
O Ministério do Turismo distribuiu Selos para 31 cidades da Serra e são uma forma de atrair clientes. O novo normal exige isso, afinal ninguém quer ficar exposto ao vírus e uma infecção que ainda causa muitos transtornos.
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As vinícolas na região da Uva e do Vinho são as principais atrações turísticas e também encararam momentos complicados. A Salton, de Bento Gonçalves, está em período de readaptação. Além das atividades remodeladas, com grupos menores e agendamentos, a empresa tem dois selos para garantir a segurança do cliente. A certificação do Ministério do Turismo e um específico da prefeitura de Bento, que se torna ainda mais rígido.
— A Salton foi a primeira vinícola a receber a certificação após inspeção de agentes da Secretaria Municipal de Turismo. Para receber o selo, as empresas precisam seguir um protocolo pré-estipulado, com ações como medição diária de temperatura dos funcionários, utilização de EPIs, espaço isolado destinado ao atendimento de funcionários e clientes que não se sintam bem, higienização diária, disponibilidade de álcool gel e afastamento de funcionários que pertençam ao grupo de risco — destaca Marcelo Cavalet Lucchese, diretor administrativo e financeiro da Salton.
Em Bento, a fiscalização por parte da secretaria do turismo envolve 27 itens e eles mudaram a forma de atendimento. A média diária agora é de 50 visitantes, de terça a domingo, e apenas para quem faz reserva por telefone ou WhatsApp. As atividades de visitação na vinícola também foram alteradas pensando no conforto e na segurança do turista, abrindo novos nichos de atendimento.
— O tour foi adaptado exclusivamente com agendamento e para grupos de no máximo seis pessoas. Passamos a oferecer ainda uma experiência enogastronômica, com tábua de frios e inauguramos um novo espaço: uma galeria dedicada à exposição de peças de nosso acervo histórico. Resgatamos parte da evolução da Salton, a vinícola mais antiga em atividade no Brasil — ressalta Lucchese.
Credibilidade e segurança nos passeios

A empresa Caminhos Guiados, de Guaporé, foi criada há pouco mais de um ano e já encara um momento delicadíssimo. Até março, Charles Pilotti comandava dois passeios por fim de semana, que podiam ser caminhadas, em quadriciclos ou de bicicleta. Com a retomada dos atendimentos, as atividades se resumiram para apenas uma e aumentou a periodização para cada 15 dias.
Mas as alterações foram além. Charles ficou conhecendo o Selo do Turismo Responsável por um e-mail da Cadastur. Aderiu rapidamente ao programa, mas só isso não foi o suficiente para que ele ganhasse a autorização da prefeitura para voltar a trabalhar com o turismo.
— Eu digo que os protocolos são importantes para que os clientes estejam seguros. Para nós, é importante porque passa uma credibilidade maior aos clientes — afirma Charles.
O quadro, assim, se alterou na Caminhos Guiados. Até março, ele trabalhava com grupos de 12 pessoas. Agora, cada guia pode levar no máximo oito e mantendo o distanciamento de dois metros entre as pessoas, seguindo uma fila. Os passeios também são longos.
Enquanto a caminhada é de até quatro horas, as outras duas atividades giram próximas das oito horas. Ainda assim, com o selo e com protocolos rígidos, o turismo de Guaporé consegue sobreviver nessa realidade temporária.
“Crianças respeitam mais os protocolos do que muitos adultos”

A pandemia também traz novas concepções. Quando todas as atividades estavam paradas, muito se questionou sobre como explicar para as crianças o que está acontecendo e como fazer com que elas também usem máscaras. Sete meses depois, quando as atividades voltadas ao público infantil estão sendo retomadas, as surpresas vêm junto.
— Tem um fato curioso, que as crianças estão acostumadas. Então, quando elas chegam, já olham o tapete e dão um pulinho dentro dele e ficam esperando para ver a temperatura. Isso facilita um monte. Posso dizer que as crianças respeitam mais os protocolos do que muitos adultos — relata Pez, que completa:
— Eles querem hoje é brincar. Se para brincar tem que passar álcool gel para trocar de brinquedo, eles vão passar.
O Park Festa e Folia regressou há duas semanas, mas os preparativos já vêm de um longo tempo. Desde a metade do ano, a Associação dos Parques de Diversões trabalha em protocolos e muitos constam nas regras do Selo do Turismo Responsável. Ao mesmo tempo, Pez destaca que também teve que adequar o espaço com mais de 600 metros quadrados para as regras do governo do Estado, que são rígidas para empreendimentos infantis.
— É um parque de diversões à tarde e uma casa de festas infantis à noite. O protocolo estadual para festas é mais rígido do que para parque de diversões. Então, estava adequado a um protocolo mais rígido que o próprio selo.
Como atua no entretenimento infantil, qualquer selo que ateste segurança é imprescindível. Isso garante que o movimento comece a dar sinais de recuperação para os novos tempos.
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