
Alimentos livres de agrotóxicos, com baixo custo de produção, cultivados por crianças e mulheres. Essa é a essência do projeto Raízes do Futuro, que a partir de janeiro, irá levar educação ambiental para escolas de Bento Gonçalves e Caxias do Sul e resgatar técnicas tradicionais de produção com agricultoras.
Idealizado pela enóloga e pesquisadora Deise Pelicioli, o projeto terá como foco oito escolas, sendo quatro em cada cidade, além de grupos de produtoras rurais. Tanto as crianças, quanto as agricultoras irão aprender como elaborar e manter hortas biodinâmicas.
A proposta surgiu da experiência de Deise, que conta com 15 anos na agricultura biodinâmica, e os reflexos da chuva e enchente de maio do ano passado. Após o episódio extremo, a pesquisadora se sentiu impelida a colocar em ação práticas que potencializam a sustentabilidade.
— Começou como um projeto para duas escolas de Bento Gonçalves. Eu iria desenvolver as atividades como voluntária. Mas conversando com outras professoras, mais pessoas vieram me procurar. Acabou que criamos uma campanha no site Benfeitoria e arrecadamos mais de R$ 30 mil. Com esse valor ampliamos o escopo do Raízes do Futuro — detalha.
A ideia é que oito hortas sejam desenvolvidas nas escolas. Deise e uma equipe de profissionais irão capacitar os professores e fornecer os materiais necessários para a elaboração das hortas biodinâmicas. Os moradores locais também serão convidados a participar do projeto, proporcionando que toda a comunidade se envolva na produção sustentável. Paralelo às escolas, o grupo irá selecionar agricultoras para passar pelo projeto e adotar as técnicas no cotidiano produtivo.

— Esse projeto é sobre resgatar o contato com a natureza, o cuidado com a terra e trabalhar a educação ambiental com as próximas gerações. Ao envolver as agricultoras, que hoje são quem produzem o alimento, fechamos o ciclo da comida limpa agora e no futuro. As mudanças climáticas não vão parar. Chuvas de granizo, tornados já são uma realidade. Precisamos que as crianças estejam preparadas para o que vem — argumenta.
Entre janeiro e fevereiro, meses mais quentes, as oito escolas participantes e os grupos de agricultoras serão selecionados. Após, quando o clima se torna mais favorável, iniciam as formações e os plantios. As atividades do projeto Raízes do Futuro seguem até maio.
Os interessados em apoiar o projeto podem acessar o site Benfeitoria e contribuir com doações a partir de R$ 10. Conforme o valor escolhido, o doador é presenteado com conteúdos ou experiências criados por Deise.
O que são hortas biodinâmicas
Mais do que espaços de cultivo, as hortas biodinâmicas são consideradas ecossistemas autossuficientes fechados, onde solo, plantas, animais e pessoas interagem em equilíbrio, explica Deise. O cultivo não usa fertilizantes químicos, pesticidas ou organismos geneticamente modificados, o que barateia o processo.
— A maior parte dos fertilizantes utilizados é importado o que os torna caros. Optar por compostos minerais, vegetais e o próprio esterco, estimula a vitalidade das plantas e reduz os custos. A mesma lógica pode ser usada nos materiais da horta, potes de alimentos podem se tornar vasos, por exemplo — explica.
O plantio, cultivo e colheita são baseados por um calendário que segue as fases da lua e as posições dos planetas. A fertilidade da terra é mantida por compostagem, rotação das culturas e a partir da integração dos animais, que produzem o esterco utilizado no enriquecimento do solo.
— É mais do que um método, é uma abordagem para regenerar a terra e criar conexão entre o agricultor e o meio ambiente.




