
Apenas 48% do público prioritário — formado por idosos, gestantes e crianças — se vacinou até agora contra a gripe em Caxias do Sul, quando a meta é alcançar 90%. Em entrevista ao Gaúcha Hoje, da Rádio Gaúcha Serra, a secretária adjunta da Saúde, Daniele Meneguzzi, fez um apelo à população e anunciou estratégias para ampliar a cobertura, como ações fora das Unidades Básicas de Saúde e mutirões aos sábados.
Confira a entrevista a seguir:
Gaúcha Serra: A secretaria de Saúde de Caxias fez ontem (quarta-feira, dia 16) uma conclamação para que as pessoas do grupo prioritário façam a vacina da gripe. Apenas 47,98% do total de idosos, crianças e gestantes foram imunizados até o momento. Um número muito abaixo da meta, né, secretária Daniela?
Sim, infelizmente um número bastante abaixo da meta, que é de vacinar 90% desse grupo prioritário. Hoje, em Caxias do Sul, cerca de 48% apenas da população desses grupos prioritários, que historicamente são os grupos mais afetados pela gripe e suas complicações, dentre elas as internações e até mesmo os óbitos. Nesses últimos anos, a gente vem acompanhando, principalmente após a Covid, um declínio desses números. Muito embora 2025 tenha apresentado até agora um resultado melhor do que nesses anos anteriores, nós estamos ainda muito longe da meta. O nosso inverno ainda vai perdurar por algum tempo. Nós temos um público, principalmente idoso, no nosso município, que precisa se proteger, que precisa buscar as nossas unidades básicas de saúde para realizar a vacina. A vacina que, como a gente costuma dizer, é o melhor remédio, porque ele faz a prevenção. Talvez não a prevenção de todos os vírus respiratórios que circulam, mas aquelas formas mais comuns e mais presentes, e podem evitar complicações importantes. Podem evitar hospitalizações e, sim, podem evitar até mesmo a morte. Isso não é exagero, isso não é uma figura de linguagem, é realmente uma conclamação que a gente faz a esses grupos, aos idosos, aos pais e responsáveis das crianças, às gestantes, para que busquem as nossas unidades e façam a sua vacina.
Pelos dados da secretaria, a maior parte das pessoas que procuraram a vacina são do público em geral, fora dos grupos de risco. A gente aprendeu nos últimos anos, em função da covid, que cada pessoa vacinada também ajuda a evitar o espalhamento do vírus entre as pessoas com quem convive. Mas por que, então, é tão importante que o grupo prioritário se vacine e por que essa vacinação do público em geral, que está fora desse grupo prioritário, não necessariamente cobre esse baixo índice desses grupos prioritários?
A estratégia do Estado de ampliar o público de vacinação logo após o início da campanha vem justamente para trabalhar o que nós chamamos na saúde de imunização de rebanho. Hoje, os nossos idosos são ativos, eles vão ao supermercado, eles têm uma vida social, muitos deles trabalham. E mesmo tendo uma cobertura maior dos públicos não prioritários, essa cobertura ainda é menor do que o preconizado. Caxias do Sul tem mais de 450 mil habitantes. Nós temos imunizadas cerca de 133 mil pessoas no nosso município. Isso vai representar aí 30, 35%. Ainda, percentualmente, perante a população em geral, não é um índice satisfatório, um índice que vai garantir uma cobertura que proporcione uma segurança maior. Por isso que é tão importante os grupos prioritários buscarem a vacinação. E isso não invalida que o público em geral continue buscando, porque quanto mais pessoas vacinadas nós tivermos, menor a circulação do vírus. Mas o público prioritário ainda precisa, precisamos ampliar esses índices.
Para a secretaria, quais são as justificativas para isso? Porque há cinco, seis anos, a gente tinha esses índices de 90%, até mais, da vacinação desses grupos. O que ocasionou essa mudança de comportamento em poucos anos?
O que a gente percebe, claramente, foi essa polêmica que se criou ao redor da vacina do Covid. Muita fake news, muita desinformação. E não só a vacina do Covid, mas todas as vacinas acabaram desacreditadas pela população. Tanto é que até ano passado nós não estávamos atingindo as metas de vacinação das nossas crianças que estão no calendário infantil há 30, 40 anos, como a BCG, como a do rotavírus e outras. E isso a gente ouve muito dos pacientes, que foi por conta dessa polêmica que se criou ao redor da vacina do Covid e que acabou se estendendo a descredibilidade das outras vacinas. Um outro fator realmente é a acomodação da população, que muitas vezes não entende o seu papel na prevenção e o quanto buscar a vacina pode evitar complicações que a gente está acompanhando e que a gente está percebendo. Então as pessoas acham que com elas isso não vai acontecer. "Ah, eu me vacinei nos anos anteriores, então esse ano eu não preciso. Ah, tem muitos vírus circulando e a vacina oferecida pelo SUS é uma vacina trivalente, ela só vai cobrir 3 vírus." Acaba esse misto de desacreditar na vacina e também da acomodação que acontece muitas vezes na população, não colocando-se no papel de protagonista da prevenção e da promoção da saúde.
Nesse sentido de acomodação, a secretaria planeja outras estratégias para os anos seguintes? Porque, até então, se trabalhava no sentido das pessoas procurarem a vacina. Se pensa em, talvez, fazer uma busca mais ativa?
Sim, a gente inclusive já faz isso. Ao início das campanhas de vacinação, os públicos prioritários são buscados nos seus locais de maior permanência. Por exemplo, as nossas equipes vão até as clínicas de repouso para fazer a vacinação. A gente vai nas escolas, no caso do calendário vacinal das crianças. Vacinamos milhares de crianças no ano passado e esse ano de uma maneira ainda mais presente. Nós temos as vacinas disponíveis nas nossas 48 unidades básicas de saúde. Em momentos pontuais, a gente realiza as campanhas extra-muros, como a gente chama, em supermercado, no shopping, nas praças, como forma de ir ao encontro da população. Ainda estamos muito longe do que nós gostaríamos de ofertar e de estar próximos da população. É uma estratégia que precisa ser melhorada e precisa ser melhor trabalhada pela nossa secretaria.
Sobre as ações extra-muros, como a senhora colocou. Não teria como reforçar essa ação nas escolas? É possível fazer a vacinação nas escolas, inclusive, por exemplo, sem autorização dos pais?
Não, sem autorização dos pais, nós não podemos fazer a vacinação. Porém, quando as nossas equipes vão até as escolas, é feito um trabalho anterior pela escola solicitando a autorização dos pais para a aplicação das vacinas e, posteriormente, as nossas equipes fazem a aplicação das vacinas em quem autorizou, obviamente. Com relação à ampliação das ações extra-muros, sim, nós temos a intenção de ampliar essa quantidade de ações, como eu disse. Nós temos algumas limitações que são de pessoal, que são de estrutura e de disponibilidade, mas nós trabalhamos em parceria com algumas instituições, como a Cruz Vermelha, por exemplo, para trazer a Caxias novamente o ônibus da vacinação, para que a gente possa estar colocando ele em pontos estratégicos da cidade. Isso nós estamos planejando para o próximo ano e, neste ano, ainda nós teremos alguns mutirões, principalmente nos sábados, que são datas que facilitam o trânsito das pessoas e as pessoas poderem buscar a vacina.
Os índices de vacinação também consideram a rede particular ou só o que é aplicado pela rede pública?
Não, eles consideram também a rede particular, porque as vacinas aplicadas nas farmácias que têm sala de vacina ou na rede particular, essas instituições têm a obrigação de fazer o registro da vacina num sistema que é nacional, num sistema do Ministério da Saúde. Então, eles computam a totalidade de vacinas aplicadas no município.


