
O preço do ingresso para visitar os cânions em Cambará do Sul aumentou novamente. De R$ 102 passou para R$ 107 no início de setembro. Os parques nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral estão sob concessão da Urbia Cânions Verdes. A empresa justifica que o reajuste é baseado na inflação, conforme previsto no contrato. Contudo, o ICMBio afirma que a concessionária não é impedida de cobrar menos pelos tíquetes.
O aumento aconteceu um ano depois da empresa ter pedido o fechamento dos parques por conta da queda no número de visitantes. Até por conta disso, uma das atrações turísticas, a tirolesa, foi retirada. Os locais abrigam os cânions Itaimbezinho e Fortaleza, além da Trilha do Rio do Boi.
O pedido de fechamento foi negado por uma câmara de arbitragem, e conforme o ICMBio e a Urbia, a análise para um reequilíbrio segue em andamento.
Na época do pedido, o governador Eduardo Leite havia prometido também mediar uma solução. Em nota, a Secretaria de Turismo do Estado afirma que segue à disposição para colaborar na construção de soluções. Além disso, lembra que são investidos R$ 36,5 milhões para pavimentação da RS-427, principal via de ligação para o parque.
Em fevereiro deste ano, foi revelado que o público caiu 41% desde que os parques foram concedidos à iniciativa privada, em 2022. Um ano antes, o público havia chegado a 257 mil visitantes. No ano passado, foi de 104 mil pessoas.
Reajuste é do teto máximo, diz ICMBio
Em nota enviada, a assessoria do ICMBio explicou que o contrato segue a metodologia Price Cap, em que o poder concedente define o valor máximo que o ingresso pode ser cobrado. O acordo prevê um reajuste anual. Segundo o instituto, a atualização neste ano, observando o IPCA/IBGE, foi de R$ 101,66 para R$ 107.
"A concessionária pode praticar preços inferiores ao teto conforme demanda, sazonalidade, promoções ou pacotes, sendo vedado ultrapassar o valor máximo contratual", diz trecho da nota.
O ICMBio também afirma que incentiva práticas que ampliem o acesso e cumpre a fiscalização das obrigações de qualidade e atendimento previstas.
O órgão também foi questionado sobre a execução do contrato da concessão. O ICMBio diz que relatórios mais recentes apontam cumprimento de parte das obrigações e a necessidade de atenção em relação ao atendimento ao visitante, infraestrutura, monitoramento e educação ambiental. Segundo o instituto, foram definidos planos de ação e prazos para correção, observando a decisão da câmara arbitral emergencial. Não foi detalhado quais são essas correções (confira a nota na íntegra ao fim da reportagem).
O que diz a Urbia
Também por meio de nota, a Urbia explica apenas que o reajuste praticado no início de setembro "correspondeu meramente à correção pelo IPCA".
A empresa voltou a justificar que existem entraves que não possibilitam a "materialização" do projeto de concessão, mesmo que uma revisão do Plano de Manejo tenha sido publicada pelo ICMBio:
"Dentre os principais destes entraves podem ser citados a falta de regularização fundiária de grandes áreas das Unidades de Conservação, a existência de espécies invasoras (gado e javalis) e a falta de acessos pavimentados aos Parques".
Segundo a nota, no caso das rodovias, as obras na ERS-427, que dá acesso ao Cânion Itaimbezinho, estão em andamento. Elas são de responsabilidade do Daer. Além disso, foram praticamente concluídas as obras de pavimentação da estrada municipal CS-012, que dá acesso ao Cânion Fortaleza.
A Urbia diz que investiu mais de R$ 37 milhões em infraestrutura e na manutenção dos parques desde que assumiu a concessão. A nota na íntegra também pode ser conferida abaixo.
ICMBIO
"O Contrato de Concessão nº 1/2021, firmado com a concessionária Urbia Cânions Verdes, tem por objeto a revitalização, modernização, operação, manutenção e gestão de áreas de uso público nos Parques Nacionais de Aparados da Serra (Núcleos Itaimbezinho e Rio do Boi) e Serra Geral (Núcleo Fortaleza).
Em relação ao valor dos ingressos, o contrato adota a metodologia Price Cap, pela qual o Poder Concedente define apenas o valor máximo (teto) do ingresso. A concessionária pode praticar preços inferiores ao teto conforme demanda, sazonalidade, promoções ou pacotes, sendo vedado ultrapassar o valor máximo contratual.
O contrato prevê o reajuste anual do valor máximo do ingresso. A atualização anual observa o IPCA/IBGE. Em agosto de 2025, o valor máximo do Price Cap foi atualizado de R$ 101,66 para R$ 107,00. Trata-se de atualização automática e contratual do teto, não de aumento discricionário determinado pelo ICMBio, o que não impede a concessionária de cobrar valores inferiores.
Quanto à implementação do contrato, é importante considerar que houve Arbitragem de Emergência em 2024, que suspendeu temporariamente a exigibilidade de determinados investimentos obrigatórios. O procedimento arbitral principal para análise de pleitos de reequilíbrio permanece em curso. Não há decisão que determine redução do teto tarifário; eventuais ajustes decorrerão apenas de decisão arbitral no processo em andamento.
Reforça-se que o ICMBio não fixa o preço efetivamente cobrado ao visitante, apenas o teto. Políticas de preço (promoções, modulações por temporada etc.) são de competência da concessionária, desde que respeitem o teto e as demais regras do contrato. O Instituto incentiva práticas que ampliem o acesso e cumpre a fiscalização das obrigações de qualidade e atendimento previstas.
Sobre a avaliação institucional da execução do contrato, relatórios mais recentes do ICMBio apontam cumprimento de parte das obrigações e a necessidade de atenção em relação ao atendimento ao visitante, infraestrutura, monitoramento e educação ambiental. Foram estabelecidos planos de ação e prazos para correção, sempre observando a decisão da câmara arbitral emergencial. Aspectos econômico-financeiros da concessionária foram formalmente registrados e permanecem sob monitoramento no foro adequado (processos de reequilíbrio/arbitragem)".
URBIA
"A Urbia, concessionária de serviços de apoio à visitação dos Parques Nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral, reforça que o pleito de reequilíbrio do contrato de concessão segue em discussão na Câmara de Mediação e Arbitragem. Esclarece que o reajuste praticado no início de setembro correspondeu meramente à correção pelo IPCA, conforme previsto no contrato de Concessão. A Urbia destaca também que, apesar de ter sido publicada uma nova e importante revisão do Plano de Manejo pelo ICMBio, ainda restam pendentes de solução os entraves que impossibilitaram a materialização do projeto de Concessão, bem como de seus efeitos até o momento. Dentre os principais destes entraves podem ser citados a falta de regularização fundiária de grandes áreas das Unidades de Conservação, a existência de espécies invasoras (gado e javalis) e a falta de acessos pavimentados aos Parques. Neste último quesito, estão em andamento as obras em execução pelo DAER/RS na ERS-427, que dá acesso ao Cânion Itaimbezinho, e foram praticamente concluídas as obras de pavimentação da estrada municipal CS-012, que dá acesso ao Cânion Fortaleza. A Urbia enfatiza que desde que assumiu, em 2021, a Concessionária já investiu mais de R$ 37 milhões em infraestrutura e manutenção das áreas de visitação de ambos Parques e que continuará trabalhando na promoção de espaços qualificados para promoção de lazer, turismo e conexão com a natureza".
Estado
"A Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul esclarece que, por se tratar de uma concessão federal, a gestão dos parques da Serra Geral e dos Aparados da Serra não está sob responsabilidade direta do Estado. Ainda assim, o governo estadual permanece à disposição de forma permanente para colaborar na construção de soluções que beneficiem a população, ampliem o fluxo turístico e fortaleçam o desenvolvimento regional.
Ciente do potencial turístico do local, reconhecido internacionalmente, o Estado está investindo em infraestrutura para garantir melhores condições de acesso e experiência aos visitantes. Com um investimento de R$ 36,5 milhões, oriundos do Tesouro do Estado, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) executa a pavimentação da ERS-427, principal via de chegada ao Parque Nacional de Aparados da Serra, obra que representa um avanço estratégico para consolidar a região como um dos destinos mais relevantes do Brasil".


