
As visitas ao Parque do Pinheiro Grosso, onde está a maior araucária do Rio Grande do Sul, em Canela, devem ser retomadas em 2026, segundo a prefeitura da cidade da região das Hortênsias. O local foi fechado, segundo o poder público, em função de entraves burocráticos envolvendo uma possível concessão do espaço.
— A empresa selecionada vai ter uma concessão de 30 anos, com direito a cobrança de ingresso, mas isso ainda não tem prazo estipulado para ocorrer. Esperamos que toda documentação possa ser finalizada para que a concessão ocorra em breve e as visitas possam ser retomadas no ano que vem. No momento, o local segue fechado porque estamos em fase final de regularização, fazendo alguns ajustes pra ter licença de operação emitida — explica a bióloga da prefeitura de Canela, Thaís Mumbach.
O Parque do Pinheiro Grosso leva esse nome por conta da árvore centenária e imponente que já foi um atrativo turístico na cidade, recebendo cerca de 13 mil visitantes por ano.
Descoberto em 1975 pelo tenente Edy Saul Pütten, o Pinheiro Grosso foi declarado imune ao corte com o Decreto Estadual 31.277, de 23 de setembro de 1983. O parque de mesmo nome fica na RS-466, conhecida como Estrada do Caracol, e foi criado em 1995, depois que as atividades madeireiras foram encerradas no local. Desde então, toda a região de mata de araucárias ao redor tornou-se uma área de conservação.

Segundo a prefeitura, as informações mais atualizadas sobre a árvore recordista são de 2019. A última medição aponta que o Pinheiro Grosso tem idade estimada em 700 anos, com cerca de 39m de altura, 2,68m de diâmetro e 8,44m de circunferência, o que garante a ele o título de maior araucária do Estado e segunda maior do Brasil — ficando atrás de uma araucária de cerca de mil anos de idade chamada de Pinheirão, em São Joaquim (SC).
— Apesar do que a maioria pensa, o título de maior não vem da altura, mas sim da circunferência. É assim que medimos com precisão e método científico as maiores e mais antigas árvores gigantes, como as araucárias — afirma Jorge Antonio de Farias, engenheiro florestal e pesquisador em manejo florestal da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria).

Ele trabalha junto com o pesquisador e especialista em árvores gigantes da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Marcelo Callegari Scipioni. Ambos catalogaram, no mês passado, a terceira maior araucária do Brasil. A árvore fica em Gramado Xavier, na região central do Rio Grande do Sul, e tem 6,73m de circunferência.
— Depois dessa descoberta recente, estamos recebendo mensagens de moradores do interior do Estado alertando sobre a presença de outras araucárias gigantes, o que pode ser fundamental para a pesquisa e a preservação dessas espécies no futuro. Já recebemos registros de Fontoura Xavier, São Francisco de Paula e São José dos Ausentes — explica Farias.
— Essas árvores gigantes são uma espécie de "âncora" que mantém o ecossistema e a biodiversidade ao redor. Muitas têm mais de 500 anos e ainda dão pinhão. Já foram catalogadas 22 dessa média de tamanho e idade no sul do Brasil, o que pode ser crucial para obter, estudar e reproduzir as sementes delas — explica a bióloga.

