Brasil.
Em casa, o orgulho é grande. Ela será a primeira de seis filhos que irá cursar a faculdade, e vê o apoio dos pais como fundamenta mental em todo o processo de aprendizagem:
— Eu sou a única filha que vai fazer faculdade, meus pais queriam fazer os painéis para colocar na casa porque estão muito orgulhosos, e sempre falam sobre o quão feliz estão de eu estar fazendo faculdade. Sem o apoio dos meus pais não conseguiria.



