
Mesmo com a chuva persistente desde as primeiras horas da manhã, a Praça Dante Alighieri, em Caxias do Sul, voltou a se transformar em um grande espaço de fé e acolhimento nesta quarta-feira (10). As duas tendas cedidas pelo 3º Grupo de Artilharia Antiaérea (3º GAAAe) garantiram abrigo às longas filas de fiéis que buscavam receber a tradicional bênção de Natal dos freis capuchinhos e sacerdotes.
A movimentação começou pouco antes das 9h, com a presença de pessoas de diferentes bairros da cidade, que não se deixaram desanimar pela instabilidade do tempo.
Na missa das 12h da Catedral Diocesana, os freis também participaram da celebração e concederam uma bênção coletiva aos fiéis, reforçando o espírito de acolhida que marca a 22ª edição do evento. A bênção individual na praça segue até as 18h.
Renovação e fortalecimento da fé
Entre os fiéis que chegaram à Praça Dante pela manhã estava Simone Molon, 54 anos, moradora do bairro Diamantino, que se emocionou ao falar sobre a tradição que mantém há cerca de uma década.
— Há 10 anos que eu sempre venho pedir a bênção. E, para mim, significa muito. Estou até emocionada, porque eu tenho muita fé. É um momento de agradecimento também por esse ano de 2025, que foi muito bom para a minha família. Eu saio daqui com a fé renovada e muito grata a Deus — contou.

Simone ainda levou consigo roupas de familiares para serem abençoadas, gesto que costuma repetir todos os anos.
Outra fiel que enfrentou a chuva foi a irmã murialdina Angelina Rogowski, 84 anos, que descreveu com leveza o início do dia:
— A primeira bênção de hoje foi a chuva — disse, entre risos.
Para ela, receber a bênção dos freis às vésperas do Natal carrega uma força espiritual especial.

— A bênção, tomada de um sacerdote, de uma pessoa que tenha esse dom, essa consagração, esse carisma, é sempre gratificante, porque é uma força que parece que vem de cima. Ainda mais nesse momento que antecede o Natal, pois é o momento de meditar sobre a esperança, e a esperança é aquela que nos move.
Um dia de espiritualidade compartilhada
Para os freis capuchinhos e os sacerdotes, viver este momento junto à comunidade também carrega um profundo significado. Conselheiro da Província dos Freis Capuchinhos do RS, o frei Alceu Ferronato destaca que a tradição da bênção na praça se transformou em um marco espiritual para a cidade:
— Para nós capuchinhos é uma alegria mantermos essa tradição de 22 anos. O Natal é um momento forte de espiritualidade e de convivência. A bênção é um sinal de que Deus está presente na vida das pessoas, atento ao sofrimento, às alegrias, às tristezas. Nós, religiosos, somos instrumentos de Deus — afirmou.
Vivendo sua primeira bênção como frei, Matheus Fernandes da Silva, 35, de Canoas, descreveu o momento como uma oportunidade de encontro e reflexão.
— Dar a bênção significa um momento muito especial porque o final do ano é sempre um tempo propício para analisar a vida, os avanços, os desafios, as alegrias. Colocar tudo isso nas mãos de Deus e agradecer o ano que vai sendo concluído. Também é pedir proteção e saúde para o próximo ano. Para mim, que comecei minha caminhada vocacional aqui em Caxias, retornar como frade para dar a benção é muito especial — confidenciou.

Também de Canoas, o frei Rubenil de Castro, 32, relembrou que viveu a experiência em 2019, ainda no período de formação e preparação para a vida religiosa:
— Retornar agora para abençoar as famílias e desejar que possam ter um Natal cheio de paz, amizade e companheirismo é muito significativo — afirmou.
O pároco da Paróquia Imaculada Conceição (Capuchinhos), frei Jaime Bettega, reforçou que o Natal desperta sentimentos profundos e que a bênção simboliza um encontro de almas.

— O Natal é mágico porque a vida é uma magia também. Ele nos convoca para aquilo que existe de melhor: a paz, a serenidade, o perdão, a convivência. Nem todos vão ter presentes de Natal, mas todos podem ter a bênção de Natal. Muitas pessoas esperam este dia para renovar a esperança e confirmar que existe alguém maior olhando por nós — disse Bettega.
Nem todos vão ter presentes de Natal, mas todos podem ter a bênção de Natal.
FREI JAIME BETTEGA
Assim como nos últimos anos, o presépio montado pelos freis capuchinhos voltou a ocupar o centro do chafariz da Praça Dante, integrando a decoração natalina. A instalação relembra os 800 anos do primeiro presépio, criado por São Francisco de Assis em 1223, e se transformou em um ponto de contemplação para quem passa pelo local.
Durante todo o dia, alimentos não perecíveis são arrecadados para entidades assistenciais, como a Pastoral do Pão, a Casa Madre Teresa e o Projeto Mão Amiga. Caixas de doação estão distribuídas pela praça para quem desejar contribuir.



