
No final de maio desse ano o morador de Vacaria, Joel de Almeida, de 48 anos, sofreu um infarto. Afastado do trabalho, ele precisava passar por perícia médica e validar o estado de saúde que o incapacitava de retornar às atividades profissionais. Em julho ele procurou a agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para agendar a consulta com o único médico perito que atua na cidade.
Contudo, Almeida foi informado que o atendimento em Vacaria estava com alta demanda e que a perícia só poderia ser feita em novembro. A alternativa para agilizar o tempo de espera até a avaliação médica era agendar a consulta em Caxias do Sul ou Passo Fundo.
— Consegui a perícia para agosto. Como não conseguiria dirigir, fui até Passo Fundo com o pessoal da Secretaria de Saúde da cidade. Foram umas três horas de viagem para ir e outras três para voltar. Mas deu tudo certo, consegui fazer a consulta e encaminhei todos os documentos no INSS para o meu afastamento — conta.
O relato de Almeida se junta a de outros moradores de Vacaria que têm enfrentado dificuldades em agendar perícias na agência da cidade. Segundo o presidente do Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Vacaria e Muitos Capões, Sérgio Poletto, diversos relatos chegam à entidade regularmente. Grande parte diz respeito ao longo tempo de espera para perícias médicas.

— A situação é complicada. Só tem um perito na cidade que nem sempre consegue atender todos os moradores. O pessoal acaba indo para outras cidades para ter esse atendimento, mas gera transtorno porque as opções, Caxias ou Passo Fundo, são longes. Os moradores precisam arcar com deslocamento, com alimentação, até dormir nas cidades, se for preciso — conta Poletto.
Dados do Ministério da Previdência Social indicam que o tempo médio de espera para uma perícia em Vacaria é de 69 dias. Período acima da média nacional, que é de 60 dias, segundo o governo federal. Para dar fluxo aos atendimentos, o Ministério anunciou, no fim de julho, a nomeação de um segundo profissional para a cidade. A expectativa é ele comece os atendimento em setembro e com isso, reduza o tempo de espera para 35 dias.
Outra cidade beneficiada com a chegada de um novo profissional é Farroupilha. Atualmente apenas um perito realiza as consultas na cidade pelo INSS. O tempo médio de espera no município é de 54 dias. O profissional também deverá começar os atendimentos no próximo mês, reduzindo o tempo de espera para 25 dias.
Panorama regional
Dados do Ministério da Previdência Social indicam que cidades da Serra com maior porte contam com número maior de peritos para atender a demanda. Em Caxias do Sul, são oito profissionais atuando na agência do INSS. No entanto, o tempo de espera é de 63 dias.
Em Bento Gonçalves são cinco médicos peritos e tempo médio de espera para a perícia de 27 dias. Cidades de menor porte, como Canela e Garibaldi estão com média de 30 a 35 dias de tempo de espera para atendimentos.
Na avaliação do Secretário Executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal, o Sul e a Serra Gaúcha, estão bem estruturados em termos de infraestrutura e corpo profissional para atender a população.

— Se formos comparar com a região Nordeste, por exemplo, o Sul tem o mesmo número de peritos, mas uma população muito menor. São cerca de 30 milhões habitantes entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para 60 milhões entre os Estados do Nordeste. Então essa estrutura que se vê na Serra, precisava de ajustes, como foram feitos em Farroupilha e Vacaria, mas funciona — argumenta.
Conforme o Secretário Executivo, o número de perícias reduziu em quase 70% nos últimos anos dois anos. Isso porque o INSS tem expandido o sistema Atestmed, que permite aos trabalhadores requerer benefícios de forma online.
— As perícias presenciais são feitas em casos específicos, como solicitação de aposentadoria por invalidez, solicitação de auxílio-acidente, quando é necessário fazer reavaliações periódicas exigidas por lei. Mas afastamentos temporários e caso simples têm se resolvido pelo sistema digital, o que por si só, representa uma celeridade expressiva no tempo de espera — avalia.
Telemedicina como alternativa para agências sem peritos
Desde março do ano passado, o INSS passou a implementar outro serviço digital para atender à população que mora em cidades sem peritos ou com poucos profissionais: a telemedicina. E é justamente essa opção que poderá ser implementada na agência de Carlos Barbosa.
O espaço, localizado no bairro Ponte Seca, está desde a inauguração, em 2013, sem peritos para atender a população. Os moradores são direcionados para as consultas em Garibaldi, que segundo Portal é uma distância semelhante “a um bairro de uma grande cidade”, ou seja, um percurso acessível para ser feito, segundo ele.
Nesse sentido, Carlos Barbosa é vista pela equipe do INSS como um espaço apto a receber o serviço digital. No entanto, não há prazos ou perspectivas de quando isso possa iniciar no local.

— A telemedicina é uma opção, mas entendemos que a população já está bem atendida em Garibaldi. Nesse momento, não cogitamos encaminhar peritos para Carlos Barbosa, até porque há outras cidades gaúchas com demanda maior e maiores dificuldades para ter acesso ao serviço.
Questionado sobre a estrutura da cidade, Portal alegou que a agência de Carlos Barbosa, assim como outras que não dispõem da perícias, prestam atendimento ao público de outros serviços, como orientações, revisões de benefícios, emissão de certidões de tempo de contribuição, entre outros.
Segundo ele, a existência do serviço presencial é estratégico para pessoas que têm preferência nessa modalidade. A maior parte, conforme Portal, são idosos que não se habituaram com os canais digitais.



