
Momento aguardado por muitas famílias, a escolha da escola dos filhos deve ser feita com planejamento. Por isso, é preciso que a pesquisa sobre as instituições ocorra com antecedência, preferencialmente no semestre anterior ao novo ano letivo. Para especialistas, além da localização e da infraestrutura, é preciso observar aspectos como a proposta de ensino, os princípios, a qualificação dos professores e o acolhimento dos alunos.
Em Caxias do Sul, as instituições públicas ainda não divulgaram os calendários de matrícula e rematrícula para 2026. Na rede privada, os processos estão abertos na maior parte das escolas pesquisadas pela reportagem, com possibilidade de agendamento de visitas pelos sites ou mensagens de texto.
Para a coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Cristiane Backes Welter, a visita é, inclusive, o primeiro passo que deve ser dado pelos pais no momento de escolher uma instituição de ensino ou fazer a transferência do estudante.
— É uma das coisas mais significativas, porque, assim, além de conhecer o ambiente, os pais conseguem identificar todos os benefícios. Outro aspecto é visualizar onde esta escola está ancorada, qual a filosofia dela, se é uma instituição com aspectos mais voltados ao campo, ao meio ambiente, à tecnologia, aos esportes, por exemplo — opina Cristiane.
A diretora da área pedagógica do Sindicato do Ensino Privado do RS (Sinepe/RS), irmã Celassi Dalpiaz, lembra que as famílias também devem levar em consideração o projeto pedagógico da instituição, sempre considerando as necessidades e o perfil da criança.
— É necessário inteirar-se da metodologia, saber como a escola entende o processo de aprendizagem e de avaliação, se há valorização do pensamento crítico, da criatividade e da autonomia dos estudantes. Existe um programa socioemocional? Há um programa bilíngue? Outro ponto essencial é o acolhimento, especialmente nos primeiros anos. Uma boa escola precisa estar em sintonia com a família, garantindo uma parceria sólida para o desenvolvimento integral do estudante — aponta Celassi.
Localização, estrutura e mensalidade
Aspectos práticos como a localização e a segurança no entorno também precisam estar na pauta dos pais. Para além do deslocamento diário, a distância é capaz de facilitar ou dificultar a comunicação com a equipe escolar, na opinião de Cristiane.
— Quando é perto de casa, as famílias acabam tendo mais tempo de ir lá, sentar, conversar. Faz a diferença. Agora, se eu moro em uma ponta da cidade e meu filho está matriculado em outra, preciso ter a consciência que vou ter que fazer esse movimento se caso ele adoecer ou precisar buscá-lo em outro horário — enfatiza a professora da UCS.
Em caso de instituições privadas, o orçamento familiar não pode ser ignorado. A mensalidade, para Celassi, precisa ser compatível com o ganho dos pais ou responsáveis. Ao contrário, segundo Cristiane, os estudantes podem sofrer impactos emocionais.
— Qualquer atraso, pode gerar uma instabilidade financeira que vai afetar a segurança dessa família. Às vezes, a gente acha que isso é do mundo adulto, que as crianças não vão sentir. Mas qualquer instabilidade, ansiedade, elas sentem, sim. Por isso, precisamos ser muito francos e manter uma comunicação aberta com nossos filhos — orienta a coordenadora do curso de Pedagogia da UCS.
Outra aspecto que merece atenção redobrada desde o princípio é a estrutura, visto que a criança ou o adolescente passará muitas horas no ambiente escolar. A diretora da área pedagógica Sinepe/RS elenca alguns aspectos que devem ser observados nas visitas:
— A infraestrutura é segura, limpa e adequada para cada faixa etária? Há espaços para brincar, praticar esportes, artes, tecnologia e momentos de convivência? — questiona Celassi.
Devo levar em conta a opinião do meu filho?
As especialistas são unânimes na resposta: sim — mas depende! Não se trata de deixar a decisão para a criança ou o adolescente, mas, sim, de engajá-los no processo de escolha da escola. O nível de envolvimento dependerá da faixa etária do estudante, segundo Celassi:
— Quanto menor a criança, mais a decisão cabe aos pais; quanto maior, mais ela precisa participar. Mesmo quando não decide, a criança deve ser ouvida, porque sentir-se respeitada desde cedo fortalece confiança e pertencimento. A escola precisa ser vista como uma escolha partilhada, não apenas imposta.
Para ajudar os pais, a diretora do Sinepe/RS separou orientações por faixa etária. Confira:
- Anos iniciais do fundamental (seis a 10 anos): vale muito escutar. Nessa fase, a criança já consegue dizer se se sentiu bem, se gostou do pátio, dos colegas e dos professores que conheceu. Não é uma escolha racional ainda, mas o emocional dela conta muito para uma boa adaptação.
- Anos finais do fundamental e ensino médio (11 anos em diante):
aqui a participação é essencial. O estudante já tem clareza de preferências, interesses (idiomas, esportes, tecnologia, artes) e começa a pensar no futuro. Nessa idade, não envolver os estudantes na decisão pode gerar resistência.
Como bônus, para Cristiane, um processo de escolha respeitoso e inclusivo garantirá que o estudante se sinta mais seguro e valorizado.
Conheça o buscador de escolas desenvolvido por GZH
Para apoiar pais e responsáveis no momento de rematrícula, GZH desenvolveu o Guia da Escola 2025, que chega com novidades. Entre setembro e janeiro, uma série de reportagens será publicada com orientações, análises e dicas práticas para auxiliar na seleção.
O projeto também oferece um buscador de escolas de todo o Rio Grande do Sul com informações como endereço, telefone e etapa de ensino. Os dados têm como base o Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A ferramenta permite filtrar os estabelecimentos por cidade, bairro, tipo e nível de ensino, contemplando a Educação Infantil e os Ensinos Fundamental, Médio, Profissional e de Jovens e Adultos nas redes federal, estadual, municipal e privada.
Serviço
- O quê: matrículas e rematrículas para o ano letivo de 2026.
- Rede pública: os processos devem abrir em breve e serão divulgados pela prefeitura de Caxias do Sul e pelo governo do Estado. As vagas para escolas municipais e estaduais estarão à disposição na Central de Matrículas, localizada na Rua Ernesto Alves, nº 1535.
- Rede privada: cada escola tem o próprio calendário. A maior parte das instituições pesquisadas pela reportagem está aberta ao agendamento de visitas.


