
O ouro segue sendo sinônimo de valor, mas também de oportunidade. O comércio de compra e reciclagem de joias usadas vem ganhando força e atraindo um público diverso, formado tanto por quem busca dinheiro imediato quanto por quem quer se desfazer de peças antigas ou danificadas. Em Caxias do Sul, empresas especializadas como a Gold&Silver e a Compro Ouro Caxias movimentam este mercado com processos de avaliação precisos e pagamentos feitos na hora.
A Gold&Silver, que tem filial no Shopping Prataviera, integra uma rede com 21 lojas no sul do país. Conforme Carina Bivonessi, responsável pelo marketing da empresa, o negócio é voltado à compra e reciclagem de joias em qualquer estado de conservação — quebradas, amassadas, faltando peças ou mesmo incompletas.
Além de joias como alianças e correntes, a loja compra itens de prata, platina, ouro dental, pratarias de cozinha, moedas, relógios e barras. Tudo é avaliado gratuitamente e na frente do cliente, com balanças certificadas pelo Inmetro.
O processo é técnico: uma pequena raspagem é feita na peça, e uma gota de ácido nítrico indica o teor de pureza (quilate). Com base na cotação diária do ouro e da prata, é feita a oferta.
— O cliente decide na hora se quer vender ou não. O pagamento é imediato, sem burocracia — explica Carina.

Todas as peças adquiridas são encaminhadas para a indústria parceira, onde o metal é fundido e transformado em novas joias.
— Ecologicamente é perfeito. Isso reduz o garimpo e a exploração de recursos naturais. O ouro retorna para o mercado em forma de novas peças — afirma.
Por questões de segurança, a empresa não divulga o nome da indústria que faz a reciclagem. O atendimento, segundo ela, é feito apenas a maiores de 18 anos, com privacidade e segurança, em lojas localizadas em shoppings e galerias.
Carina também observa que o público em Caxias do Sul e região é bastante variado:
— No interior, o pessoal tem muitas alianças, pulseiras e até ouro dental. Já em regiões mais ligadas ao agronegócio aparecem correntes mais pesadas e até barras de ouro trazidas do Exterior — comenta.
O ouro como reserva e refúgio financeiro
Na Compro Ouro Caxias, localizada no Centro, o foco é exclusivo na compra de ouro. O proprietário Bruno Fernandes, com mais de 30 anos de experiência no ramo, explica que trabalha com todos os tipos de peças, sempre com base na cotação do dia.
— Eu testo na Pedra de Toque (material usado para testar ligas de metais preciosos). Trabalho em cima da cotação, mas como sou um comprador, preciso revender, então há um ajuste de preço — explica.
Fernandes lembra que o ouro sempre foi um ativo de reserva de valor, e que muitas pessoas recorrem à venda em momentos de aperto financeiro.

— A pessoa compra ouro porque é luxo e dá prazer. Mas quando vende, é por necessidade. O ser humano precisa de dinheiro — resume.
Segundo ele, os meses de fevereiro e março são os de maior movimento.
— Depois do Carnaval, quando o povo volta da praia, começam as contas: IPTU, IPVA, material escolar, cartão de crédito. Aí vem vender — conta o comerciante, que revende o metal adquirido para ourives locais.
Motivações e perfis
O perfil de quem vende varia conforme a faixa etária e o momento de vida. Fernandes observa que a maioria dos clientes são mulheres de mais idade, enquanto os mais jovens costumam se interessar por prata, e não por ouro.
Carina, por sua vez, destaca duas motivações principais: necessidade financeira e desapego emocional.
— Muitas pessoas se desfazem de joias que perderam o valor sentimental. Outras querem dinheiro rápido. É uma forma segura e imediata de ter recursos no bolso — explica.
Ela ressalta que o movimento tem crescido ano a ano.
— As pessoas estão menos apegadas ao ouro guardado e mais abertas à ideia de transformar o que têm em algo novo, seja em dinheiro ou em novas joias. O mercado está em expansão e a tendência é continuar crescendo — avalia.




