
O litoral gaúcho recebeu nos últimos dias os primeiros bombeiros militares que irão atuar na segurança dos banhistas. As ações práticas da Operação Verão Total 2025/2026 começaram em 1º de dezembro e seguem até 15 de abril do ano que vem, mobilizando 930 salva-vidas compostos por civis, policiais e bombeiros militares.
Nesse grupo, estarão 10 integrantes do 5º Batalhão de Bombeiros Militares de Caxias do Sul. A transferência temporária dos profissionais, tradicional no veraneio, exige das corporações planejamento para organizar o efetivo a fim de atender a alta demanda do período.
Conforme o tenente-coronel Márcio Müller Batista, Caxias do Sul conta, atualmente, com 59 bombeiros militares, maior efetivo nos últimos cinco anos. Desde 2020, a corporação caxiense teve incremento de 12 profissionais (veja abaixo os números, ano a ano).
No entanto, o quantitativo ainda é considerado baixo para a demanda de aproximadamente 3,8 mil atendimentos anuais entre pré-hospitalares, combate a incêndios, requerimentos de PPCI, palestras, ações de busca e resgate e suporte às corporações de cidades vizinhas.
— Atendemos mensalmente 20 incêndios residenciais em Caxias. Só no último mês, a região registrou três mortes por afogamento em seis dias. É uma época em que ocorrem muitos casos como esse e muitos acidentes de trânsito, devido às festas de fim de ano. Temos déficit de efetivo, mas todas as ocorrências são atendidas. Para isso, necessitamos de complementação de horas, ou seja, os bombeiros precisam fazer hora extra para conseguirmos manter o serviço ativo — pontua Batista.

Na avaliação do tenente-coronel, a corporação de Caxias precisa incrementar o contingente e atingir de 92 a 102 bombeiros militares. Esse aumento possibilitaria maior agilidade nos atendimentos e o pleno funcionamento dos cinco quartéis na cidade. Hoje, apenas os batalhões do Aeroporto e do Centro mantêm o funcionamento regular. Já os quartéis da Zona Norte, Cruzeiro e Desvio Rizzo passam por um rodízio de dias e de turnos de funcionamento.
A expectativa é de que o efetivo caxiense receba acréscimo no ano que vem. Isso porque dois concursos para novos bombeiros militares estão em andamento. Um deles prevê 400 novas vagas para bombeiros de carreira e, o outro, 540 vagas de bombeiros temporários, que permanecem na corporação por até oito anos. Ao todo, 940 novos profissionais serão integrados ao efetivo do Estado.
— Ao longo do próximo ano esses profissionais serão formados e distribuídos pelas corporações. Não posso afirmar que é certo que Caxias será o destino de alguns deles, mas estamos trabalhando para que isso ocorra. Até porque o nosso batalhão é o segundo do Estado com mais quartéis — argumenta.
Efetivo de Caxias do Sul nos últimos anos:
- 2020 - 44 bombeiros militares
- 2021 - 45 bombeiros militares
- 2022 - 42 bombeiros militares
- 2023 - 56 bombeiros militares
- 2024 - 54 bombeiros militares
- 2025 - 59 bombeiros militares
Bento Gonçalves: 2025 (29 bombeiros militares)
Farroupilha: 2025 (17 bombeiros militares)
Associação questiona quantidade de vagas abertas
Na última semana, a Associação de Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Abergs), encaminhou ao governo do Estado e à Assembleia Legislativa uma carta pontuando as dificuldades enfrentadas pela corporação e solicitando a reestruturação da instituição.
Conforme a Abergs, a National Fire Protection Association (Associação Nacional de Proteção contra Incêndios, em tradução literal), norma técnica internacional seguida pelos bombeiros militares, orienta que a cobertura do território precisa ser proporcional à população.
- Cidades de pequeno porte demandam de 1 a 1,5 bombeiro para cada mil habitantes.
- Cidades de porte médio demandam de 1,5 a 2 bombeiros a cada mil habitantes.
- Cidades de grande porte demandam de 2 a 2,7 bombeiros a cada mil habitantes.
A estimativa da entidade, em termos estaduais, indica que seriam necessários 11 mil bombeiros para atender à população do Rio Grande do Sul. Conforme a regra, em Caxias do Sul pouco mais de 400 bombeiros deveriam estar atuando.
Para o tenente-coronel Márcio Müller Batista, a medida não representa a realidade local, já que é embasada em uma regra adotada em outros países, que possuem contextos diferentes do Rio Grande do Sul e da Serra.
— É uma norma americana, desenhada para a realidade dos Estados Unidos. Em nenhum lugar do Brasil esses parâmetros são aplicados. Em Caxias, nosso efetivo precisaria de 102 bombeiros militares que, segundo os nossos cálculos, seria o ideal para atender à população sem os completos de horas extras.

