
Com o tema Como a Inteligência Artificial Potencializa os Negócios da Serra, a 11ª edição do Encontro de Gigantes, promovida pela Gaúcha Serra, ocorreu na manhã desta quarta-feira (12), no Conexo, o hub de inovação da Randoncorp, em Caxias do Sul.
Por mais de duas horas, debateram o assunto o médico e diretor-presidente da Unimed Serra, André Leite, o head de dados e IA na Processor Soluções e pós-doutor com estudos em modelos discriminativos e generativos, Pedro Bocchese, e o gerente de inovação sênior na DB - empresa de design, construção e sustentação de produtos digitais -, José Masiero. A mediação foi do comunicador da Gaúcha Serra e colunista do jornal Pioneiro e GZH, Alessandro Valim.
Leite considera a IA como uma ferramenta importante para automação, agilidade e segurança. Na Unimed Serra, o gestor garante que a tecnologia já é realidade, como na elaboração de prontuários, na aquisição de imagens e no suporte a laudos e diagnósticos, mas pondera a necessidade de manter processos qualificados e equipes humanas capacitadas para ter sucesso.
O médico aconselha que as empresas tenham um banco de dados estruturado para tomar decisões assertivas junto da inteligência.
— Organizem seus bancos de dados, o dado é dinheiro. A partir de dados estruturados, podemos tomar decisões assertivas. A IA entra nesse jogo para dar agilidade, para nos trazer uma diversidade de conhecimento que o ser humano, mesmo com a sua capacidade, tem dificuldade pelo volume de informações que entra. A utilização da IA para modelos preditivos, para predizer que um paciente entrará numa infecção generalizada seis horas antes do que o humano é capaz, faz muita diferença — reflete.
Os painelistas também diferenciaram a IA generativa, como ChatGPT, que cria conteúdos com base em padrões aprendidos, da IA que é sustentada por dados para analisar e tomar decisões.
Bocchese acredita que estamos no início de uma linha do tempo de desenvolvimento da IA. Em meio a uma capacidade possível de inteligência, hoje, relacionada a agentes, multiagentes e RPA (Automação Robótica de Processos), o especialista afirma que as companhias ainda utilizam a tecnologia "às sombras", em setores específicos, e que "não confiam nos próprios dados".
Segundo Bocchese, as empresas não conseguem, até o momento, quantificar o retorno financeiro dos investimentos em IA:
— Temos uma capacidade de processamento pós-2015 para uso de computadores e supercomputadores para altos processamentos. Mas ainda estamos dentro da "bolha da inteligência artificial": O que é gasto hoje, globalmente, não está sendo pago. As empresas não conseguem olhar o retorno sobre o investimento. Se até dezembro de 2026 não for visto o lucro, irá estourar a bolha e vamos voltar uns passos atrás.
Masiero defende que não é possível automatizar completamente os processos das empresas com IA e assegura que os sistemas vão precisar por muito tempo do ser humano "checando as respostas".
— Se a IA no contexto médico erra 1% das vezes, não é aceitável, porque isso pode ocasionar a morte de alguém. Então o senso crítico e o conhecimento de um médico julgando aquele resultado é muito importante. Nas empresas, em alguns casos, tu podes ter uma assertividade da IA em 70%, 60%. Porque tu vais tratar isso com o julgamento humano que vai conferir aquela resposta e dar o aceite ou não. E mais, tu ainda vais ter um processo de segurança para que esses outros 30% de erro sejam possíveis minimizar — argumenta.
Em setembro, a edição anterior do Encontro de Gigantes apontou caminhos para elevar o turismo da Serra, em Bento Gonçalves. Relembre como foi.





