
O subsídio da prefeitura de Caxias do Sul na tarifa do transporte público dos usuários deve ficar em cerca de R$ 14,4 milhões. Com essa quantia, a previsão é de que haja um aumento de 20% no valor das passagens a partir de 2026, sendo R$ 6,50 (atualmente é R$ 5,45), para quem paga por meio do cartão Caxias Urbano, e R$ 9 (hoje é R$ 7,50), para pagamento em dinheiro. No caso dos distritos, os preços variam entre R$ 12 e R$ 27, dependendo da localidade. O projeto deve ser encaminhado para análise da Câmara de Vereadores ainda nesta semana, mas a sugestão já foi apresentada para os parlamentares na manhã desta quarta (10).
Conforme uma análise técnica do Conselho Municipal de Mobilidade, para manter os valores atuais, o município precisaria subsidiar R$ 35 milhões (leia mais detalhes abaixo). Contudo, conforme explicou o secretário municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMTTM), Elisandro Fiuza, não há condições financeiras para isso.
— A questão da tarifa é muito técnica e não depende do subsídio. Claro, quanto maior o valor, mais possibilidade de ter uma diminuição de tarifa, isso não tem que contestar. Mas, a princípio, nós não vamos conseguir nos adequar em cima deste valor proposto, porque não temos esse encaixe. Vamos trabalhar no percentual que utilizamos do ano passado, com o percentual do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) — explicou Fiuza.
Dessa forma, o valor proposto ficou em R$ 10.250 milhões para subsidiar a tarifa dos usuários do transporte urbano e R$ 4,170 milhões para o interior e população em vulnerabilidade social, totalizando R$ 14.420 milhões — um aumento de 4,49% em relação ao ano de 2025 (que foi o total de R$ 13,8 milhões).
— Esse aporte também vai segurar a manutenção das viagens da linha que atende o interior do município e vamos somar a ampliação de 5 mil quilômetros em viagens diárias, dando um acréscimo de alguma linha que for necessária, mas, principalmente, em horários de pico, para não ter superlotação e melhorar o serviço para o usuário — esclareceu.
O secretário, porém, não quis abrir os valores das tarifas com esse subsídio, no entanto, na manhã desta quarta-feira (10), integrantes da pasta fizeram uma reunião com os vereadores sobre o tema e a parlamentar de oposição Daiane Mello (PL) publicou nas redes sociais os novos possíveis valores (veja abaixo os preços). Fiuza alegou que só poderá confirmar a partir da aprovação do projeto na Câmara.
— Esse é o problema, infelizmente, de alguns fazerem proselitismo político em cima de algo sensível de quem realmente utiliza o transporte coletivo. Nessa hora que somos medidos pela nossas ações. A informação é pública e não teremos receio de divulgar, mas se chegar a mudarem valores de subsídio, muda tudo. Precisamos aprovar o subsídio primeiro, depois ter uma matéria real — disse.
O secretário ainda defendeu que não há como evitar os reajustes, principalmente por questões como a manutenção dos veículos e o preço da gasolina, além do aumento das gratuidades garantidas por lei para idosos, pessoas com deficiência (PCD) comprovadamente carentes e jovens de baixa renda. Porém, ressaltou como a prefeitura está buscando manter um "serviço de qualidade" para o usuário.
— Qualquer aumento que a gente faça para qualquer atividade hoje, as pessoas vão sentir um pouco. Isso é inevitável, infelizmente. O que a gente garante é que o município está fazendo todo o esforço para tentar chegar nesse subsídio para que o transporte coletivo ainda seja um transporte de qualidade para os usuários — frisou.
Quanto deve ficar o valor da tarifa em 2026
Atualmente, os valores das tarifas são: R$ 7,50, para pagamento no embarque em dinheiro; e pelo cartão Caxias Urbano é R$ 5,45 ou R$ 4,45, com compra antecipada nos horários de entrepico. Pelo vale-transporte o valor é R$ 6,80. A partir da aprovação do subsídio, os valores terão um aumento de 20% em média. Confira as novas possíveis tarifas abaixo, caso aprovadas.
Urbano
- Dinheiro: R$ 9
- Vale-transporte: R$ 8,30
- Cartão (pessoa física): R$ 6,50
- Estudante: R$ 4,50
Semiurbano (interior)
- Cartão (pessoa física): R$ 12
- Santa Lúcia do Piaí: R$ 21,80
- Fazenda Souza: R$ 18
- Loreto: R$ 18
- Vila Oliva: R$ 27
- São Jorge da Mulada: R$ 31,50
- Estudante: R$ 9
Como foi feito o cálculo da nova tarifa
Para a definição do reajuste das tarifas, o Conselho Municipal de Mobilidade apresentou, no dia 20 de novembro, uma análise técnica levando em conta diversos pontos que influenciaram diretamente na soma final, sendo eles:
- Diminuição do número de usuários como um todo, mas principalmente os passageiros “pagantes” que caiu 3,37%, enquanto as gratuidades aumentaram em 2,51%. Hoje, 33,8% dos usuários estão isentos de tarifa.
- Remuneração da folha de pagamento da concessionária, que também aumentou, causando um impacto de R$ 0,10 na tarifa técnica.
- Questões envolvendo combustíveis e pneus, que, juntos, têm um percentual de impacto em 70,10%.
- Acréscimo dos 5 mil quilômetros rodados (para horários de pico), equivalente a mais 500 viagens por dia.
- Aumento de mais dois ônibus para atender pessoas com algum tipo de comprometimento de mobilidade, o “Porta a Porta”, resultando em mais de 60 atendimentos por dia.
- Renovação da frota, com a aquisição prevista de 22 ônibus novos.
Com isso, o cálculo final da tarifa técnica ficou em R$ 8,98, com menos R$ 0,25 devido a publicidades e cancelamentos de créditos. O custo fixo por quilômetro representaria em torno de 64,3%, e os custos variáveis em torno de 29,3%, resultando no valor por quilômetro de R$ 12. Na análise, também foram apresentadas três sugestões de subsídios:
- Subsídio de R$ 35,3 milhões para manter a tarifa pública nos patamares atuais.
- Subsídio de R$ 31 milhões para reajustar a tarifa pública, com base no INPC, a R$ 5,70.
- Subsídio de R$ 24,050 milhões para reajustar a tarifa pública em R$ 6,10.
Contudo, conforme o próprio secretário salientou, os R$ 14,4 milhões devem ser o valor final par ao subsídio, de acordo com o possível aos cofres públicos.
— Esse é o valor que teremos neste momento para ter menos impacto possível. Não é o que gostaríamos, mas sabemos que se tiver mais investimento de recursos, o sistema vai melhorando — finalizou Fiuza.




