
"Vai ter UFRGS na Serra gaúcha, sim". Foi dessa forma que a reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Márcia Barbosa, celebrou a aprovação do Conselho Universitário (Consun), na manhã desta sexta-feira (31). No entanto, ainda há muitos detalhes que envolvem o início das atividades em 2026, principalmente sobre questões envolvendo a parte orçamentária.
Para Márcia, a aprovação da implantação traz uma oportunidade para a instituição fazer novos projetos pedagógicos dos oito cursos anunciados:
— É muito difícil criar novos projetos em uma universidade que já está estruturada, mas, (para) essa que vai começar novinha em folha, nós podemos pegar o que tem de excelência em conhecimento em termos de projeto pedagógico e construir a partir de lá — destaca.
A partir de agora, serão formalizadas as comissões responsáveis pela construção das propostas de cada curso. Nos próximos dias será publicada a portaria, mas os membros já estão trabalhando nos bastidores. A ideia, segundo a reitora, é iniciar pelo menos um dos cursos no primeiro semestre de 2026.
Outro ponto ressaltado pela reitora foi a construção do projeto ouvindo a comunidade da Serra, como a sugestão de turnos únicos das aulas de graduação:
— É uma universidade que vai ser construída a partir da demanda da comunidade. Entendemos que os cursos têm que ser em turno único, a gente entendeu que vai estar atendendo um aluno e uma aluna trabalhadora e trabalhadora, e esta construção será feita nesse coletivo e nesse plural, sem jamais tirar o olhar da nossa sede — diz.
Referente aos receios sobre questões orçamentárias, que foram citadas em quase todas as manifestações dos participantes do Consun durante a votação, Márcia salientou que vão pleitear mais recursos com o governo Federal, em especial para compra do prédio que será a sede do campus. A sugestão aprovada no Consun foi o antigo prédio da FSG:
— Nós vamos ainda fazer negociação com o governo federal. O que ele dá no começo são R$ 60 milhões, a gente vai partir disso, e agora parte-se para um processo que já vem andando, mas que ainda é secreto: "qual será o lugar que vamos ocupar na cidade de Caxias?". Ainda estamos fazendo negociações, mas qualquer dia desses vai aparecer uma placa escrita UFRGS em algum prédio, mas a gente não quer adiantar, porque é bom ter um segredinho de vez em quando — enfatiza.
Além desse prédio, a reitora frisou que estão buscando outras opções para a extensão na Serra:
— Estamos com várias outras conversas. Eu aprendi, apesar de não ser da região, que as pessoas da Serra gaúcha são empresários e empresárias muito bons negociadores. Se preparem, que a "pelo-duro" aqui vai ir para o campo. Para o campo da negociação — brinca Márcia.
Para o vice-reitor, Pedro Costa, a implantação é uma conquista histórica para a região, mas que a instituição segue com o foco em resolver os problemas da sede:
— É um dia histórico. É uma proposta que pode trazer muitos benefícios para a universidade em termos de melhorar a condição de captação orçamentária para dar conta dos problemas que a gente sabe que tem aqui, que nunca se negou, que eles estão sendo enfrentados — acrescenta Pedro.
O que já foi definido
- A verba de R$ 60 milhões para aquisição do prédio, obras e equipamentos, mas o MEC já se comprometeu a enviar mais recursos.
- O prédio apontado para a sede foi antigo prédio de cursos de pós-graduação e especializações do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), localizado no cruzamento das ruas Os Dezoito do Forte e Moreira César, no bairro São Pelegrino. Entretanto, ainda não iniciaram as negociações e ainda avaliam outros locais na cidade.
- Os cursos que serão ofertados até o momento são: Administração, Engenharia Agrícola, Engenharia de Produção Mecânica, Engenharia de Materiais e Manufatura, Ciência de Dados e Pedagogia, além de Psicologia e Artes Cênicas.
- Até o fim da implantação de todos os cursos, o campus deve ter 2,8 mil estudantes matriculados, divididos em 400 alunos em duas graduações e 500 nas demais, além de 160 docentes e 140 servidores. Além disso, a reitora Márcia Barbosa frisou a parceria com as empresas para aulas mais práticas.
- As previsões de início das atividades são para o primeiro semestre de 2026.




