O ex-presidente da Associação dos Universitários de Nova Petrópolis (AUNP) Hiago Michael Polese, 21 anos juntamente com uma ex-auxiliar administrativa da entidade e um advogado foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A ação ocorre por integrarem uma associação criminosa que teria desviado mais de R$ 500 mil da AUNP entre 2021 e 2025. Os valores deveriam ser utilizados para subsidiar o transporte de estudantes universitários em uma parceria público-privada com a prefeitura.
Segundo a denúncia, o ex-presidente da AUNP, que assumiu gradualmente funções estratégicas e operacionais na entidade, utilizou empresas próprias e plataformas digitais para simular serviços e justificar transferências indevidas. Hiago segue preso desde quando foi capturado em setembro, no Paraná.
A ex-auxiliar administrativa, contratada por Hiago e com acesso às contas da associação, foi acusada pelo MP por falsificar comprovantes e colaborar em saques sem cartão. Já o advogado foi acusado de ocultar Polese após a expedição de mandado de prisão, além de emitir recibos falsos para justificar serviços não prestados.
A denúncia foi realizada pela promotora de Justiça Ana Flávia Rezende, que também destacou que os réus agiram de "forma articulada e reiterada, com uso de documentos falsos, adulteração de planilhas e criação de empresas de fachada para encobrir os desvios".
— O ex-presidente denunciado criou uma estrutura criminosa voltada à dilapidação do patrimônio da associação, que é uma entidade privada, sem fins lucrativos, responsável por fornecer transporte para estudantes de Nova Petrópolis que precisam se deslocar para outras cidades — afirmou.
A reportagem tenta contato com a defesa dos investigados para contraponto.
Relembre o caso
A operação policial que apurou o caso, batizada de “Rota Desviada”, foi deflagrada no 11 de setembro, quando foi decretada a prisão do Polese.
O trabalho foi resultado de um inquérito que apura irregularidades na gestão da AUNP, entidade responsável por administrar uma parceria público privada com a prefeitura de Nova Petrópolis, para subsidiar o transporte de estudantes universitários.
Modus operandi
A fraude veio à tona após uma fiscalização de rotina realizada pelo gestor de parcerias da prefeitura, que identificou falhas na contabilidade da associação, como saldo inicial incompatível e ausência de depósitos referentes à contrapartida da entidade.
De acordo com os dados apurados pela polícia, o desvio funcionava da seguinte maneira:
- O dinheiro envolvido no esquema vinha das mensalidades pagas pelos estudantes associados à AUNP;
- Os valores eram inicialmente depositados na conta de arrecadação da associação;
- Antes que os recursos fossem transferidos para a conta específica da parceria público-privada, que é monitorada pelo poder público, os valores eram desviados;
- O montante era sistematicamente redirecionado para fins não autorizados, sem passar pelo controle previsto na parceria com a Prefeitura.




