
Foi a vocação de fazer o bem pelas pessoas que levou o caxiense David Júnior de Oliveira Alves, de 39 anos, a aceitar o emprego de educador social no Núcleo de Olhar Solidário (Nós), no bairro Pio X, onde foi morto no sábado (17) por um morador em situação de rua. O corpo dele foi encontrado em um dos cômodos na manhã de domingo (18), com um corte profundo na lateral do pescoço e na mão.
No sábado, Alves cumpria, no espaço, um plantão de 12h de trabalho (neste dia sua escala foi das 7h às 19h). Ele era contratado pela Associação Mão Amiga e, no Núcleo sob responsabilidade da Fundação de Assistência Social (Fas), realizava palestras e exercia contato direto com os acolhidos para que buscassem uma mudança de vida.
O Nós foi inaugurado em junho e tem capacidade para atender a até cem pessoas. O espaço oferece hospedagem, quatro refeições diárias e acompanhamento técnico de assistência social e psicologia. Com atividades socioeducativas e oficinas de capacitação, o Núcleo tem como um dos objetivos a reinserção dos atendidos na sociedade.
— Ele queria muito trabalhar lá, gostava muito de ajudar as pessoas. Era do bem, trabalhador, estudioso e sempre apaziguador — diz a cunhada, Elen Barreto, 43.
O trabalho, realizado à tarde, era um dos desempenhados por Alves, que, no contraturno, também era funcionário de uma empresa de monitoramento. O ofício no Nós foi recomendado pelo amigo Maurício Dias, também educador social na Casa Bom Samaritano, no bairro Marechal Floriano.
— Ele trabalhava desde abril no Nós e tinha o perfil de acreditar na mudança das pessoas. O conhecia há mais de 10 anos, trabalhamos em projetos socias e sabia que ele faria a diferença. O serviço que ele fazia era diferenciado, o ambiente é hostil e oferece riscos. Os acolhidos podem ser instáveis — conta Dias.
Morador do bairro Vila Verde, Alves deixa três irmãos e a esposa, Ciana Alves. Ele é velado na sala C das Capelas São Francisco, em Caxias. O sepultamento está marcado para as 16h no cemitério Bom Pastor, em Santa Corona.
Suspeito foi preso
Com o início das investigações, a equipe da Delegacia de Polícia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (Dphpp) identificou um suspeito pelo crime que seria um morador em situação de rua que estava acolhido no Núcleo de Olhar Solidário. Ele teria pedido desligamento do espaço logo após o desaparecimento de David, no início da tarde de sábado. Na sequência, com a informação da identidade do suspeito, a equipe da Guarda Municipal o localizou no bairro Primeiro de Maio com possíveis manchas de sangue nas roupas.
O homem, de acordo com a polícia, tem antecedentes por crimes de roubo, estelionato e receptação, e foi preso em flagrante por homicídio doloso e encaminhado para o sistema prisional. Segundo a polícia, o suspeito não tinha um bom relacionamento com a vítima e isso pode ter sido uma das causas do crime.




