
O modelo de Distanciamento Controlado do Rio Grande do Sul foi lançado no dia 11 de maio e recebeu muitos elogios, servindo de base para que outros estados do Brasil traçassem seus próprios sistemas de combate à pandemia e também mantivessem a economia girando — dentro das possibilidades que o momento exige. No entanto, quando ele entrou em funcionamento para a região da Serra Gaúcha, causou polêmica. Os municípios se consideram injustiçados com a bandeira vermelha imposta no último fim de semana, a qual fecha o comércio e o setor de serviços que não são considerados essenciais.
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Esse sistema é baseado em 11 indicadores, que definem as bandeiras para cada região, sendo que eles analisam a velocidade do contágio e capacidade de atendimento em UTI’s de cada região. São pontuações para que a média final diga em qual enquadramento cada uma das 20 áreas do Rio Grande do Sul estará enquadrada: amarela (pouco risco), laranja (risco médio), vermelha (risco alto) e preta (risco altíssimo). Na última atualização, a Serra teve cinco índices de bandeira preta, quatro laranjas e só dois amarelos.
Nesses 11 tópicos, apenas um é de projeção futura e um leva em conta o número de contaminados total de cada região. Outros nove indicadores trabalham com números concretos e fornecidos diretamente pelos hospitais do Rio Grande do Sul.
O cálculo de propagação do vírus é basicamente todo em cima de hospitalizações por covid-19 ou de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), quadro de pneumonias e outras situações que são muito parecidas com os efeitos causados pelo coronavírus. Quanto mais internações, o vírus está circulando com maior velocidade. O Estado não leva em conta outros estudos, mas se estima que 15% dos contaminados pelo Sars-Cov 2 precisarão de algum tipo de internação. São sete indicadores nessa divisão, com peso igual no resultado final.
Ainda dentro dessa divisão, existem dois dados diferentes, sendo que um não leva em conta as estatísticas hospitalares. O primeiro é uma relação entre ativos e recuperados nos últimos 50 dias. Essa relação considera quatro ciclos – de 14 dias – dos recuperados para fazer um comparativo com o número de infecções ativas. Assim, ele demonstra a evolução da doença no município.
Nos dados apresentados pelo governo no dia de alteração da bandeira na Macro Serra, esses números eram de 259 ativos para 691 recuperados, quase um infectado para cada dois recuperados.
Projeção de óbitos para duas semanas
Outro dado que chamou atenção foi na perspectiva de novos óbitos. Como são projeções, não significa obrigatoriamente que elas vão acontecer. A previsão era de que a partir do dia 22 deste mês até o dia 5 de julho, ocorram 18 óbitos na região de Caxias do Sul. Esse cálculo tem como base o número de mortes ocorridas nos últimos 7 dias, multiplicando por uma variação de internações em UTI.
Outros quatro indicadores levam em conta a capacidade de atendimento regional e a capacidade do Estado. Na troca de bandeira, a macro Serra ficou com índice alto no quesito leitos de UTI livres para cada vaga ocupada por um paciente positivo de covid-19. No dia 12 de junho, quando houve a nova rodada de distanciamento, eram 44 internados para covid em tratamento intensivo para 33 leitos vagos – levando em conta os 49 municípios. Essa média ficou em 0,75, índice de bandeira preta. Para ser vermelha, é preciso que esse índice suba, no mínimo, para 1,5. Isso deve ocorrer com os novos leitos abertos até quinta (18).
Cabe salientar que apenas um dos 11 índices se refere a hospitalização em enfermaria. Todos os demais são específicos de UTI, aonde se encontram os pacientes de quadro mais grave e que correm maior risco de evoluir para óbito.
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