
Foi em uma competição municipal, na adolescência, que a professora Ruana Schneider, 35 anos, descobriu o amor pelos números. O encantamento — que segue até hoje — é levado para dentro das salas de aula, na Serra, e foi ingrediente fundamental para ela ter ganho a medalha de ouro na 2ª Olimpíada de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMbr).
A olímpiada reuniu 1,2 mil professores de todo o Brasil. Ruana ficou entre os 20 que receberem o reconhecimento máximo — ela também foi a única da região Sul premiada com medalha de ouro. Dividida em três etapas, a seleção avaliou as práticas e o engajamento dos professores em sala de aula, justamente um dos pontos fortes de Ruana.
Desde 2019, ela leciona no campus de Farroupilha do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). Na instituição, a professora está à frente de um programa gratuito com estudantes da rede pública que desejam ampliar o conhecimento em matemática.
Os encontros são quinzenais e, nesta edição, reúnem cerca de 50 alunos interessados em aprofundar os conteúdos como geometria, aritmética e álgebra. Para a professora, o impacto gerado na comunidade local foi essencial para receber o reconhecimento.
— O foco da olimpíada é identificar professores que fazem alguma diferença na sua instituição ou na sua região. E, no total, contando todos os anos, cerca de 300 alunos já participaram deste programa — explica Ruana, acrescentando:
— Eu quero muito que eles gostem da matemática, é quase uma pregação (risos). Porque eu acho tudo tão lindo, eu quero que eles vejam como é lindo também. Desejo que se apaixonem e sigam carreira, seja acadêmica ou técnica, mas que eles gostem desta ciência — diz.
Além de descrever práticas que ajudam a melhorar a educação brasileira e o ensino da matemática em sala de aula, os professores participantes da olimpíada também foram avaliados por meio de uma prova online e uma entrevista com um comitê acadêmico. No Rio Grande do Sul, dois docentes foram premiados com medalhas de prata e outros três com bronze.
Viagem à China

Em maio de 2026, os medalhistas de ouro da OPMbr participarão de uma imersão de 15 dias em Xangai, na China, para conhecer o sistema educacional e as metodologias de ensino de matemática do país.
— Eu estou bem ansiosa, já baixei aplicativos para estudar mandarim e estou fazendo contatos com uma colega que está fazendo doutorado lá. Quero tirar o máximo que eu puder dessa experiência — afirma a professora de Farroupilha.
Competições na adolescência
Natural de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, Ruana conta que foram disputas municipais e estaduais de matemática que abriram os olhos (e o coração dela) para o universo dos cálculos.
Na sétima série, em 2004, ela conquistou o primeiro lugar em uma competição municipal — o topo do pódio ainda deu direito a um computador entregue pela prefeitura.
Já no ano seguinte, em 2005, Ruana teve a chance de conhecer a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a partir da conquista da medalha de prata em uma olimpíada regional.
— Quem organizava a cerimônia eram os alunos de licenciatura e eu achei tudo aquilo maravilhoso, o máximo. E decidi, naquele momento, que eu queria ser professora de matemática — relembra.
Anos depois, ela se graduou e fez o mestrado na instituição catarinense antes de se mudar para o Rio Grande do Sul.


