
"Todos os dias pego o ônibus e venho aqui buscar o almoço para mim, minha filha e meus quatro netos. Já faz um ano. Não tenho o que reclamar, a comida é muito boa e as gurias são muito legais." Esse é o relato de uma das moradoras do bairro Mariani, Mara Lúcia Branchi, 64 anos, beneficiada pelas refeições preparadas pelo Restaurante Popular (Repop) de Caxias do Sul. O espaço é administrado pela Associação Mão Amiga, em parceria com a prefeitura, e oferta mais de 1,1 mil refeições diárias, distribuídas em cinco localidades.
Recentemente, o Repop ganhou um novo espaço na Avenida Ruben Bento Alves, 7.715, no prédio da antiga Incubadora Empresarial, no bairro Cinquentenário II. O local é somente para produção e foi cedido pela prefeitura, que também envia R$ 273.475 por mês para compra de insumos e pagamento de funcionários, totalizando pouco mais de R$ 3,2 milhões por ano.
Conforme o fundador do projeto Mão Amiga, frei Jaime Bettega, o Repop já funcionou em diversos locais e, agora, a partir do novo lugar, a ideia é oferecer oficinas voltadas à gastronomia.
— Nós fizemos de tudo para ir para esse lugar. Colocamos uma arquiteta, corremos para fazer tudo no menor custo e no menor prazo e assim termos algo definitivo e que podemos ampliar. A ideia também é dar cursos dentro da área da gastronomia — contou Bettega.
Além disso, a ideia é retomar, futuramente, um espaço de alimentação popular na área central da cidade, segundo o frei. Hoje, o local com refeitório está situado na Casa Bom Samaritano, no bairro Marechal Floriano, com horário de funcionamento das 11h30min às 12h30min.
— É um desejo, principalmente da parte da Segurança Alimentar (da prefeitura). Estamos empenhados em ver um lugar no centro da cidade, mas precisamos ver se a nossa cozinha atual terá condições de preparar todo esse alimento ou se abriríamos uma cozinha solidária. Ainda estamos estruturando a ideia — salientou.
Qualquer pessoa pode buscar o almoço na Casa, embora o público mais frequente seja formado por idosos e pessoas em situação de rua.
A capacidade é de até cem refeições e, antes do atendimento, é solicitado um valor simbólico de R$ 1, uma contribuição opcional. De acordo com a coordenadora do Repop, Indianara Dos Santos Branco, o montante arrecadado é destinado à compra de utensílios de cozinha, materiais de limpeza e outros itens necessários para manter o espaço em funcionamento.
— Aqui oferecemos três opções, como arroz, feijão e salada, além de uma proteína, como frango. Também tem fruta de sobremesa, mas quando é uma ocasião especial, preparamos algum doce. Assim, eles também têm acesso — esclareceu a coordenadora.
Indianara ressaltou como o espaço também oferece a liberdade da pessoa escolher o que comer.
— Mesmo que não sejam eles que se servem, podem escolher o que querem comer, tornando o atendimento ainda mais humanizado — frisou.
Como é a produção e a distribuição
Junto dos alimentos enviados à Casa Bom Samaritano, o Repop atende os bairros Canyon, Campos da Serra, Consolação e Reolon. Para garantirem as refeições nesses locais, os beneficiados passam por avaliação de uma assistente social e recebem um marmitex de acordo com o número de integrantes da família. O único bairro que recebe as porções já definidas é o Campos da Serra, que ainda trabalha com marmitas de isopor.
Referente aos cardápios, eles são montados por uma nutricionista e geralmente, de acordo com o dia, são preparados 150 kg de arroz, cerca de 84 kg de feijão e entre 150 kg e 200 kg de macarrão.
— Hoje, a gente produz 1.120 refeições de segunda a sexta-feira. Temos um cardápio composto por três preparações e atendemos vários bairros da cidade. Cada um com a sua determinada quantidade de porções — explicou Indianara.
Após a produção, os alimentos são colocados em cubas de inox e em caixas protetoras para o transporte. Quando chegam nos pontos de distribuição, cada morador leva a sua marmitex. Nisso, as auxiliares separam as quantidades de acordo com o alimento. Por exemplo, se for para uma pessoa, são 320 gramas. No caso de sete pessoas, são 2,240 kg.
Garantia de segurança alimentar
Um dos bairros com maior demanda é o Reolon, com cerca de 300 refeições diárias. O ponto de entrega é no Núcleo Integrado de Políticas Públicas (NIPP), que conta com duas auxiliares de cozinha, uma auxiliar geral, duas estagiárias e a assistente social, Paula Priscila da Rosa.
— É bem movimentado e, por ser algo diário, criamos um vínculo com quem vem aqui. Mas cada um tem o seu perfil. Ficamos felizes em conseguir ajudar essas pessoas, principalmente garantindo a segurança alimentar — destacou Paula.
Uma das moradoras do bairro beneficiada pelos alimentos é Rejane Prado Fagundes, 62 anos, que garante o almoço e o jantar para ela e o marido.
— A gente está passando por uma situação difícil, então me inscrevi e venho aqui pegar o almoço. A comida é muito boa, não tenho o que reclamar, e ajuda muita gente — contou Rejane.





