
Quase uma semana após a troca da bandeira de laranja para vermelha na Serra, dentro do modelo de distanciamento controlado, o comércio de Farroupilha segue funcionando. As normas mais rígidas, previstas na bandeira em vigor, proíbem a abertura de estabelecimentos considerados não essenciais.
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Após a decisão do governo do Estado, anunciada no último sábado (13), o prefeito de Farroupilha, Pedro Pedrozo, demonstrou contrariedade com o aumento das restrições, assim como colegas de demais cidades. Dessa forma, diversos estabelecimentos abriram na segunda-feira (15) sob o argumento de estarem seguindo orientações da prefeitura. Além disso, os lojistas ouvidos pela reportagem disseram que aguardariam a nova avaliação do governador Eduardo Leite (PSDB), após a reunião com os prefeitos. A decisão saiu na terça-feira (16) e manteve a bandeira vermelha para a região.
Ouvido pela reportagem ainda na segunda-feira, Pedrozo disse que a orientação em vigor era a do Estado e negou que tivesse orientado os lojistas a abrir. Ele afirmou, porém, que iria contestar a decisão. Após a manutenção da bandeira, na terça, a prefeitura divulgou uma nota dizendo que as regras do governo do Estado precisavam ser seguidas. O texto afirmava ainda que a prefeitura estava recorrendo da classificação junto com os outros municípios envolvidos.
Com a permanência da bandeira vermelha, o Ministério Público notificou os prefeitos a determinar a fiscalização das lojas, sob pena de responsabilização criminal. O prazo dado foi de 48h, com vencimento nesta quinta-feira (18).
Na manhã desta quinta, contudo, o comércio caxiense funcionava normalmente nas ruas Júlio de Castilhos e Pinheiro Machado, no centro. A reportagem observou apenas três lojas fechadas e não notou a presença da fiscalização.
— Estamos indo de acordo com o prefeito da cidade, que está preocupado com a economia. E nós também — afirmou Naykelli Abel, 18 anos, vendedora de uma loja de roupas.
A gerente do estabelecimento, Jordana de Carvalho, 24, que também trabalhava nesta manhã, disse que as vendas caíram 60% desde o início da pandemia e não há como manter o estabelecimento fechado. Em relação à semana passada, porém, o movimento não caiu, o que indica que população manteve a rotina de compras.
— Não sabemos quanto tempo vamos conseguir manter as portas abertas. Se fechou, é o fim. Tínhamos uma reserva e na primeira parada ficamos 40 dias fechados. Agora dependemos de faturamento — afirma Nivaldo Buziki, 42, proprietário de uma loja de camisetas temáticas.
O empresário também diz seguir orientações das autoridades locais e diz que se a prefeitura não conseguir reverter a decisão do Estado, vai acatar a determinação de fechamento.
A reportagem tentou contato com o prefeito Pedro Pedrozo. Pela manhã, ele estava em reunião para discutir as determinações da bandeira vermelha. Já no início da tarde o prefeito não atendeu às ligações.



