
No final desta quinta-feira (12), Caxias do Sul atingiu 1.328 casos ativos da covid-19, o maior número desde o primeiro registro da pandemia no município, em março. Segundo o secretário de Saúde Jorge Olavo Hahn Castro, os números estão aumentando, e a faixa etária que está se contaminando agora é de pessoas bem mais jovens, segundo dados do Painel Covid, disponibilizado pela prefeitura.
São 11.962 casos positivos até a manhã desta sexta-feira (13), sendo 6.355 mulheres e 5.607 homens. Duas faixas etárias são responsáveis por 43,6% dos casos: jovens de 19 a 29 anos e adultos de 30 a 39 anos. São 2.894 infectados dos 30 aos 39, o que equivale a 24,2% do total, e 2.326 dos 19 aos 29 anos, ou 19,4% do número total de casos. Logo atrás dos jovens, está a faixa etária dos 40 aos 49 anos, com 2.237 casos, ou seja, 18,7% dos 11.962 confirmados.
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A análise dos dados demonstra como as faixas etárias foram se contaminando com o coronavírus ao longo do tempo no município. Inicialmente, 100% dos contaminados eram da faixa etária de 30 a 39 anos, após, como confirmou o cientista de dados da Rede Análise Covid-19 Isaac Schrarstzhaupt, o maior aumento registrado a partir de junho foi entre os 19 e 29 anos.
Conforme destacou o secretário de Saúde, os casos e as internações em enfermaria vêm aumentando expressivamente nas últimas semanas, porém, as internações em UTIs e consequentemente, as mortes, se mantêm constantes, sem elevações. O cientista explica essa situação:
— Quem tem menos sintomas, acaba, por coincidência, tendo mais mobilidade. As pessoas que sofrem apenas com uma dor de cabeça e uma tosse leve acabam andando mais. Isso acaba acontecendo muito nos jovens. Então, normalmente quando tem uma subida de casos, a primeira faixa que pega são os jovens. Assim, temos um aumento de casos, mas não um aumento de internações em UTIs e mortes. O máximo que acontece para os jovens é a ida para a enfermaria. Essa mobilidade extra dos jovens, acaba, dali uns 30 a 50 dias, chegando nos vulneráveis, e aí começam os casos mais graves e mortes. Isso está acontecendo em todos os países, todas as localidades — afirma Isaac, que tem se dedicado a fazer análises sobre os números da pandemia.
"O aumento de casos é como se fosse um alerta amarelo"
Conforme o cientista, é importante ressaltar que há um atraso das notificações dos casos positivos e que a contaminação pela doença não é instantânea. Então, segundo ele, quando aumenta a mobilidade, fica-se cada dia mais próximo de um surto com idosos e vulneráveis, e a partir disso, começa a atrapalhar e sobrecarregar o sistema de saúde:
—O aumento de casos é como se fosse um alerta amarelo, para o pessoal não exagerar. A princípio, festas e aglomerações, não dão nada, porque justamente é atingida uma faixa etária que é menos afetada pelo vírus. Depois, isso acaba gerando uma onda de internações e óbitos como estamos vendo na Europa. Lá, o aumento de casos iniciou em agosto, no final de outubro começaram a aumentar as internações e agora as mortes estão subindo novamente a níveis similares aos do primeiro pico.
Acerca dos dados, a diretora das Vigilâncias em Saúde de Caxias do Sul, Juliana Argenta Calloni, destaca:
— A faixa etária dos 30 aos 39 anos, que permanece sendo a mais infectada, é das pessoas que acabam ocupando o ramo produtivo em maior número e consequentemente, são as mais expostas. Dos 19 aos 29 anos impacta a questão da aglomeração. Principalmente nos finais de semana temos observado grandes grupos de jovens circulando, e às vezes, nenhum deles está de máscara.
O município havia registrado diminuição no número de casos ativos, porém, como mostram os dados, eles vêm aumentando nas últimas semanas. Sendo assim, Juliana salienta que a covid-19 não terminou. Até que não exista uma medida de prevenção mais eficaz que é a vacina, precisaremos adotar as medidas necessárias. Segundo ela, uma das mais importantes no momento e que vem sendo deixada de lado, é o uso das máscaras.
— Vemos os jovens compartilhando o mesmo copo, as rodas de chimarrão. Todas essas atitudes contribuem para o aumento da disseminação da doença. O convívio social é importante, mas desde que seja de maneira segura. Tivemos relatos de que em reuniões familiares várias pessoas acabaram se contaminando. A vida social é importante, mas estamos em um novo normal, precisamos seguir com os cuidados— destaca.
Adolescentes e bebês são os menos infectados
Nas demais faixas etárias, conforme os dados do painel, depois dos adultos de 40 aos 49 anos, estão os de 50 a 59, com 1690 casos (14,1%). Na quinta posição está o grupo dos 60 aos 79 anos, com 1.581 casos. Após, as crianças de dois a 12 anos, com 448 casos. Em sétimo no ranking, estão os idosos de 80 anos ou mais, com 353 casos. Adolescentes dos 13 aos 18 anos aparecem na oitava posição, com 331 contaminados. Por último e em nono lugar, surgem os bebês com menos de dois anos, que contabilizam 102 casos.
Quanto à letalidade, percebe-se que os dados modificam. Os idosos de 80 anos ou mais, são os que mais morrem em decorrência do coronavírus, com a maior taxa de letalidade do município, 16,7% - foram 62 mortes. Seguidos pelo grupo dos 60 aos 79 anos , com 5,69% - 90 mortes. Já as duas faixas etárias mais afetadas, 19 aos 29 e 30 aos 39 anos, juntas, somam oito mortes, com taxas de letalidade menores que 0,3%. A vítima mais jovem da doença no município foi de um homem de 28 anos que sofria de obesidade e hipertensão.




