
As notícias sobre a propagação do coronavírus ainda não alterou a rotina dos moradores de Caxias do Sul. Na tarde de sexta-feira, dezenas de pessoas aproveitavam a tarde ensolarada na Praça Dante Alighieri. O coração da cidade recebia a Feira do Agricultor e uma apresentação amadora de malabarismo.
– É uma doença nova, mas ainda não vejo necessidade de correr ou ter medo. A vida continua – opina Adriana dos Passos, 43 anos, moradora dos Campos da Serra, que fazia compras na área central.
– Ainda parece distante, não afetou ainda (a cidade). As pessoas estão normais, estão cumprimentando e comprando. Graças a Deus – conta a agricultora Léris Chicoski Camicia, 55, que vendia maçãs junto com o filho Everton Camicia, 33.
O transporte público continuava sua rotina de horários e passageiros. No entanto, alguns usuários preferiam aguardar por um ônibus mais vazio. É o caso da cuidadora de idosos Ana Marta, 41, que iria voltar ao bairro Desvio Rizzo.
– Sou técnica de enfermagem, então fico atenta. A gente tenta evitar um ônibus (lotado), mas daí uma menina passou e espirrou sem cobrir o nariz. Mas, acho que a cidade está começando a mudar. Algumas pessoas já estão evitando de encostar e passando álcool gel. O movimento era normal em um shopping da área central e não haviam recomendações sobre o novo vírus. Na praça de alimentação, apenas três das 11 lanchonetes tinham potes de álcool gel visíveis próximos aos caixas.
– Para mim, é uma gripe inferior ao H1N1. Estão falando bastante, mas não vejo todo este contágio. Se um está contaminado, todo avião (que ele veio) deveria ficar também, mas não é assim.É uma gripe,só precisamos nos cuidar. Quando esfria, eu não saio sem agasalho.A minha vacina é alho, mel e limão – afirma o aposentado Eraldo Grosselli, 67 anos.
O taxista Claudio Gamba, 48, também não percebe mudanças na rotina da cidade.
– Acho que é mais mídia do que outra coisa. Os passageiros comentam a mesma coisa. Até falam sobre coronavírus, mas não vejo ninguém com medo. Está tudo normal – observa o taxista.
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UPA Central lotada
A sexta-feira foi de movimento intenso na UPA Central, que na metade da tarde já registrava que 293 pacientes haviam passado pela triagem – para se ter uma ideia,durante todo o dia anterior foram 348.
A espera para consultas, conforme o sistema da Secretaria Municipal de Saúde, era de 4h30min. Muitas pessoas, no entanto, relataram à reportagem que esse tempo era bem maior. Apesar da demora, a secretaria destaca que o aumento da procura não está relacionado ao coronavírus. Conforme a assessoria de imprensa, na tarde de sexta foram identificados 59 pacientes com algum tipo de problema respiratório, mas nenhum com suspeita do vírus.
A orientação da SMS é que o paciente com sintomas de coronavírus procure as UBSs para não sobrecarregar as UPAs e prontos-socorros do município.




