
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tornou pública, no fim de agosto, nova restrição ao Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, de Caxias do Sul. De caráter provisório, a medida limita o número de operações semanais no terminal. Em contrapartida, a Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMTTM) afirma que as demandas para atender a decisão estão em andamento e que o decreto não traz impactos ao atendimentos dos voos.
A direção do Hugo Cantergiani diz também que os apontamentos surgem após a elevação do terminal para Categoria II (de aeroportos que tiveram média de mais de 200 mil passageiros nos últimos três anos). A partir do avanço, no ano passado, a agência fez pedidos para novas melhorias, como forma de adequação ao nível alcançado.
Conforme a Anac, em publicação de 27 de agosto no Diário Oficial da União (DOU), as operações ficaram limitadas a 42 movimentos semanais (cada pouso e cada decolagem contam como um movimento cada). Segundo a agência reguladora, a medida foi "aplicada devido à constatação de não conformidades no âmbito de segurança da aviação civil contra interferência de atos ilícitos (Avsec), que, por razões de segurança operacional, são de caráter restrito". A Anac não detalha quais são os apontamentos.
A medida é provisória e não tem prazo determinado, sendo mantida até que as regularizações aconteçam, segundo a agência.
Esta não é a primeira vez que o Hugo Cantergiani recebe apontamentos da Anac e sofre restrições. Entre o fim de 2023 e o início do ano passado, houve uma limitação nas operações do terminal caxiense por demandas como o recapeamento da pista, a instalação do sistema Papi (Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão) e apontamentos na Seção de Combate a Incêndios (SCI).
Essas situações já foram solucionadas, tanto que, no ano passado, quando estavam em andamento, a Anac retirou a restrição. A obra na pista, com investimento de R$ 7 milhões, e a instalação do Papi foram concluídas neste ano.

Demandas estão em andamento, diz secretário
A gestão do aeroporto atualmente é da Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMTTM). O titular da pasta, Elisandro Fiuza, afirma que a medida não impacta na rotina do aeroporto. São três voos diários atualmente para São Paulo (dois com destino à capital paulista e um para Campinas).
Ao mesmo tempo, o secretário diz que o terminal está em constante comunicação com a Anac para a resolução das demandas.
De acordo com Fiuza, seis dos pedidos são administrativos e estão em andamento. Em relação à melhorias na estrutura, há pedidos para adequações como nos muros do terminal:
— Uma delas é o ponto de muros que precisamos organizar. Tem uma metragem específica de botar algumas serpentinas, a reparação de alguns muros que começamos a fazer também, que está em execução. Então, quer dizer, são trabalhos grandes que nós estamos fazendo eles conforme as nossas condições, tanto orçamentária como também de pessoas.
Outros pedidos são de capacitações para os funcionários e uma estrutura com cobertura para facilitar fiscalizações de voos particulares no terminal.
Como detalha o diretor do aeroporto caxiense, Cleberson Babetzki, as demandas são bastante técnicas. As melhorias solicitadas, segundo Babetzki, também são naturais pela elevação de categoria do aeroporto.
Elas também não impactam nos modelos de aeronave que Caxias pode receber, que atualmente são de cerca de 180 passageiros.
No momento, o aeroporto caxiense aguarda uma resposta da Infraero sobre assumir a gestão do terminal caxiense. Ao mesmo tempo, trabalha no projeto de ampliação do prédio de passageiros.
— Estamos aguardando também a questão do interesse que tem a Infraero de poder assumir o aeroporto ou não. Estamos aguardando uma resposta. Acredito que até o final de outubro teremos isso. Mas estamos trabalhando concomitantemente na mesma proposta (da ampliação), para evoluir, crescer, fazer com que o nosso aeroporto seja ampliado e que mais a malha viária possa também crescer — destacou Fiuza.




