
Cotada como um projeto que pode mudar a realidade do turismo nos Campos de Cima da Serra, a Rota Caminhos da Neve ainda aguarda a conclusão no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Com cerca de 468 quilômetros, o caminho turístico nasceu com o objetivo de ligar e encurtar as distâncias entre Florianópolis (SC) e Gramado (RS). O principal entrave é o trecho de 50 quilômetros entre Bom Jesus (RS) e São Joaquim (SC) que segue sem asfalto.
A rota envolve 12 cidades catarinenses e 10 gaúchas, utilizando as rodovias BR-438 e BR-486. O roteiro reúne as cidades com incidência de neve e que também proporcionam experiências com o ecoturismo. Com a nova ligação, a distância entre Gramado e Florianópolis pode ser reduzida em 100 quilômetros.
Segundo um estudo solicitado pelo Conselho de Turismo de Bom Jesus à Infra S.A., existe uma projeção de que a via poderia chegar a ter um tráfego de quase 25 mil veículos por dia até 2035. Para isso, contudo, o trecho precisa ser pavimentado.
De acordo com a assessoria da Infra S.A., as projeções, inclusive, devem ser atualizadas. Em parceria com o Ministério dos Transportes, o Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) está em desenvolvimento.
Além disso, também conduz o Plano Estadual de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul (Pelt/RS), que reunirá informações estratégicas sobre os empreendimentos federais e estaduais com maior impacto no sistema de transportes do Estado. A conclusão do Pelt/RS está prevista para o final de 2025.
RS tem maior parte do trecho inacabado
Para a conclusão do trecho, o lado gaúcho é o que tem a maior extensão, com 40 quilômetros. Do lado catarinense, faltam 10 quilômetros para a conclusão dos trabalhos. No RS, não há previsão para a conclusão e muito menos quando os trabalhos podem sair.
Para GZH, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) afirmou que o primeiro passo é o governo estadual manifestar oficialmente interesse em transferir a estrada para a administração federal.
Já o Rio Grande do Sul confirmou que já iniciou o processo, enviando estudos de viabilidade e documentação ao Dnit e ao Ministério dos Transportes. A expectativa, porém, é que o trâmite para federalização e posterior repasse de verbas ainda leve algum tempo.
Em Santa Catarina, conforme a assessoria da Secretaria da Infraestrutura e Mobilidade (Sie), o trecho final de 10,4 quilômetros, em São Joaquim, está com o projeto em fase de análise de orçamento pelo Exército. Uma resposta deve ser enviada à pasta em breve.
Conforme a pasta, se o orçamento for aprovado, Estado e Exército firmam o convênio e as obras podem iniciar.
Inclusão no Novo PAC é buscada
Integrante do Conselho Municipal de Turismo de Bom Jesus e coordenador de grupo que apoia o projeto, o empresário Jaziel de Aguiar Pereira afirma que a alternativa encontrada para a obra sair do papel é o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
A inclusão do projeto por meio do Novo PAC foi solicitada por senadores a partir de uma moção e também foi feito um pedido pela Secretaria de Planejamento do RS, no início de julho. Pereira afirma que uma ação também foi realizada junto ao Ministério do Turismo. Contatada, a Casa Civil da União não se manifestou.
A primeira lei da rota é estadual e foi sancionada em 2018 pelo então governador José Ivo Sartori (MDB). Depois, em 2023, uma lei federal foi sancionada com justamente o objetivo do roteiro turístico receber apoio de programas federais. Porém, conforme Pereira, que coordena um grupo de apoio a Caminhos da Neve, o projeto é uma reivindicação das comunidades gaúchas e catarinenses pelo menos desde os anos 1990.
Impacto milionário e benefício para outros setores
O impacto do turismo, segundo Pereira, é calculado em R$ 200 milhões anuais. Além disso, a projeção é de uma movimentação inicial de 2 mil a 2,5 mil veículos por dia. Os valores, obviamente, seriam divididos entre os destinos do roteiro turístico.
O empresário menciona o benefício da criação de uma rota alternativa para o escoamento de produtos da Serra. Da mesma forma, Pereira acredita que poderia também ser um caminho para o recebimento de matéria-prima.
— Nós temos o caso da maçã, da madeira e da pecuária. Então são vários itens que teriam economia de distância, por exemplo, para exportar — descreve o integrante do conselho de turismo.
Cidades que fazem parte da rota
Em Santa Catarina:
- Anitápolis
- Alfredo Wagner
- Bocaina do Sul
- Bom Jardim da Serra
- Bom Retiro
- Lages
- Painel
- Rancho Queimado
- Rio Rufino
- São Joaquim
- Urubici
- Urupema
No Rio Grande do Sul:
- Bom Jesus
- Cambará do Sul
- Canela
- Gramado
- Jaquirana
- Monte Alegre dos Campos
- Nova Petrópolis
- São Francisco de Paula
- São José dos Ausentes
- Vacaria



