
A cada 100 mil habitantes em Caxias do Sul, 341 foram diagnosticados com sífilis, de acordo com o Informe Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, com dados consolidados em 2024. O dado preocupa a pasta quando comparado ao RS ou ao Brasil. Caxias registra 117% mais casos do que a média estadual e 244% mais do que a média nacional.
A infecção bacteriana é uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e, quando diagnosticada precocemente, tem cura. Em formas mais graves da doença, como no caso da sífilis terciária, se não houver o tratamento adequado, a infecção pode levar a graves complicações ósseas, cardiovasculares e neurológicas e pode levar o paciente à morte.
De acordo com o Informe Epidemiológico, de 2017 a 2023, o aumento foi de 148,8 casos a cada 100 mil habitantes em Caxias. Ou seja, em seis anos, o número cresceu 67,5%.
— A gente observa que teve um aumento expressivo. Associamos esse aumento ao acesso ao diagnóstico, onde as pessoas conseguem facilmente fazer um exame, mas, principalmente, a parte comportamental, porque a sífilis é uma doença que as pessoas podem adquirir várias vezes na vida. Tem a doença, pode tratar e está curada. Se expõe novamente a uma relação sexual sem proteção com alguém doente e se contamina de novo. E esse cenário a gente vem observando — analisa a diretora técnica da Vigilância Epidemiológica da SMS, Magda Teles.
Por ser considerada uma infecção mais simples, possível de ser tratada com antibióticos e que não deixa sequelas quando curada, a questão comportamental ainda é a que mais preocupante ao órgão de saúde.
— O que a gente observa é uma baixa adesão a qualquer tipo de proteção. Quando se é exposto à sífilis, tem a mesma possibilidade de se contaminar com HIV e com hepatite — alerta Magda.
60% dos casos se concentram na faixa etária dos 20 aos 49 anos. No entanto, de acordo com Magda, as faixas etárias entre 15 a 19 anos e acima de 60 anos registraram aumento nos diagnósticos da doença desde 2019. Entre homens e mulheres, os números são parecidos. Mulheres representam cerca de 48% dos casos e homens, 52%.
— A gente vê uma resistência muito grande no uso de preservativo. É uma coisa bem de comportamento. Os jovens não viram as pessoas adoecer, sabem que existe preservativo, mas acabam não usando. Os mais velhos, apesar de terem visto as pessoas adoecerem, não têm o hábito de utilizar o preservativo — observa.
Incidência em gestantes preocupa
A cada mil bebês nascidos vivos em Caxias, 15 têm sífilis congênita, quando a doença passa da mãe para o bebê, no ventre. Apesar de baixa, quando comparada aos números absolutos, a incidência em gestantes é uma das principais preocupações da SMS. Isso porque a doença pode ser transmitida verticalmente para o feto durante a gestação caso a mulher não seja tratada ou tratada de forma inadequada.
As consequências podem ser severas, como aborto, prematuridade, natimortalidade ou, então, problemas ósseos, de desenvolvimento, cegueira, surdez e problemas cognitivos ao bebê.
Prevenção
A indicação para evitar a sífilis e outras ISTs é o uso correto e regular da camisinha feminina ou masculina. Para pessoas com múltiplos parceiros sexuais, é indicada a testagem, pelo menos, uma vez ao ano.
Os testes rápidos para sífilis, hepatite B, hepatite C e HIV estão disponíveis nas unidades básicas de saúde de graça e sem necessidade de agendamento ou requisição médica.

