
Apesar do anúncio da redução do orçamento do Campus em Porto Alegre e Litoral Norte, em cerca de R$ 14 milhões em 2026, a reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marcia Barbosa, reafirmou que os recursos para a implantação do campus em Caxias do Sul estão garantidos. Segundo ela, são "valores separados".
A reitora esclareceu que os R$ 60 milhões para a implantação do campus em Caxias do Sul são garantidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Universidades, anunciado ainda em 2024, e que não foi impactado pelo orçamento do Campus sede. Isso porque são valores de fontes diferentes.
— Essa verba (de R$ 186 milhões) é o orçamento da UFRGS que enviamos ainda em julho, quando nem tínhamos aprovado o Campus da Serra. Esse orçamento é definido por gastos do nosso campus aqui e do Litoral Norte. O valor para o campus de Caxias é um valor separado, que é para as novas unidades, e esse não foi cortado em nada — destacou.
Compra do prédio deve ocorrer em janeiro
Marcia ainda revelou nesta sexta-feira (26) que a garantia dos recursos foi confirmada a ela pelo secretário executivo do Ministério da Educação (MEC), Leandro Barchini, e que a expectativa é que o valor seja liberado pela Caixa Econômica Federal ainda na primeira semana de janeiro. Parte do montante será utilizado para compra do prédio sede em Caxias, que já foi definido como o Edifício Sofia, antiga unidade do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), localizado no cruzamento das ruas Os Dezoito do Forte e Moreira César, no bairro São Pelegrino.
— Só precisam esses procedimentos burocráticos (envolvendo a Caixa Federal) serem executados para liberar o valor e eu poder fazer o pagamento da compra do prédio. Tem que ser na primeira semana de janeiro, tem que ser muito rápido e eu ligo todo dia (cobrando a liberação). Não tem folga para nós, é trabalhar e trabalhar, eu vou atrás disso e vai sair — reforçou a reitora.
Além disso, Marcia busca aumentar esses recursos no decorrer de 2026. Uma das ideias é trazer o ministro da Educação, Camilo Santana, para Caxias durante a Festa da Uva, em fevereiro.
— Por enquanto vão ser R$ 60 milhões, mas eu pretendo expandir isso à medida que mostrarmos o projeto que estamos fazendo. Eu quero convidar o ministro para vir em fevereiro, porque tem a Festa da Uva, para ele visitar as instalações, para ele entender o que a gente está trazendo para cá e ele já aproveitar e se encantar pela região — contou.
Processo seletivo previsto para primeira quinzena de março
Referente aos cursos, os projetos das graduações de Ciência de Dados e Psicologia já foram aprovados pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) para iniciarem as atividades, porém, ainda é preciso organizar o processo seletivo para os futuros alunos.
Conforme já adiantado pela reitora anteriormente, a ideia é não cobrar taxas de inscrições e fazer um modelo que favoreça moradores da Serra, contudo, isso ainda está sendo discutido com Comissão Permanente de Seleção (Coperse) da UFRGS, principalmente se o método de ingresso será pelas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou por uma possível prova.
— Não é muito simples de organizar. Por isso que a Coperse está tentando me dizer que não vai dar para esse ano, pelo menos não fazer um vestibular, e a gente vai ter que usar a nota do Enem. Mas eu ainda estou negociando, até porque vou precisar de escolas para ceder as salas de graça, pessoas que vão ter que elaborar as questões de graça, mas eu sou muito otimista na minha capacidade de fazer as pessoas me darem coisas de graça. A próxima vez vamos conseguir montar um edital, mas agora não deu tempo de fazer a captação necessária — disse Marcia.
Entretanto, a expectativa da reitora é alinhar todas essas questões para que o processo de ingresso seja feito na primeira quinzena de março, para que as aulas iniciem na segunda quinzena de abril de 2026. Junto disso está sendo realizado o chamamento de professores devem trabalhar no campus. Em janeiro, deve ser feito o processo para os técnicos administrativos.
— Já consultamos professores daqui que queiram ir para lá (em Caxias). Também vamos abrir um processo de professores de qualquer parte do Brasil que queiram, porque já tem as vagas de docentes. E em janeiro vamos ter as vagas de técnicos administrativos que já tem um concurso feito e um concurso por fazer, então estamos bem encaminhados nessa parte — reforçou Marcia.
Ainda em novembro, foi anunciada a diretora-geral da unidade, a doutora em Direito Kelly Lissandra Bruch. Também já foi definido que até o fim da implantação do campus, prevista para ser realizada dentro de cinco anos, a instituição deve ter 2,8 mil estudantes matriculados, 140 técnicos administrativos em educação (TAE) para trabalharem nos setores como biblioteca, atenção à saúde e apoio acadêmico e 230 docentes + funções gratificadas.
MEC deve recompor orçamento do Campus sede
Conforme publicado em GZH nesta quinta-feira (25), o orçamento da UFRGS sofreu um corte de cerca de R$ 14 milhões para 2026 após a aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) pelo Congresso no dia 19 de dezembro. Com isso, o valor previsto de R$ 200 milhões, caiu para R$ 186 milhões.
Segundo a reitora, após a repercussão sobre o corte, o Ministério da Educação (MEC) deve recompor os valores.
— Já fiquei sabendo que depois de toda essa tensão, aparentemente o MEC vai recompor o orçamento. Mas é uma tristeza, porque ele vai ter que tirar de outra coisa, porque o orçamento global do Executivo está fechado. Então, ele vai ter que tirar de alguém para dar para a gente. Mas vamos continuar na pressão — comentou Marcia.

