
Nos últimos meses, o número de famílias beneficiárias do Bolsa Família nos municípios da Serra vem diminuindo. A força-tarefa para análise dos cadastros, iniciada em novembro de 2024, em Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Farroupilha, resultou em uma redução de 16% a 30% nos auxílios. No total, entre as três cidades, 1.521 benefícios foram cancelados pelo Governo Federal após as atualizações.
O mesmo contexto é observado no cenário nacional. Conforme o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), os cadastros caíram de cerca de 20,5 milhões para 19,6 milhões, entre junho e julho. Por isso, o desembolso mensal foi reduzido de R$ 13,63 bilhões para R$ 13,16 bilhões.
Em Bento, um dos primeiros municípios a iniciarem a reavaliação dos cadastros, houve a redução mais expressiva. Segundo o secretário de Esportes e Desenvolvimento Social, Eduardo Veríssimo, de novembro de 2024 até julho deste ano, o número de beneficiários saiu de 2.115 famílias para 1.476, ou seja, 30% a menos.
— A focalização na busca ativa pelo município oportunizou aproximação das famílias beneficiárias em larga escala, contribuindo em melhor leitura do perfil destas e alavancando as atualizações dos cadastros — destacou o secretário.
Veríssimo destacou que desses 639 auxílios cancelados pelo Governo Federal, grande parte foram cadastros unipessoais (famílias formadas por uma só pessoa), sendo homens de 18 a 40 anos. Com isso, os benefícios dessa categoria foram de 404 para 252. O secretário frisa que também houve outras causas que influenciaram nas suspensões.
— Houve identificação de que muitas famílias não residiam mais no endereço registrado no Cadastro Único, ainda sem confirmação se permanecem no município, entre outras situações — complementa.
Veríssimo afirma que essa redução também foi influenciada pela iniciativa do município em auxiliar as pessoas a conseguirem um espaço no mercado de trabalho. Até o mês de junho, 156 pessoas em benefício do Bolsa Família aderiram a proposta de vagas de emprego formal.
— Nesse processo, com a identificação de adultos em idade produtiva que estavam em busca de trabalho, foi possível facilitar o acesso ao mercado, a partir das articulações propostas pela gestão local. E dessas 156 pessoas, há situações de manutenção da vaga ao longo dos meses e outros casos que exigiram realocação, bem como casos em que o indivíduo voltou para a informalidade. É uma proposta que exige atuação contínua, com encaminhamento, monitoramento e retomada, considerando sempre o contexto individual — esclareceu Veríssimo.
Porém, uma das questões que se sobressai quando o tópico é a empregabilidade é a falta de escolaridade básica. Dessa forma, nem sempre é possível conseguir vagas com salários maiores que o mínimo e isso pode influenciar para que a pessoa não consiga sair da posição de vulnerabilidade. No entanto, o secretário acredita que, no momento em que o beneficiário consegue um emprego formal, ele garante outros direitos, principalmente os trabalhistas, assim, ganha mais autonomia.
— A inserção no mercado de trabalho da população usuária da Política de Assistência Social tradicionalmente apresenta desafios, por uma soma de fatores, a baixa escolaridade é apenas um deles. Contudo, quando esse adulto entra para o mercado com o piso salarial das categorias, a renda familiar aumenta, pois o valor médio do benefício do Bolsa Família no município é de R$ 617,80. Além disso, alarga-se a proteção social por meio de acesso a direitos trabalhistas e previdenciários, mitigando o tempo de dependência aos benefícios assistenciais, contribuindo na construção de processos de fato emancipatórios — defende Veríssimo.
Para embasar seu argumento, o secretário também traz que, com essas ações, houve um aumento de 30% para 38% da renda média familiar no município no últimos meses.
— Ao analisar o perfil de famílias em Regra de Proteção, que é quando a renda média familiar supera a linha de pobreza, na folha de pagamento de novembro de 2024 eram 30% das famílias nessa faixa, na folha de pagamento de julho de 2025, esse número sobe para aproximados 38%, o que sinaliza elevação no provimento familiar — reforçou Eduardo Veríssimo.
Caxias do Sul tem redução de 16% no número de beneficiários do Bolsa Família
Em novembro de 2024, Caxias do Sul estava com 14.891 famílias beneficiárias do Bolsa Família, mas até essa quinta-feira (31), o número reduziu para 12.427. Desde o início da atividade de fiscalização, a Fundação de Assistência Social (FAS) solicitou ao Governo Federal o cancelamento de 477 cadastros por problemas como:
- Inconsistência nos dados informados.
- Pessoas que não residem mais no município.
- Famílias que ultrapassaram a renda máxima estipulada nas regras do programa.
Segundo a assessoria da Fundação, o perfil dos moradores que tiveram o benefício cancelado é variado, desde famílias unipessoais até com mais integrantes. A diretora de Proteção Social Básica da FAS, Alda Lundgren, ainda destacou que prestam auxílio para essas pessoas para que não fiquem prejudicadas.
— O programa é para quem realmente está em vulnerabilidade social. E é claro que quando a pessoa é cortada o benefício, alguma irregularidade existe, por isso que a gente intensifica as visitas para que ninguém fique em maior vulnerabilidade social — salientou.
Além disso, frisou a importância das visitas para atualização dos dados dos beneficiários e dos inscritos no CadÚnico que, inclusive, também registrou uma redução no número de pessoas inscritas. Enquanto em dezembro de 2024 eram 84.744 pessoas, em julho desse ano o número caiu para 81.994.
— Buscamos que o cadastro reflita a realidade. A vida das famílias é dinâmica. Mudanças como nascimento ou falecimento de membros, mudança de endereço, alteração na renda (para mais ou para menos), entrada ou saída do mercado de trabalho, e até mesmo a mudança de escola dos filhos, impactam diretamente o perfil da família no CadÚnico. A revisão garante que o registro reflita a situação atual da família — salientou.
Farroupilha diminuiu 20% dos cadastros
A cidade vizinha também vem registrando baixas. Em novembro, eram 2.662 famílias contempladas pelo benefício. Atualmente, esse número caiu para 2.105, representando uma redução de 20%. Os cancelamentos foram motivados por inconsistências cadastrais, aumento da renda familiar ou ausência de atualização no Cadastro Único.
Como forma de incentivo à inserção no mercado de trabalho, o município informou que há mais de 200 vagas de emprego abertas, em mais de 50 atividades diferentes, por meio do Balcão do Trabalhador. A iniciativa oferece suporte a quem está em busca de oportunidades e precisa de renda.
Saiba mais
Quem tem direito ao Bolsa Família?
A principal regra é que a renda de cada pessoa da família seja de, no máximo, R$ 218 por mês. Ou seja, se apenas um integrante da família tem renda e recebe um salário mínimo (R$ 1.518), e nessa família há sete pessoas, a renda de cada um é de R$ 216,85. Como está abaixo do limite de R$ 218 por pessoa, essa família tem o direito de receber o benefício.
Como receber?
Em primeiro lugar, é preciso estar inscrito no Cadastro Único, com os dados corretos e atualizados. Esse cadastramento é feito em postos de atendimento da assistência social dos municípios, como os CRAS. É preciso apresentar o CPF ou o título de eleitor.
Lembrando que, mesmo inscrita no Cadastro Único, a família não entra imediatamente para o Bolsa Família. Todos os meses, o programa identifica, de forma automatizada, as famílias que serão incluídas e que começarão a receber o benefício.




