
A Fundação de Assistência Social (FAS) confirmou que o Núcleo de Olhar Solidário (NÓS), em Caxias do Sul, permanecerá fechado. A casa de passagem (antiga Carlos Miguel), no bairro Pio X, teve o atendimento suspenso em outubro após o educador social e funcionário David Júnior de Oliveira Alves, 39 anos, ser morto no prédio.
O presidente da FAS, Mauro Trojan, defende que, no momento, não há necessidade de reabertura do estabelecimento. Um dos motivos, segundo ele, é a falta de demanda. Relata, ainda, que um levantamento, realizado nos últimos 30 dias, indica uma média de 40 vagas ociosas nas três casas de passagem ativas no município: PAS-RUA, São Francisco de Assis e o pernoite Bom Samaritano.
Trojan garante que a equipe que trabalhava no NÓS foi realocada para as outras unidades, potencializando o serviço, na avaliação dele. A Associação Mão Amiga, que opera o serviço, esclarece que são 22 funcionários.
Embora não haja a reabertura da casa neste momento, não está descartada nova discussão sobre o assunto futuramente. A chegada do inverno, por exemplo, época em que os serviços de acolhimento aos moradores em situação de rua são mais demandados, pode servir para a reabertura.
A FAS havia se comprometido a apresentar uma resposta sobre a reabertura do NÓS em até 30 dias, durante uma reunião de conciliação no foro trabalhista da cidade, realizada em novembro.
Uma nova sessão, com a Mão Amiga e o Senalba (Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional), está agendada para 11 de dezembro, ocasião em que a decisão deverá ser oficializada.
O presidente da Mão Amiga, frei Jaime Bettega, elogiou a implantação do novo protocolo de segurança nas unidades de acolhimento, que inclui a instalação de câmeras de monitoramento e a contratação de vigilantes. A medida foi tomada após a morte de Alves.
— É um protocolo que protege os usuários e também os funcionários — avalia.
Relembre o caso
- Alves foi visto pela última vez na manhã de 18 de outubro, um sábado, quando trabalhava no Núcleo de Olhar Solidário. Ele estava no horário de intervalo e não retornou às funções, o que chamou a atenção dos colegas e deu início às buscas no estabelecimento.
- O corpo foi encontrado quase 24 horas depois, na manhã do domingo, 19 de outubro, em um banheiro no terceiro andar do prédio. A vítima apresentava um corte profundo na lateral do pescoço e outro na mão.
- Um homem de 37 anos, que pediu desligamento espontâneo do NÓS depois de Alves desaparecer, foi preso em flagrante ainda no domingo pela Guarda Municipal, no bairro Primeiro de Maio, com manchas de sangue na roupa. Ele não teve o nome divulgado.
- No dia 6 de novembro, o suspeito do assassinato foi indiciado por homicídio doloso qualificado, caracterizado por: motivo fútil, em razão de vingança após desentendimento considerado de pequena importância; e meio cruel devido à forma em que a vítima foi morta. O homem segue preso.
- O NÓS foi inaugurado em junho e tem capacidade, segundo divulgado no lançamento, para atender a até cem pessoas em situação de rua. Em substituição à desativada casa de passagem Carlos Miguel, no bairro Fátima, o intuito do espaço é oferecer hospedagem, quatro refeições diárias e acompanhamento técnico de assistência social e psicologia. O núcleo tem como um dos objetivos a reinserção dos atendidos na sociedade, com promoção de atividades socioeducativas e oficinas de capacitação.




