
O que te preocupa hoje? Foi com essa provocação que a palestrante Katiane Boschetti, pedagoga pós-graduada em Neurociência e Comportamento, abriu um momento de reflexão com os estudantes do primeiro ano do ensino médio do Colégio São José. A atividade, realizada na manhã desta terça-feira (16), integra uma séria de ações que a escola tem promovido em alusão ao Setembro Amarelo.
Contudo, diferente de outras iniciativas, que focam no suicídio, a escola adotou uma abordagem preventiva. O centro da discussão é a valorização da vida e o preparo de crianças e adolescentes para reconhecer gatilhos, saber quando pedir ajuda e com quem buscar o suporte.
— Nós temos casos de estudantes com ansiedade e sinais de depressão. Não apenas entre os maiores, mas com alunos mais novos também. Então, esse projeto vêm justamente para falar do cuidado com a vida a partir de sinais que podem ser identificados e instrumentos para lidar com eles — explica a diretora Ieda Tomazini.
A influência das redes sociais, o hábito de se comparar, pressão para lidar com provas e vestibular, relacionamentos amorosos ou familiares foram alguns dos exemplos abordados por Katiane. Todos, conforme ela, são gatilhos que podem desencadear ansiedade, ataques de pânico ou, em casos mais graves, levar ao adoecimento mental de jovens e adolescentes.
— É importante lembrar que a pandemia trouxe esse isolamento, essa sensação de estar só e impulsionou as conexões superficiais, aquelas que a gente mantém no formato online. Por isso, é importante que os adolescentes saibam reconhecer quem faz parte da rede de apoio deles, com eles podem, verdadeiramente, contar — detalha Katiane.
A atividade desenvolvida com os estudantes do primeiro ano do Ensino Médio focou em dois pontos essenciais: identificar as situações que podem despertar sentimentos ruins e refletir sobre quem são as pessoas de confiança que os jovens podem procurar em momentos de crise - e aqui não se limita aos pais, mas à rede escolar como um todo, com professores e orientadores educacionais.
Ainda, Katiane apresentou aos alunos estratégias que ajudam a manter o bem-estar no dia a dia, como interagir com animais de estimação, ouvir uma música agradável e integrar a natureza com o cotidiano.
Inserção do tema no cotidiano escolar
Além do estudantes dos ensinos fundamental e médio, há ações programadas para famílias e professores do Colégio São José. A ideia, segundo a orientadora educacional Patrícia Calgaro, é fortalecer o cuidado com a saúde mental na comunidade escolar como um todo, fazendo dos adultos mais conscientes a atentos aos sinais dos alunos, assim como consigo mesmos.
— Devido à grande incidência de casos de ansiedade, a gente vê que muitas mãos precisam estar envolvidas nesse processo. A escola propõe essa capacitação que se estende às famílias e professores, porque entendemos que cuidar da saúde mental é uma responsabilidade coletiva — analisa Patrícia.

A decisão de trazer o tema para dentro da escola, não apenas durante setembro, mas todo ano, foi uma quebra de silêncio, já que os temas suicídio e sentimentos pessoais eram tratados como tabu, conta a diretora Ieda.
— A gente nota que, às vezes, os pais não se dão conta da importância de tratar esses assuntos com os filhos, de ter essa conexão com eles. Mas é essencial que os pais entendam as situações que deixam os filhos desconfortáveis em relação a eles mesmos, em relação à vida. Esse é o passo primordial para reconhecer os sinais de não-vida que podem chegar a fatos que a gente sabe que acontecem.




