
A dificuldade em conseguir atendimento médico nos postos de saúde de Caxias do Sul motiva reclamações de pacientes nesta segunda-feira (20). No bairro Santa Fé, a associação de moradores organizou um protesto no início da manhã. Uma das duas Estratégias de Saúde da Família (ESF) está sem médico há três meses, conforme o vice-presidente da entidade, Claiton Garcia da Cruz.
Segundo ele, cerca de 10 mil pessoas têm o atendimento prejudicado. Garcia da Cruz, que também integra o Conselho Municipal de Saúde, diz que a situação leva à sobrecarga na busca pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, como os casos não são de urgência e emergência, há relatos de pacientes que precisaram esperar até 7h para terem acesso ao médico.
Na manifestação desta manhã, pacientes não entraram na Unidade Básica de Saúde (UBS) às 7h30min, horário do início do serviço. Às 7h50min, o acesso foi liberado. Conforme o vice-presidente da associação, a adesão foi espontânea.
Outro bairro com reclamação de dificuldades no atendimento médico é o Ana Rech. A artesã Liz Moura, 38 anos, diz que, mesmo chegando às 5h na fila nesta segunda-feira, não conseguiu pegar uma ficha para a filha de 18 anos. Ela relata que foram oferecidas sete consultas e que a clínica geral atende duas vezes por semana.
— Ela (médica) não está dando conta. A gente precisa urgentemente de mais médicos. O postinho está abandonado — afirma.
Segundo a moradora, também existe demora para conseguir consulta com ginecologista e pediatra - este último profissional, por exemplo, só retoma atendimentos na próxima segunda-feira (27), porque está de licença.
O que diz a Secretaria da Saúde
O secretário da Saúde, Júlio César Freitas da Rosa, considera que a manifestação no bairro Santa Fé nesta manhã foi um ato "político e eleitoreiro". Embora avalie como legítimo que a população se mobilize, ele diz que pacientes foram obrigados a aguardar para entrar na UBS. O secretário afirma estranhar que o movimento ocorra justamente no dia em que houve a inauguração do posto de saúde do bairro Reolon.
Sobre a reposição de médico, Freitas da Rosa projeta que a situação estará resolvida entre 15 e 30 dias. Segundo ele, um médico aceitou sair de São Paulo para assumir a vaga em Caxias, mas existe um processo burocrático para a contratação.
Em relação ao posto de Ana Rech, ele reconhece que houve diminuição da carga horária de 33h para 12 horas semanais do clínico geral. Segundo o secretário, o motivo é um quadro de dificuldade em encontrar médicos disponíveis para atuar na rede pública de saúde. Ele garante que há busca por médicos, mas afirma que a prioridade é fazer com que todas as UBSs tenham pelo menos um profissional.
— Nós temos certeza que faltam profissionais. Não é problema orçamentário. Não é nenhum outro problema a não ser a falta de interessados — garante.
Ele afirma ainda que o pediatra goza de uma licença por causa do casamento, o que é um direito dos servidores.




