
A espera pela balsa sobre o Rio Taquari na RS-431, a alternativa mais curta de ligação entre Santa Tereza e São Valentim do Sul, na Serra, pode ser de até duas horas quando a embarcação não consegue comportar todos os veículos que aguardam enfileirados. O serviço é necessário em virtude da antiga ponte que havia no local ter sido derrubada pela cheia do Rio Taquari em setembro de 2023.
A capacidade da atual balsa, que ameniza o problema de logística desde fevereiro do ano passado, é para 12 automóveis, mas é muito raro não ter um caminhão que, a depender do tamanho, pode tomar o lugar de até quatro veículos leves.
Enquanto aguardam, motoristas especulam se o prazo dado pelo Daer e pela empresa responsável pela construção da ponte será respeitado.
Na placa, instalada em frente ao canteiro de obras, a conclusão da obra da ponte está marcada para o dia 30 de setembro de 2026. E de acordo com o engenheiro Felipe César, da Vereda Engenharia, empresa mineira vencedora da licitação, a obra será concluída até lá.
— Até o final do ano que vem tem que estar tudo pronto e está saindo como planejado. Tivemos o período de demolição e retirada da estrutura existente, que levou um tempo, mas em janeiro terminaremos as perfurações e não precisamos terminar todas para começar os pilares. São nove eixos (conjuntos de pilares), desses tenho liberados dois para a execução. Os blocos já estão prontos e concretados para receber os primeiros pilares na semana que vem — explica César.
Considerada de alta complexidade, a construção da ponte emprega atualmente 40 pessoas e terá ao todo 156 estacas que estão sendo instaladas nas rochas. As perfurações, segundo César, variam de oito a 22 metros, e dentro do rio três novos eixos serão construídos para sustentar a estrutura. Os pilares que hoje aparecem na água não serão utilizados, mas são importantes para auxiliar na construção.
O investimento para reconstruir a ponte, levada pela força da água em setembro de 2023, foi orçado em R$ 31,3 milhões, sendo R$ 24,4 milhões provenientes da União e R$ 6,9 milhões, do governo estadual.
Atraso na logística
A falta da estrutura afeta principalmente a logística de quem mora em cidades como Guaporé e Dois Lajeados, que têm nos municípios vizinhos importantes parceiros comerciais. De São Valentim do Sul, o motorista Ezequiel Batalha, 47 anos, esperava nesta quarta-feira (5) pela balsa enquanto calculava os gastos semanais com a passagem:
— Dá mais de R$ 300 por semana. É um pesadelo. Transportamos blocos e pré-moldados de concreto para Bento, Monte Belo do Sul e Garibaldi, nossos clientes estão todos nessa região. Temos que sair bem antes para compensar a demora pela balsa.
Com cerca de 16 toneladas de madeira carregadas na caçamba, Cristiano Giordani, 48, vinha no sentido contrário, de Dois Lajeados com destino a Caxias do Sul.
— De balsa vai R$ 120 entre ida e volta, mas o pior é esperar, já fiquei três horas na fila. Eu confio que saia até no ano que vem, nosso trajeto era bem ligeiro com a ponte, e pela BR-470 é muito morro, nunca nem fui por lá — comenta Giordani.
Rodovia tem pontos críticos e de mão única

Não é só a ausência da ponte que causa transtornos para quem circula pela RS-431. No trecho de Bento Gonçalves a partir da localidade de Linha Alcântara são diversos buracos.
A situação fica mais crítica a cerca de quatro quilômetros da balsa e em locais onde a cheia do Rio Taquari alcançou. Em um dos pontos (veja na foto) a falta de pavimentação restringe o trânsito a apenas uma pista. O local está sinalizado.
De acordo com o DAER, responsável pela manutenção da rodovia uma empresa já foi contratada para realizar os reparos e o projeto de execução está sendo desenvolvido por ela.
A obra, de acordo com o órgão, deve iniciar entre o final deste ano e o início de 2026.

