
O campus da Serra da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Caxias do Sul, já tem a direção-geral definida. A doutora em Direito Kelly Lissandra Bruch foi anunciada no cargo durante o Jornal do Almoço em Caxias, nesta segunda-feira (17).
Kelly é professora e pesquisadora com doutorado em Direito pela UFRGS/Université Rennes I e pós-doutorado em Agronegócios. Além disso, é professora adjunta da Faculdade de Direito da UFRGS, onde coordena o Núcleo Docente Estruturante e integra o Programa de Pós-Graduação em Direito e o Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegócios (CEPAN), atuando também como vice-diretora do centro.
Natural de Toledo, no interior do Paraná, Kelly graduou-se em Direito na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e mudou-se para Porto Alegre em 2004 para fazer mestrado em Agronegócio. Foi neste período que teve início a aproximação com a Serra gaúcha, onde trabalhou como professora da graduação de Direito, além de mestrado e doutorado em Biotecnologia e Gestão Vitivinícola, na Universidade de Caxias do Sul (UCS).
A atuação na região também envolve projetos de Denominação de Origem (D.O). Atualmente trabalha na especificação dos Campos de Cima da Serra, em Vacaria.
— Eu trabalhei durante 15 anos no Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) em Bento Gonçalves com a parte das indicações geográficas, as indicações de procedência e denominação de origem. Então, trabalhei nos projetos de Farroupilha, Pinto Bandeira, com Altos Montes, que fica ali em Flores da Cunha e Nova Pádua. E no momento, estou no projeto que é da denominação de origem nos Campos de Cima da Serra — conta Kelly.
Projeto deve iniciar pela Engenharia Mecânica
De acordo com a diretora-geral, as atribuições do cargo no novo campus terão foco administrativo, desde a estruturação da sede e a organização do prédio até o planejamento dos cursos, das ações de divulgação e das atividades operacionais.
Kelly reforça que até o fim da implantação de todos os cursos, prevista para ocorrer em até cinco anos, o campus deve ter 2,8 mil estudantes matriculados, divididos em 400 alunos em duas graduações e 500 nas demais, além de 160 docentes e 140 servidores. Segundo ela, a intenção é que todos os professores e demais trabalhadores residam em Caxias do Sul ou região. O processo deve ocorrer de forma gradual.
— A estratégia de implementação é que todos os docentes sejam do campus. Então, nós vamos fazer por várias formas, como concurso público, remoção e redistribuição. Ou seja, alguém que é docente da sede (em Porto Alegre) e tem interesse em morar em Caxias, pede a redistribuição. E a outra possibilidade é a remoção, que é uma pessoa, por exemplo, que está em uma outra universidade, por exemplo, em Minas Gerais, faz abrirmos essa vaga e ela vem para morar em Caxias — explica.
Sobre a formulação dos projetos acadêmicos de cada graduação, Kelly afirma que os trabalhos estão avançando, com Engenharia Mecânica despontando como o curso mais próximo de iniciar.
— Hoje nós estamos com as comissões para cada um dos cursos sendo oficializadas. Mas nós já temos algumas bem avançadas, como é o caso das engenharias. Então, uma das propostas é que a gente tenha um curso de graduação em engenharia, mais especificamente, a mecânica, já no primeiro semestre — revela.
Ela destaca também a expectativa por cursos de Administração e Pedagogia, por exemplo.
— Acredito que é importante oferecer cursos consolidados, que atendam às necessidades mais prementes da região. A Pedagogia será fundamental para apoiar, por exemplo, professores das redes públicas, municipal e estadual — afirma.
A docente defende também a oferta de cursos de extensão e de especialização para atender muitas das demandas da comunidade.
— Precisamos ter uma universidade aberta, desejamos que as pessoas se sintam parte da UFRGS. Queremos que a Serra participe ativamente da construção deste campus, porque o Campus Serra da UFRGS é da Serra e para a Serra — declara.
"Uma coisa que está puxando a outra"
Demais processos, como a organização do processo seletivo voltado para moradores da Serra, dependem da definição da sede do Campus.
— A gente brinca que é uma coisa que está puxando a outra. Nós precisamos do espaço, precisamos dos cursos para saber como é que vai ser o processo seletivo. Mas está tudo andando. A ideia é ter, principalmente nesse início, processos seletivos localizados. Ou seja, a pessoa precisa fazer a prova em Caxias para poder cursar o curso. Vai ser um vestibular específico para o campus — frisa.
Além disso, a reitora Márcia Barbosa, que estava acompanhando o anúncio da diretora-geral, revelou que o processo seletivo não terá custos para os inscritos.
— Não vai ter nenhuma taxa para se inscrever no vestibular, porque queremos acelerar o processo e abraçarmos o máximo possível da população. Vai gerar um custo para a universidade, mas tudo bem, estamos dispostos a fazer isso — destacou Márcia.
Expectativas para dezembro
Durante a votação da implantação do campus, o parecer da Comissão responsável apontou o antigo prédio de cursos de pós-graduação e especializações do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), localizado no cruzamento das ruas Os Dezoito do Forte e Moreira César, no bairro São Pelegrino, como a melhor opção.
Nesta segunda, a reitora Márcia destacou que estão negociando o prédio, mas a expectativa é que o contrato seja assinado ainda em dezembro.
— Tem todo um processo burocrático, estamos negociando, mas está avançando. A ideia é que até dezembro a gente assine o contrato. Fui até Brasília e pedi para o Ministério da Educação (MEC) liderar as conversas com a Caixa Econômica Federal para acelerar as avaliações — revelou a reitora.
Além disso, Márcia trabalha para que o Ministério da Educação (MEC) agilize o repasse dos R$ 60 milhões previstos para a implantação do projeto.




