
Todas as manhãs, quatro fiscais de trânsito saem às ruas de Caxias do Sul para atender a reclamações de estacionamento proibido em vagas de carga e descarga que chegam via 118. São duas duplas que se dividem pela cidade e verificam se as reclamações procedem e, caso seja necessário, aplicam as medidas previstas pela legislação. Ao mesmo tempo, outras equipes se distribuem pela cidade atendendo acidentes e cumprindo outras demandas.
Esse trabalho poderá ser acompanhado pela população dentro do projeto "Fiscal por um dia". Trata-se de uma ação do Maio Amarelo, mês dedicado à prevenção de acidentes de trânsito. Até 30 de maio, turmas de três pessoas acompanharão uma equipe de fiscais para conhecer a rotina e os desafios da função. O assunto, a propósito, parece ter despertado a curiosidade dos caxienses, já que no fim da manhã desta quinta-feira (2) todas as vagas para o mês já haviam sido preenchidas. Os grupos serão recebidos às quintas-feiras, das 13h30min às 17h.
—A intenção é desmistificar um pouco. O pessoal tem essa ideia de multa, multa. Falam muito em indústria da multa, mas o que temos é uma indústria da infração. O que o fiscal menos faz hoje é multar. Se quisesse, era só parar em um cruzamento — afirma Joelson Queiroz, gerente da Escola Pública de Trânsito, da Secretaria de Trânsito.
A reportagem acompanhou o trabalho das ruas por duas horas nesta quinta-feira. Entre 9h e 11h, os fiscais Erico de Oliveira e Johny Dotto Ariotti atenderam a duas ocorrências de estacionamento proibido e orientaram o trânsito em um cruzamento da área central.
O primeiro caso atendido foi de um Monza estacionado na saída de uma garagem, na Rua Moreira César. O condutor de um Ônix ficou impedido de sair e acionou o 118. Assim que os fiscais chegaram, o condutor do Monza foi abordado e, após ser autuado, deixou o local. Cinco minutos depois, na Moreira César na esquina com a Rua Pinheiro Machado, a equipe se deparou com um Fiesta parado em uma vaga de carga e descarga. Neste caso, o condutor não se apresentou ao ver os fiscais e, além da emissão do auto de infração, o guincho chegou a ser acionado. Antes do início do trabalho de remoção, os "amarelinhos" registraram a situação do veículo em fotos, procedimento previsto nesses casos. O veículo acabou sendo liberado às 9h55min porque o casal proprietário do carro chegou antes que ele fosse recolhido.
— Eu não deixaria levar de jeito nenhum — disse uma pedestre que passava pelo ponto enquanto o guincho preparava a remoção.
Segundo Queiroz, no entanto, não é uma questão de opção:
— Se o consultor do guincho já tiver iniciado o trabalho, a decisão de entregar o carro passa a ser dele — explica.
Dez minutos após liberar os proprietários do Fiesta, Oliveira e Ariotti orientavam os motoristas no cruzamento das ruas Sinimbu e Alfredo Chaves, no centro. Esse trabalho, porém, nem sempre é possível devido ao efetivo reduzido de fiscais, o que obriga a priorizar demandas. Nesses casos, a instalação de sinalização provisória no cruzamento pode ser uma alternativa até a normalização das sinaleiras.
— A pessoa, às vezes, pergunta 'cadê o bom senso do fiscal?' Mas a individualidade não pode se sobressair à coletividade. Muita gente acha que escolhemos o artigo da lei para autuar, mas só seguimos o que ela diz — destaca o gerente, que revela ser raro encontrar um condutor que admite o erro.
Para superar o pânico
Conhecer a rotina da fiscalização foi um dos meio encontrados pela desempregada Sônia Veber, 54 anos, para superar o pânico de trânsito. Ela participou da primeira ação do 'Fiscal por um dia" ao lado da reportagem.
Um atropelamento sofrido por ela na BR-116 em agosto de 2015 contribuiu para alimentar o medo.
— Estava deitada no asfalto e o trânsito fluindo como se nada fosse. Eu já tinha um pouco de medo antes, mas depois ficou muito mais agudo. Fiquei nove dias no hospital e ainda aguardo liberação do médico para trabalhar — conta Sônia.
Apesar de demonstrar curiosidade e fazer diversos questionamentos aos fiscais a respeito da dinâmica do trânsito, a desempregada descarta fazer uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
— De jeito nenhum! — sentenciou.
Estrutura da Fiscalização de Trânsito
- 73 fiscais, dos quais 58 atuam nas ruas
- 4 Fiat Toro
- 3 Renault Duster
- 2 Fiat Doblô
- 1 van
- 12 motos





