
Aproximadamente cinco toneladas de fios em desuso foram retiradas de postes em Caxias do Sul desde fevereiro. Segundo a Secretaria Municipal de Gestão Urbana, o número refere-se a ações contínuas realizadas à noite e em mutirões de limpeza que foram retomados em setembro. Para efeito de comparação, a quantidade retirada das ruas da cidade desde o início do ano equivale ao que Farroupilha recolheu somente no mês de novembro — no ano todo, foram 20 mil quilos.
Após reunião com o Ministério Público, articulada pelo promotor Adrio Gelatti, da Promotoria de Justiça Especializada em Habitação e Urbanismo, ficou estabelecido que os mutirões devem ocorrer sempre na segunda terça-feira de cada mês. Em setembro, uma tonelada foi removida no retorno das operações em conjunto com a RGE e empresas de telefonia. Na época, a ação foi realizada na Rua Alfredo Chaves, desde o cruzamento com a Dom José Barea e até a Pinheiro Machado.
Porém, em outubro a ação não foi realizada porque dois caminhões da secretaria estavam estragados. Já em novembro as equipes estavam empenhadas nas ações do Brilha Caxias, o Natal promovido pela prefeitura. Além disso, a Avenida Júlio de Castilhos recebeu atenção especial em virtude da instalação do túnel de LED.
Rodrigo Weber, titular da Gestão Urbana, afirma que os mutirões retornarão em dezembro, no dia 9, em local a ser definido. O secretário também quer ampliar a atuação em parceria com empresas que utilizam as estruturas.
— Estamos marcando uma agenda com o Ministério Público porque Porto Alegre teve um avanço significativo com relação a isso, e queremos avançar, porque as empresas de telefonia e a RGE que são quem locam os postes, se responsabilizem por isso, e a gente dê um prazo para que essa situação comece a se regularizar e não fique uma terra de ninguém — diz Weber.
Gelatti confirmou que a reunião ocorrerá em breve para debater o último mutirão e traçar os novos passos, e que devem abordar um endurecimento das medidas.
Como funcionam as ações pontuais
Segundo Weber, duas equipes da secretaria atuam durante a noite em ações pontuais atendendo chamados abertos via Alô Caxias, no telefone 156, e denúncias de vereadores, por exemplo.
— Se identificamos que tem um pedido e são fios que não oferecem riscos, não colocamos a mão, só vamos naqueles que estão oferecendo algum tipo de risco, algum perigo. Aconteceu na semana passada um caso no início da Moreira, perto da Secretaria de Trânsito, um fio bem baixo, uma motociclista se enroscou, entraram em contato conosco e de imediato retirou — contextualiza o secretário sobre como ocorrem as ações.
E o dispositivo testado?
No final do ano passado, a startup caxiense Fixer Allience, que desenvolveu um dispositivo para organizar fios de telecomunicação em postes de energia elétrica, realizou testes na cidade. A iniciativa ocorreu dentro do SandBox, ambiente regulatório experimental onde empresas e startups podem testar seus produtos, serviços ou modelos de negócios. A tecnologia foi instalada em 18 postes da Rua Os Dezoito do Forte.
Conforme Fabiano Vergani, CEO da Fixer, a empresa avançou em estruturação desde o final de 2024. Assim, a ideia é fornecer um dispositivo que pode ser compartilhado por até seis empresas diferentes e organizar o cabeamento dos postes. Além disso, com um software de gestão, essas companhias podem compartilhem os custos, oferecendo uma economia que pode chegar a 80% na locação do poste. A startup também pode realizar a instalação, organização e gestão de todo o processo.

Ao longo de 2025, Vergani apresentou a Fixer aos potenciais clientes, empresas de telefonia e internet, por exemplo. A expectativa dele é de que parcerias sejam fechadas em 2026 para atuação em Caxias do Sul.
— Esses empreendedores estão avaliando para investirem porque o modelo de negócio é fazer um consórcio entre seis empresas para que elas dividam os custos de hospedagem, de locação, dos cabos, da manutenção. É um pouco sensível o entendimento, apesar de já saberem de tudo, porque eu enquanto plataforma funciono como um operador e que vai fazer a governança, e isso tu não fechas um pedido em um dia ou 15 dias, é um negócio de 6 a 12 meses — explica Vergani.
Vergani também disse que está à disposição da prefeitura com a tecnologia. O secretário Rodrigo Weber informou que já ocorreram reuniões com a startup.





