
Os recentes episódios de granizo no Rio Grande do Sul, a exemplo do que provocou um prejuízo de R$ 6,5 milhões na agricultura do interior de Caxias do Sul, aceleraram a expectativa de municípios da Serra pela implantação do Programa Antigranizo. O objetivo é que o governo do Estado confirme a participação com aporte de recursos para viabilizar o projeto.
A referência para a iniciativa, que surgiu no ano passado e une prefeituras e deputados estaduais, é um sistema em operação em Santa Catarina que diminui de tamanho ou até elimina as pedras de gelo, antes que elas atinjam as plantações, com o uso de iodeto de prata, via geradores (entenda mais abaixo).
A novidade é que uma comitiva de representantes do governo do Estado e de municípios gaúchos fará uma missão técnica em território catarinense para conhecer a modalidade preventiva ao granizo e entender a forma de execução e trâmites administrativos e jurídicos. A previsão é que isso ocorra em janeiro.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS (Seapi) diz que ainda está definindo quais serão as cidades e os dias de visita com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri). O titular adjunto da Seapi, Márcio Madalena, deverá conduzir o grupo na viagem.
No mês passado, deputados estaduais se reuniram com o secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, para dar andamento às conversas com o governo. Com a eventual participação do Piratini, os articuladores do programa pretendem contar com verbas do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis), da Seapi, enquanto a manutenção ficará sob responsabilidade das prefeituras.
O deputado estadual Elton Weber (PSB), que tem base eleitoral em Nova Petrópolis, relata que, nesta semana, foi entregue à Seapi uma lista com 21 municípios interessados em aderir ao projeto. Outra liderança do movimento, o secretário da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Smapa) de Caxias, Rudimar Menegotto, detalha que, com a inclusão de novas cidades (anteriormente, eram 14), o custo de instalação do sistema é estimado em cerca de R$ 20 milhões — sem contar as manutenções anuais.
— O sistema tem uma eficiência que varia de 60% a 90%. O granizo de sexta-feira em Caxias foi de tamanho pequeno, então o sistema consegue ser mais efetivo. Agora, se formar de uma grossura como aconteceu em Erechim, que quebrou vidro de carro, o sistema pode até diminuir o tamanho da pedra, mas não cessar totalmente — explica Menegotto.
Municípios interessados em aderir ao sistema
- Alto Feliz
- Antônio Prado
- Bento Gonçalves
- Campestre da Serra
- Caxias do Sul
- Cotiporã
- Farroupilha
- Flores da Cunha
- Garibaldi
- Ipê
- Monte Belo do Sul
- Nova Pádua
- Nova Roma do Sul
- Pinto Bandeira
- Santa Tereza
- São Marcos
- Veranópolis
- Vale Real
- Feliz
- São Francisco de Paula
- Coronel Pilar
Como funciona a tecnologia
O meteorologista João Luis Walter Rolim, que atua há mais de 30 anos com tecnologias antigranizo em Santa Catarina, explica que o método com geradores consiste, basicamente, na queima de iodeto de prata, o que resulta na diminuição do tamanho das pedras de gelo ainda na atmosfera.
— Em vez de formar gotas grandes, você vai formar um monte de granizo pequeno. Como isso acontece entre seis a oito quilômetros de altura, a partir de três quilômetros e meio de distância o granizo pega temperaturas positivas, se dissolve e cai como água supergelada na superfície ou granizo pequeno. O processo consiste em impedir que o granizo cresça — detalha ele, que é diretor da empresa AGF Antigranizo.
O iodeto de prata é uma substância sólida, de cor amarela, utilizada para a formação de imagens de filmes fotográficos e para a "semeadura" de nuvens, induzindo chuva ou neve.

Ele afirma que a eficiência do sistema é de em torno de 70%. Os geradores são automatizados e acionados a partir de uma central com radar meteorológico uma hora antes da chuva de granizo.
De acordo com o meteorologista, os produtores de maçã catarinenses lideraram o movimento antigranizo na década de 1980 após terem elevados prejuízos nas plantações por conta do fenômeno.
O iodeto de prata pode ser lançado de três maneiras à atmosfera: via foguete, avião ou gerador de solo — método que foi importado de países europeus para SC em 1995.
— O custo é de em torno de R$ 60 mil por cada gerador ao ano. Se você vai usar mais ou menos vezes, depende do ano. Em anos de La Niña se usa com maior frequência, por exemplo. Quem mantém o sistema antigranizo em Santa Catarina é o governo do Estado, as prefeituras e as empresas produtoras de maçã — complementa Rolim, que contabiliza 180 geradores espalhados pela região.
A Secretaria da Agricultura e Pecuária de SC informa que o sistema antigranizo opera em 13 municípios por meio de convênios firmados com a pasta. São eles: Rio das Antas, Fraiburgo, Matos Costa, Timbó Grande, Lebon Régis, Tangará, Macieira, Videira, Ibiam, Arroio Trinta, Caçador, Calmon e Pinheiro Preto. Neste ano, São Joaquim e Bom Jardim da Serra tiveram a parceria autorizada.
O governo de SC divulgou que já foram disponibilizados neste ano R$ 1,7 milhão para sistema antigranizo, e estão em andamento para liberação outros R$ 2,8 milhões.





