
Apesar de ter aberto mais cinco leitos de UTI na rede particular na segunda-feira (27), Caxias do Sul tem ocupação de 80,7% na terapia intensiva nesta terça-feira (28), somadas a rede privada e púbica. O percentual crítico de ocupação tem sido uma constante nas últimas semanas. Desde 14 de julho, nove dias tiveram o indicador acima dos 80%.
Os dados fazem parte do sistema de acompanhamento do Governo do Estado, atualizado diariamente. São 121 pacientes internados nesta terça. A maior parte (52% ou 63 pessoas) não tem coronavírus ou suspeita da doença.
Diante do aumento da demanda, a prefeitura de Caxias vai investir na abertura de mais vagas na terapia intensiva. Oito novos leitos no Hospital Virvi Ramos entram em operação nesta quarta-feira (29). No início da pandemia, a instituição contava com 10 vagas na terapia intensiva e, em junho, abriu outras oito. A taxa de ocupação atual é de 95%. Essa demanda crescente leva o município e a própria rede particular a financiar mais leitos. São 50 colocados em funcionamento de março até esta terça na cidade.
Apesar do aumento na estrutura, já há dificuldade em encontrar funcionários. Segundo o secretário da Saúde, Jorge Olavo Hanh Castro, o custo para a operação do serviço no Virvi ficará mais caro por causa disso. Cada leito custará R$ 2.970 por dia. Até então, o valor girava em torno de R$ 2,6 mil. Só a equipe de enfermagem é formada por 20 profissionais.
Sem conseguir contratar técnicos de enfermagem, a alternativa é empregar os chamados enfermeiros assistentes, que desenvolvem o mesmo papel, mas a um custo maior. No total, são 40 funcionários a mais no hospital para garantir o funcionamento dos novos leitos.
Conforme o diretor comercial e de relações institucionais do Virvi Ramos, Geraldo Rocha, houve também um investimento em estrutura desde o início da pandemia, tanto na rede elétrica quanto na de gás, para a ampliação de vagas. O espaço aproveitado é onde ficava a antiga UTI neopediátrica, desativada no ano passado. A projeção é de que parte dessa estrutura instalada na pandemia possa continuar operando. Como há demanda reprimida de 63 mil procedimentos em Caxias, Rocha afirma que a perspectiva é que esse investimento fique como um legado:
— Se houver recursos públicos, temos condições de manter a estrutura para esses procedimentos.
A projeção é que, se os números de infectados graves continuar aumentando nas próximas semanas, a prefeitura invista na abertura de outros 10 leitos de UTI. O hospital que os receberá ainda está indefinido.




