
Nem só de hotelaria, comércio e atendimento ao turista vive uma das cidades mais visitadas do país. No interior de Gramado, agroindústrias familiares produzem queijos, geleias e embutidos. No bairro Várzea Grande, um dos mais industriais do município, fábricas produzem móveis e colchões, que abastecem restaurantes e hotéis.
A cidade que em 2023 bateu o recorde de visitantes, com 8 milhões de turistas em um ano, nem sempre foi assim. As raízes no meio rural criavam demandas como as que foram supridas pela atual SG Facas que surgiu, há mais de cem anos, para produzir ferramentas agrícolas.
Foi o avô de Maira Burtett que deu início à fábrica localizada no bairro Serra Grande, que inclusive empresta as iniciais ao nome fantasia da empresa. O pai incrementou a fabricação de facas e ela e o irmão incorporaram o comércio na área central.
— A fábrica é retirada do centro e o turista se perdia, quando conseguimos uma sala e viemos para o centro o aluguel era R$ 5 mil, hoje estamos na Avenida Borges e o aluguel é de R$ 49 mil, não é qualquer produto que se mantém.
A grife de Gramado é levada atualmente para todo o Brasil. São cerca de 70 pessoas empregadas na produção, capacidade de produzir 450 facas por dia e que abastecem franquias espalhadas por estados como Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso e Goiás.
— Meu irmão começou a vender franquias porque o pessoal vem para Gramado e quer uma loja igual no seu estado — conta Maira.

Parte do nome de Gramado está também na fábrica de colchões Gram Vida localizada no bairro Várzea Grande e que foi instalada por um turista que se tornou morador. O empresário Leandro de Sá Araújo encontrou na indústria uma forma de manter na cidade onde passava férias todos os anos:
— Deu vontade de vir para morar e precisava investir em alguma coisa, a princípio seria em imóveis de aluguel de temporada, mas surgiu a oportunidade de comprar uma empresa de Sapiranga e trouxemos para cá. Quando se fala em Gramado tudo é qualidade, e realmente é.
Com grandes contratos que já forneceram até 1,5 mil unidades para redes de hotéis. A única empresa que fabrica colchões na cidade tem capacidade de fabricar de 35 a 40 unidades por dia e emprega, segundo o diretor de fábrica, Diego Velausen, cerca de 18 funcionários:
— Temos algumas barreiras, a mão de obra tem que ser mais competitiva, o turismo paga bem e precisamos valorizar nosso trabalhador, mas como morador de Gramado acho excelente termos outros segmentos porque não ficamos presos a apenas a um.

Indústria moveleira já representou 80% da arrecadação de impostos
Quando os móveis eram o principal produto feito em Gramado sua produção representava, segundo o Sindicato das Indústrias do Mobiliário da Região das Hortênsias (Sindmobil), 80% da arrecadação de impostos. Mas na época, entre as décadas de 1980 e 1990, o município recebia cerca de 300 mil pessoas por ano.
A ascensão do turismo, no entanto, criou novas demandas, e as fábricas seguem presentes no município. Tocada por pai, mãe e dois irmãos no bairro Várzea Grande, a Móveis Frizzo está há 30 anos no mercado e fabrica mesas e cadeiras.
— São nove funcionários e o mais novo deve ter 15 anos de empresa, a maioria começou com a gente. Começamos no porão de casa e sempre tivemos muito trabalho, e sempre por indicação. O boca a boca e a fama da qualidade que o móvel de Gramado tem nunca nos deixaram sem serviço — conta a proprietária Martires Cardoso Hoffman.

Iogurte para a merenda
Na Linha Marcondes, interior do município, são cinco agroindústrias que produzem queijos, sucos, extrato de tomate e patês. Entre elas, a Laticínio Ruppenthal, que utiliza 80% da produção leiteira de 55 vacas para a fabricação de doce de leite, queijo e o iogurte que chega às escolas municipais.
— Fornecemos a maioria para a prefeitura e um pouco para os hotéis. Tem ainda o comércio em mercados e na Expointer, que é sempre muito importante para nós. O nome da cidade nos dá um marketing, parece que o cliente até respeita um pouco mais quando diz que é de Gramado — conta a proprietária Romaica Olbermann Ruppenthal.

Produtos à disposição
Em uma sala comercial na entrada da cidade, pela Avenida das Hortênsias, um lojista, entusiasta dos produtos fabricados por lá, criou em 2014 o marketplace Feito em Gramado. O site reúne os principais produtos do município e em 2014 ganhou ponto fixo.
São em sua maioria tapetes, artesanatos e vinhos vendidos para quem quer levar um pouco da cidade para casa.
— Não dava conta de vender. O consumidor reconhece a qualidade do que é feito em Gramado. A proximidade com o fornecedor de couro, em Lindolfo Collor, incentivou a produção dos tapetes na cidade e nos fez famosos por isso. Era pouca concorrência, e mesmo que não fosse feito aqui, virou um produto de Gramado.
Realizada pela Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Econômico, a feira Feito em Gramado ocorre junto da Festa da Colônia e irá, em 2026, para a 14ª edição. No ano que vem, deverá ocorrer de 30 de abril a 17 de maio, nos pavilhões do Expogramado.




