
Desde a última quinta-feira, Gramado se tornou ponto de encontro para papais noéis de todo o Brasil e até mesmo do Uruguai. Isso porque a Aldeia do Papai Noel, que em 2025 comemora 30 anos de história, recebe dezenas de profissionais que dão vida ao bom velhinho na data mais festiva do ano. São 30 papais noéis que se reúnem para trocar dicas, histórias e experiências.
— Eu sou papai noel 24 horas por dia, desde quando as crianças me fizeram ser. Eu tinha uma oficina de bicicleta e as crianças começaram a entrar e dizer que eu era o papai noel. Comecei a dar presentes, pirulitos, balas... — conta Alberto José Antônio Martinho, 70 anos, que veio de Braço do Norte (SC).
No Encontro de Papais Noéis, já tradicional na cidade, não podem faltar pedidos para todos eles. Na sala do correio, há milhares de cartinhas que chegam do mundo todo com os desejos mais inusitados, provando que ser o bom velhinho não é para qualquer um.
— Uma das crianças queria saber quantas línguas eu falava. Aquilo foi um choque, tive que me desdobrar, disse que eu só falava uma língua. Mas tive jogo de cintura para dizer que levo os duendes comigo porque temos muitos presentes e um dos duendes é meu tradutor — exemplifica Valmor Stumpf, 54 anos, de Gramado.
— Você tem que saber improvisar, responder na hora certa, porque as crianças fazem perguntas que tu não sabes como responder. Às vezes, a criança pede para trazer o pai de volta. Tu nem sabes se o pai está preso, se faleceu ou se separou — complementa Sebastião Cherem, 68, do Rio de Janeiro.
O evento surgiu em 2005, mas não ocorria desde 2019 por conta da pandemia e da chuva do ano passado. Agora, pela primeira vez, o desfile dos bons velhinhos aproveitou as férias escolares de julho para entrar no clima frio do turismo de inverno, já que sempre era realizado em novembro.
— Seria bacana a gente poder trazer papais noéis de diferentes realidades e lugares. O do shopping, da praia, do evento privado, e juntar todo mundo e ver o que se faz dessa troca de experiências, de energia, de histórias — relata o diretor da Aldeia do Papai Noel, Jahyr Almeida Chaves Barcellos.
Mais do que a barba ou a roupa, a ideia do encontro é entrar no espírito do Natal. Daniel Dias, 65, de Porto Alegre, será papai noel pela primeira vez. E conta que a oportunidade surgiu de forma inusitada:
— Eu nunca tive barba grande. Agora vim morar em Gramado e comecei a deixar a barba crescer devagar. Quando ela tava um pouco grande, desci na rodoviária, vim caminhando em direção à aldeia e, quando passei na frente, a gerente me puxou, me olhou e perguntou se eu não queria trabalhar com eles.
A convenção dos papais noéis segue até este sábado, com programação pela manhã e à tarde, na Aldeia do Papai Noel, no centro de Gramado.
— Vamos retomar a importância do espírito do Natal, relembrar a cada um deles a importância que eles têm não só para as crianças, mas também para famílias que se veem uma vez só no ano, quando todos se reúnem na casa da vó, por exemplo — destaca Barcellos.





